POR UM BRASIL SEM POPULISMO!

2016, o ano que deve ficar marcado na
história mundial como “uma odisséia à Direita”, está chegando a seu
termo. E como costuma ocorrer nas festas de passagem de ano, diversas
pessoas irão olhar para trás, em meio aos fogos de artifício, para tudo
que se passou desde janeiro, e pensarão que deveriam ter feito muitas
coisas de forma diferente em suas jornadas. Notadamente, irão, como
muitos pacientes o fazem no leito de morte, ponderar que deveriam ter
trabalhado menos, mantido mais contato com os amigos, curtido mais a
vida, corrido atrás de seus sonhos, buscado mais a felicidade.
Por que não procurar esticar por mais 363
dias a alegria do Natal e do Réveillon, pois não? O problema usual
nesta reflexão, contudo, é que a primeira das lamentações afeta todas as
demais: é justamente o trabalho que facilita a consecução dos demais
objetivos da lista de resoluções de fim de ano. Até mesmo a
possibilidade de trabalhar menos e usufruir mais horas de lazer costuma
ser produto de muito…trabalho (e estudo) prévio.
Viver mais próximos das pessoas com quem
nos importamos e amamos é uma meta integralmente válida e salutar. E tal
tarefa tornou-se bem menos complicada a partir da evolução dos meios de
transporte e comunicação – fruto da busca incessante por ganhos em
produtividade em ambas as atividades econômicas, que veio a redundar em
inovações tecnológicas que, em um primeiro momento, foram “testadas” com
as pessoas de maior renda, mas hoje atendem até mesmo as camadas menos
abastadas da população.
Se atualmente é possível conservar com um ente querido que mora do outro lado do Brasil tal qual os Jetsons o
faziam, ou mesmo comprar uma passagem sem sair de casa e ir vê-lo em
pessoa utilizando apenas pontos do programa de milhagem, é porque
empreendedores dispostos a correr riscos para auferirem, quem sabe,
muitos lucros ali na frente (ou perderem tudo o que tinham), ofereceram a
seus clientes, justamente, aquele tão almejado “mais contato com os
amigos”, a custos progressivamente mais acessíveis e de forma mais
eficiente.
O valor gerado por esses investidores,
que proporciona uma maior conexão entre indivíduos que vivem em locais
distantes, e que poderiam até mesmo ter se esquecido da existência uns
dos outros não fossem por tais serviços, não tem preço – mas ele
costumam parcelar em até dez vezes. Se não houvessem tantas barreiras
impostas por ANAC e ANATEL à entrada de mais concorrentes na aviação e
nas telecomunicações, seria tudo ainda muito melhor, claro; quem sabe o
próximo Papai Noel (não o vermelho) possa trazer tal presente para os
brasileiros.

Poder folgar mais durante o ano também é
um privilégio que guarda estreita relação com os bens de capital
acumulados em um determinada economia. Quanto maior a produtividade
marginal do trabalho em um dado país, menos labor é necessário para
atingir um determinado objetivo. Como um trabalhador da Alemanha, por
exemplo, consegue gerar a mesma quantidade de valor que seu congênere
brasileiro em muito menos tempo – já que os bens de capital naquele país
(bens ou serviços, como equipamentos e instalações, necessários para a
produção de outros bens ou serviços de consumo ou capital) estão em
estágio bem mais avançado – ele dispõe de mais tempo e dinheiro para
tomar sua cerveja ou para assistir ao jogo do Borussia.
Mas esta não é uma prerrogativa dos
germânicos que possa nos cair do céu: enquanto nossa indústria seguir
estrangulada pelo Estado e suas regulações esquizofrênicas e impostos
impeditivos, e nossa educação seguir sendo pautada por conceitos
freirianos (como o fracassado no PISA sócio construtivismo), seguiremos precisando trabalhar muito para produzirmos tão somente o necessário para nossa mera subsistência – e olhe lá.
E não adianta achar que os sindicatos
(aqueles entes que sugam bilhões ao ano do salário dos trabalhadores
para promover passeatas de Fora Temer) vão obter, pressionando o
Congresso Nacional, férias mais extensas e vantagens correlatas – ao
menos, não sem gerar grande desemprego. Precisamos demandar, neste
contexto, mais liberdade econômica,
pois, destarte, mais empresas podem ser abertas, mais empregadores
passam a disputar a mesma mão de obra, e mais benefícios eles precisam
oferecer para conquistá-la. Não à toa, habitantes de países que sequer
contam com legislação que garanta descansos aos trabalhadores costumam desfrutar de períodos de repouso mais extensos do que outros verdadeiros “paraísos” (no papel) para empregados.
Além disso, o brasileiro médio perde tempo demais de sua vida indo e voltando do local de trabalho, devido ao casos urbano,
aos meios de transporte coletivo caros e ineficientes, e a ausência de
atividade produtiva nos bairros de periferia das grandes metrópoles – em
decorrência da pesada burocracia estatal, impraticável para o pequeno
empresário, e dos juros escorchantes cobrados no mercado, fruto do alto endividamento do governo. Assim não fosse, e quem sabe “curtir mais a vida” nem estaria no rol de pedidos de Natal de nosso povo.
Dentro desta mesma conjuntura, “correr
atrás de um sonho”, seja ele qual for, também se torna tarefa bem mais
simples em um país desenvolvido economicamente, seja ele arrumar um
emprego melhor remunerado na iniciativa privada, graduar-se em um campo
específico do conhecimento humano, conhecer aquela praia paradisíaca,
comprar uma casa, morar em outra cidade, ganhar músculos, aprender
japonês, e tudo o mais: todas essas ambições serão mais facilmente
atingíveis se houverem mais companhias expandindo-se e empregando, mais
faculdade admitindo calouros, mais concorrência no setor de turismo,
mais poupança sendo possível de ser efetuada por pessoas físicas e
jurídicas, mais academias de musculação, mais cursos de japonês – tudo
respectivamente.
Ou seja, quanto mais sonhadores
conseguirem realizar sua aspiração de serem donos do próprio negócio,
mais facilmente todos os demais cidadãos irão realizar seus próprios
sonhos. Mas para isso é necessário mais capital circulando na mão destes
sonhadores, e menos na mão (e nas contas na Suíça) de burocratas
estatais.
“Buscar a felicidade”? Isso o brasileiro
sabe fazer como poucos – se lhe deixarem um cadinho de dinheiro no bolso
e alguma segurança, ainda que residual (física, patrimonial e
jurídica). Não se faz necessário que nenhum bom velhinho (de nenhum
partido) traga este presente para nosso povo, que possui vocação para
empreender e é notório por sua criatividade. Basta que o elefante
governamental saia do caminho, e a ordem espontânea do livre mercado
fará, no Brasil, o “milagre” que já fez em Cingapura, Nova Zelândia,
Irlanda, Estados Unidos, Suécia, dentre outros tantos países que
permitiram a seus cidadãos uma alegria mais genuína na hora de estourar o
champanhe à meia-noite de trinta e um de dezembro.
Já a ceia nas nações “agraciadas” com o
“socialismo do século do XXI” e outros totalitarismos do gênero deve
estar bem restrita este ano – para dizer o mínimo. E sonhar, então, só
se incluírem no pacote de desejos a queda de Maduro e do Chavismo (e
demais ditadores mundo afora). Enquanto vigorar o intervencionismo
nestes recantos, o Estado seguirá escolhendo, a dedo, quem deve ficar
feliz ou não na virada do ano – e nos demais dias vindouros.

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