
Dias não privatiza Petrobras, Caixa e Banco do Brasil
Hamilton Ferrari e Ingrid Soares
Correio Braziliense
O senador Álvaro Dias (Podemos) defendeu, durante a sabatina promovida pelo Correio com os pré-candidatos à Presidência nesta quarta-feira (6/6), que é preciso uma “refundação da República”. De acordo com ele, o país nasceu com um “gravíssimo defeito de origem”, porque, historicamente, “uma minoria governa o país e explora o esforço coletivo”.
Durante o discurso no debate, Dias reforçou reiteradas vezes que as leis são elaboradas para serem descumpridas ou serem interpretadas “ao sabor da conveniência”. “Não só poderemos olhar para nós mesmos, nossas crenças, nossas instituições e pensarmos numa grande nação se refundarmos a República. Esse é o objetivo central da nossa candidatura”, disse.
PACTO SOCIAL – Por isso, o senador defendeu um pacto social para renovar a política e a governança no país. De acordo com ele, os pedidos extremistas de pessoas para intervenção militar no país retratam a angústia e desespero dos eleitores. “Hoje nós vivemos uma tragédia política”, afirmou. “O Brasil vive um caos administrativo em que 52 milhões de pessoas estão abaixo da linha da pobreza, de uma nação fantasticamente rica”, disse.
Álvaro Dias ressaltou, porém, que extremismos não levam o país a “nada”, porque afundam ainda mais a nação. “Não se constrói uma nação com extremismos. É preciso um pacto nacional daqueles que pensam no futuro do Brasil. O Brasil real na busca do seu futuro”, defendeu.
Segundo ele, as eleições de 2018 serão a mais importante desde a redemocratização do país. O senador reforçou que é uma oportunidade para as “pessoas lúcidas” exercerem o protagonismo. “Essa participação da sociedade nesse movimento pode evitar essa tragédia que existe hoje. Há um caos administrativo, uma lamaçal de corrupção”, disse. “Por isso, a Operação Lava Jato é essencial para reabilitar as esperanças na política e na democracia. Se a escolha for infeliz (nas eleições), nós estaremos desenhando um futuro de angústia para o país”, completou.
EDUCAÇÃO – O senador defendeu que é preciso aumentar o investimento inteligente na educação, focando nos ensinos iniciais, como infantil e fundamental. Para o ensino superior, ele declarou que as universidades deveria ter uma “cota social” para os originários das escolas públicas e ter uma “prerrogativa” em função da declaração do imposto de renda.
Álvaro lembrou que foi relator do Plano Nacional de Educação e apontou que, se esse plano estivesse sendo respeitado, o Brasil teria um outro cenário na educação. “A letra é morta, assim como tantas outras leis. Elaboramos leis para serem ignoradas”, criticou.
No plano, se colocam 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. “Hoje está próximo de 6%”, disse, acentuando que é preciso valorizar mais os professores, aumentando a remuneração, equivalendo às outras profissionais, como engenheiro e médico. “Não se trata de federalizar a educação, mas rediscutir o orçamento”, disse.
ENSINO INFANTIL – “A prioridade número um é o ensino infantil. Jamais o ser humano vai alcançar suas formalidades se não houver um investimento, que, inclusive, é o de maior retorno. Não há nenhum no mundo com o retorno tão expressivo. Um dólar tem o retorno de seis ou sete dólares no futuro. Isso é com base em pesquisas” ressaltou Álvaro Dias.
Perguntado sobre ciência e tecnologia do país, ele disse que é preciso rever as prioridades atuais. “Os países que se desenvolveram foram aqueles que investiram em ciência e tecnologia”, disse. O senador ressaltou que enquanto os países evoluídos investem 4% do PIB no setor, o Brasil beira 1%. “Obviamente que, com a redução dos valores nos últimos anos, nós estamos reduzindo talentos. Pesquisadores estão indo embora para exercitar o próprio talento”, destacou.
O senador também comparou o Brasil com a Coréia do Sul: “há 60 anos, a renda per capita do país era 15% da renda americana. Na época, a Coréia do Sul tinha um número ainda menor. Hoje, o Brasil tem 25% da renda dos Estados Unidos, e a Coréia do Sul tem 70%. Isso porque investiu em ciência e tecnologia”, afirmou.
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