Paulo Guedes foi apresentado à plateia de 400 pessoas por Niall
Ferguson, hoje talvez o mais influente historiador e intelectual público
em escala global. Coluna de Merval Pereira, publicada no jornal O Globo:
O ministro da Economia Paulo Guedes começou bem seu périplo
internacional para vender a imagem do governo brasileiro, com uma
palestra magna num jantar no Instituto Hoover, da Universidade Stanford,
organizado pela Mont Pelerin Society, grupo que reúne economistas e
intelectuais liberais de diversas partes do mundo.
De Palo Alto, na Califórnia, Guedes viajou para Davos, na Suíça, onde
participa do Fórum Econômico Mundial desde segunda-feira. Como
principal representante do governo brasileiro, tem como missão mostrar
para os investidores internacionais um país pronto para crescer
economicamente. O que se confirma com o aumento da previsão de
crescimento do PIB brasileiro feito pelo FMI e pelo Fórum Econômico.
Do espírito de Mont Pelerin, na Suíça, onde aconteceu a primeira
reunião do grupo em 1947, até a realidade de Davos, a Montanha Mágica do
livro de Thomas Mann.
O encontro deste ano da Mont Pelerin Society teve como base o tema
“Do Passado ao Futuro: Idéias e Ações para uma Sociedade Livre”. A
Sociedade teve sua reunião inaugural em 1947, em Mont Pelerin, Suíça,
fundada por historiadores, economistas e filósofos como Friederich
Hayek, seu primeiro Presidente, Ludwig Von Mises, Frank Knight, George
Stigler, Karl Popper e Milton Fiedman, da Escola de Chicago, alma mater
de Paulo Guedes.
Historicamente, seu quadro de membros vai desde Ludwig Erhard,
ex-chanceler alemão, até pelo escritor peruano Prêmio Nobel de
Literatura Mário Vargas Llosa, passando por muitos outros líderes das
esferas governamental, acadêmica e jornalística, vários deles agraciados
com o Nobel e o Pulitzer.
É um dos principais Think tanks dos valores do liberalismo econômico e
social. No encontro deste ano, figuram nomes como o economista
americano Arnold Harbenger, e os ex-secretários de Estado dos Estados
Unidos George Schultz (que este ano completa um século de vida) e
Condoleezza Rice. A palestra do Ministro da Economia Paulo Guedes
ocorreu no 40º. Aniversário da chamada “Conferência Milton Friedman”,
principal atividade das reuniões da Mont Pelerin.
Paulo Guedes foi apresentado à plateia de 400 pessoas por Niall
Ferguson, hoje talvez o mais influente historiador e intelectual público
em escala global. Assim como Eric Hobsbawn era um grande historiador de
esquerda, Fergunson é seu antípoda da direita internacional. O
professor Ferguson, além de tudo, é um ativista político, apóia Donald
Trump nos Estados Unidos e Marine Le Pen na França, e defende o Brexit.
Recentemente meteu-se em uma disputa no campus da Universidade
Stanford, onde leciona, quando o jornal interno Stanford Daily revelou
que ele estimulava seus alunos a combaterem estudantes de esquerda.
Fergunson, ao apresentar Guedes, disse que desde o primeiro dia de
governo Bolsonaro ele vem conseguindo aprovar os pontos de uma ambiciosa
agenda de reformas no Brasil. O ministro Paulo Guedes fez uma avaliação
da conjuntura global, com base também em suas interações com
protagonistas como os presidentes dos Estados Unidos Donald Trump, da
China Xi Jinping e Vladimir Putin da Rússia, mostrando as intersecções
internacionais com os grandes desafios econômicos do Brasil.
Guedes não teve constrangimento em definir a presidência de Bolsonaro
como baseada nos valores da família e do amor à Pátria, parte da
alternância de poder, fato natural nas democracias, e defensor do livre
mercado e do Estado de Direito, pressupostos de uma sociedade livre.
Destacou as reformas estruturantes que o governo vem propondo, e o
equilíbrio fiscal.
Enfatizou que os princípios abraçados pela Mont Pelerin são tão
vitais no mundo contemporâneo quanto o eram no pós-II Guerra. Aplausos
interromperam por várias vezes seu discurso, e ao final foi ovacionado
de pé. Paulo Guedes estava em seu ambiente, e conseguiu inspirar todos
presentes, que saíram daquela noite em Stanford com a convicção de que,
no Brasil, pavimenta-se o caminho da prosperidade.
Provavelmente seu discurso em Davos terá a mesma receptividade que
encontrou em Stanford, mas certamente terá que enfrentar perguntas
difíceis, tanto dos jornalistas internacionais quanto dos próprios
empresários presentes, sobre queimadas da Amazônia, ou a influência do
nazismo no programa cultural do governo Bolsonaro.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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