POLITICA LIVRE
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Senador Randolfe Rodrigues (Rede)
O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) confirmou nesta
terça-feira, 12, que ele e outros parlamentares vão tentar conseguir as
assinaturas necessárias para desengavetar proposta de criação da chamada
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da “Lava Toga”, que tem o
objetivo de investigar possíveis excessos cometidos por tribunais
superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF). A CPI foi arquivada
na segunda pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), depois
que três senadores decidiram retirar o apoio para a instalação da
comissão de inquérito. A reportagem do Estadão/Broadcast mostrou que
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atuaram nos bastidores,
durante o fim de semana, para que o Senado recuasse da abertura da CPI.
Para desarquivar o requerimento são necessárias nove assinaturas
iniciais. Após isso, os senadores precisam conseguir, novamente, os 27
apoios obrigatórios para tentar protocolar o pedido de criação da CPI.
“Vamos fazer uma questão de ordem entre hoje e a semana que vem para
tentar desarquivar. Já temos 24 ou 25 assinaturas (de apoio à CPI).
Vamos desarquivar e reapresentar o requerimento com essas assinaturas
(restantes)”, disse Randolfe. O parlamentar da Rede e o senador
Alessandro Vieira (PPS-SE), que sugeriu a criação da CPI, estão à frente
da coleta de assinaturas novamente. Randolfe nega, no entanto, que o
regimento interno proíba o Senado de investigar atribuições do Supremo,
como trata o artigo 146 da Casa. “Não se está se falando de investigar
atribuições do STF, está se falando de investigar excessos que podem ter
havido na atuação de magistrados. Investigar isso é atribuição do
Parlamento”, afirmou. “Se teve qualquer atuação de ministros (contra a
instalação da CPI), espero que não tenha tido, aí é uma intervenção
indevida no Parlamento”, complementou. A reportagem apurou que ministros
do STF trataram do assunto diretamente com senadores no fim de semana.
Segundo Kátia, ela falou por telefone com o ministro Gilmar Mendes antes
de recuar. Para a senadora, este não é o momento para abrir uma crise
institucional no País. Depois do arquivamento, o presidente do Supremo,
ministro Dias Toffoli, elogiou a postura de Alcolumbre no episódio. “O
arquivamento pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mostra a
habilidade em evitar conflitos entre os Poderes em um momento em que o
País precisa de unidade para voltar a crescer e a se desenvolver”,
afirmou ao Estado. Nos bastidores, porém, integrantes do Supremo veem as
digitais do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, nas
movimentações do senador Alessandro Vieira. Para membros do STF ouvidos
pela reportagem sob a condição de anonimato, a “CPI da Lava Toga” –
voltada, em tese, para investigar a atuação de tribunais superiores –
mirava, na verdade, a Suprema Corte.
Estadão Conteúdo
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