Com a evolução acelerada
da tecnologia, o perfil do trabalho no mundo está mudando. O trabalho a
partir de casa, horários flexíveis e vínculos menos formais são
exemplos de alteração nas relações entre empregadores e contratados.
Segundo relatório de 2015 da Organização Mundial do Trabalho (OIT),
trabalhadores em arranjos que destoam do padrão representam três quartos
dos empregados no mundo. Para especialistas, as novas formas de
trabalho precisam de regulação.
“[As mudanças na forma de
trabalho] incluem o aumento do emprego temporário e da jornada parcial.
Além disso, [é preciso considerar] situações de emprego mais ambíguas,
como o emprego por resultado,
os contratos de zero horas [tipo de contrato em que não há um mínimo de
horas de trabalho estipulado] e outros cuja ascensão está sendo
facilitada pelo avanço tecnológico”, diz Steven Tobin, do Departamento
de Pesquisa da OIT. Segundo Tobin, essas mudanças representam um
“desafio”.
“Isso significa segurança de trabalho reduzida, ganhos
irregulares e inelegibilidade para proteção social e representação de
categoria”, afirma. Segundo ele, é necessário trabalhar em uma regulação
atualizada para as novas formas de trabalho, construída por meio de
diálogo social.
O diretor técnico do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio,
acredita que o bem-estar do trabalhador deve ser preservado. “Aquele
modelo fordista acabou. Não há dúvida que tem de haver um outro
conceito. Mas não um conceito que signifique que a gente tem que se
render ao estresse, às más condições de trabalho”, afirma.
Para Ganz Lúcio, o Estado tem de assumir o papel de regular os arranjos
não tradicionais de trabalho. “Se o trabalhador que trabalha a partir
da sua residência tem um acidente, como se separa se é pessoal ou de
trabalho? Isso exigirá um nível de regulação por parte do Estado,
imaginando essas situações e dando uma proteção coerente com o tipo de
trabalho que a sociedade está exigindo. Não se pode transferir o ônus e a
responsabilidade para o trabalhador”, defende.
Para ele, a
resposta do Poder Público às mudanças precisa ser estratégica. “O uso de
tecnologia no corte da cana acaba com milhares de postos. Nós achamos
que está correto, pois o trabalho é desumano. Agora, a política
econômica tem que ter uma estratégia para gerar novos postos de
trabalho. Esse equilíbrio é que tem que ser buscado o tempo todo”,
pondera.
O diretor do Dieese afirma ainda que é preciso separar a
necessidade de regulação de novas formas de trabalho de alterações que
resultem em precarização. “Muitas vezes, o empresário diz que quer
flexibilizar e o que ele quer é aumentar a exploração sobre o trabalho”,
critica.

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