O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, adiou para daqui a seis meses essa aberração criada pelos políticos. J. R. Guzzo:
Complicou, como teria mesmo de complicar, a questão do juiz de garantias,
figura que o Congresso inventou para atrasar ainda mais o andamento dos
processos penais e, com isso, proteger seus clientes preferidos – a
bandidagem, da qual boa parte dos deputados e senadores, aliás, faz
parte.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) entrou na dança e, para resumir as coisas, adiou tudo para daqui a seis meses,
durante os quais se tentará “normatizar” a aberração criada pelos
políticos — pela lei que aprovaram, cada processo penal terá dois juízes
diferentes, um para julgar e outro para vigiar se o colega não está
ferindo algum direito dos réus.
Logo ele, Antônio Dias Toffoli, um dos deuses dos “garantistas”? É a
turma que acha, no fundo, que a maior obrigação da Justiça brasileira é
proteger os direitos dos criminosos – e Toffoli virou um herói para
eles. Mas até Toffoli, bajulado na mídia como um jurista extraordinário, achou que assim não dava.
Apareceram problemas inesperados: as feministas, por exemplo, não
querem o juiz de garantias nos processos que julgam agressões a
mulheres.
Não há, nem pensar, juízes suficientes para preencher as funções
absurdas que lhes foram impostas. Em muita comarca aí do interiorzão não
há sequer um juiz para tocar o trabalho — imaginem dois, então. Há
outros obstáculos inevitáveis quando se tomam decisões sem pé nem
cabeça.
Em suma: a coisa emperrou antes de começar. O fato principal nessa
marcha de insensatez, no fim das contas, é o seguinte: antes ou depois
de Toffoli, o juiz de garantias continua sendo um dos piores momentos de
uma Justiça desmoralizada, incompetente e que, a cada dia, merece mais
desrespeito por parte dos cidadãos.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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