
Joaquim Barbosa tinha o perfil de centro, dia Maia
Marina Dias
Folha
A falta de consenso em torno de um nome que lidere a disputa eleitoral pela centro-direita fez com que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encontrasse uma forma inusitada para definir as recentes discussões sobre o campo: “um conversa de bêbado”. Segundo o deputado, um dos ao menos seis pré-candidatos ao Planalto que se autodenominam “de centro”, há uma discrepância na expectativa da classe política e da sociedade sobre o que é pertencer a esse grupo que quer romper com a polarização entre direita e esquerda.
“A sociedade não enxerga o centro como nós [políticos] enxergamos, então fica uma conversa que parece meio de bêbado. A gente fala de candidato de centro e a sociedade não encontra nenhum desses que estão colocados como candidatos de centro”, afirmou Maia nesta quarta-feira (6) durante sabatina do jornal Correio Braziliense.
PERFIL DE CENTRO – Na opinião do presidente da Câmara, o “único candidato que tinha um perfil de centro” era o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB no limite do prazo para concorrer às eleições, mas desistiu da disputa alegando “questões pessoais”.
Fora o magistrado, diz Maia, nenhum outro, nem mesmo ele, conseguiu se colocar como o nome capaz de liderar o consórcio de partidos que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff e, portanto, até julho, afirma o deputado, todos têm legitimidade para tentar se viabilizar.
“Se houvesse uma candidatura hoje que estivesse organizando esse campo, não haveria problema de compreender que existe um nome capaz [de unir o grupo e liderar o processo], mas esse nome não apareceu. Enquanto isso não acontece, todos tentam, até julho, construir suas candidaturas”, completou o deputado.
MANIFESTO – Nesta terça (5), lideranças de partidos como PSDB, MDB, PPS, PV, PSD e PTB lançaram um manifesto para tentar evitar a fragmentação definitiva das legendas diante do protagonismo de candidaturas mais à esquerda, como a de Ciro Gomes (PDT), e à direita, como a de Jair Bolsonaro (PSL).
Inicialmente, o DEM participaria do movimento, mas Maia não gostou de ter correligionários envolvidos no processo, visto que ele é pré-candidato do partido ao Planalto e não concorda com a tese de união em torno de uma candidatura hoje. No fim, deputados como Heráclito Fortes e Mendonça Filho, ambos entusiastas do DEM, retiraram suas assinaturas do texto final.
O presidente da Câmara nega que tenha pedido para que eles retirassem as assinaturas e disse apenas que Heráclito perguntou se ele deveria participar, e que ele orientou que cada um tomasse sua decisão sozinho.
CRÍTICA A TEMER – Ao
longo do debate, Maia adotou um tom de crítica à gestão Temer.
Questionado sobre a postura do Congresso, que não aprovou quase nenhuma
medida proposta pelo governo, prejudicando até algumas áreas essenciais
ao país, ele esclareceu que tem trabalhado em conjunto, mas que as
resistências estão na Câmara. “Temos uma agenda pactuada com líderes,
com a equipe econômica. Como disse, todas as resistências estão na
Câmara, mas temos um governo desarticulado, uma base desorganizada, e
isso atrapalha.
Em outro momento do debate, Maia fez
um balanço sobre a intervenção federal no Rio de Janeiro, sobre o qual
falou que o processo se fez necessário no final, mas que ocorreu sem
planejamento. “Acredito que tenha sido feito sem planejamento,
diagnóstico, orçamento. Tudo isso acabou sendo construído ao longo da
intervenção até a semana passada. Só há duas semanas se votou o
orçamento para que o interventor tenha a estrutura administrativa dele,
para receber R$ 1,2 bilhão por falta dessa estrutura. faltou
planejamento”, lamentou.
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