Dos mais de 50 gatos de Edith Gaertner, 9 lápides continuam em Blumenau.
Reconhecida na Europa, ela se tornou reclusa a partir dos anos 1920.
Lápides foram mantidas nos fundos do Museu da Família Colonial, em Blumenau (Foto: Jean Souza/RBS TV)Descendente do fundador da cidade, Dr. Hermann Blumenau, Edith nasceu em 1882. Filha do cônsul da Alemanha e a da fundadora do teatro da cidade, era a caçula de oito irmãos. Aos 20 anos, depois da morte dos pais, Edith saiu do Brasil sozinha. Chegou a trabalhar como governanta de uma família em uma fazenda no Uruguai, mas foi na Argentina que começou a realizar seu sonho: ser atriz.
Edith Gaertner chegava a ter sete gatos de cada vez, conta professora (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
Edith Gaertner encenou textos clássicos em teatroseuropeus no século XX (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
Vida de clausura
De volta a Blumenau, voltou à viver na propriedade da família Gaertner, construída no centro histórico da cidade, e que hoje abriga o Museu da Família Colonial e o horto. Edith tinha pouco mais de 40 anos e, para surpresa de todos, mudou radicalmente seu estilo de vida, conta a professora Sueli.
“Solteira, Edith nunca teve filhos. Não trabalhou mais com teatro, vivia enclausurada. Para passar o tempo tinha gatos, e toda a parte afetiva era para eles. Tinha seis, sete gatos de uma vez só, e à medida que os gatos foram morrendo, ela os enterrava nos fundos da casa”, diz Sueli.
Edith Gaertner deixou registradas imagens dos gatos de que cuidava em Blumenau (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)Foram mais de 50 gatos enterrados ali, garante a professora, mas apenas nove lápides permaneceram. “Ela fazia uma ritualística no enterro desses gatos”, diz Sueli. Ainda em vida, Edith doou o terreno para a prefeitura. Quando morreu, em 1967, o então diretor da Biblioteca Pública, José Ferreira da Silva, transformou o imóvel em museu.
“Em respeito a Edith, foi mantido o cemitério de gatos. Foi Ferreira da Silva quem colocou as lápides com os nomezinhos deles”, explica a professora, lembrando que as esculturas foram baseadas em imagens dos animais, mantidas até hoje pela prefeitura.
Há quem diga que este é o único cemitério de gatos do mundo. A professora Sueli não confirma, mas também não nega. “Eu desconheço outro. Mas é uma atração a mais para os visitantes do museu”.
O cemitério de gatos pode ser visitado no Museu da Família Colonial, que fica na Alameda Duque de Caxias, 64. A entrada custa R$ 3, e as visitações ocorrem de terça a domingo, das 10 às 16h.
Edith fazia 'ritualística' para enterro de seus gatos, nos fundos da residência (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
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