MEDIÇÃO DE TERRA

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quarta-feira, 6 de março de 2024

Mansueto Almeida e Samuel Pessoa discutem plano de industrialização proposto pelo governo federal

 


Movimento liberal Livres realizou o evento “Nova Indústria Brasil: por que insistir no erro?” que contou com a participação do professor da Fundação Getúlio Vargas e do ex-secretário do Tesouro Nacional

Samuel Pessoa, Mansueto Almeida e Deborah Bizarria

No último dia 27, o movimento Livres realizou em sua sede o segundo evento de uma série que propõe debater os assuntos mais importantes para o desenvolvimento do país. A segunda edição abordou os erros históricos de projetos de industrialização, o plano atual estipulado pelo governo e o que deveria ser feito diferente para funcionar. Intitulado “Nova Indústria Brasil: por que insistir no erro?”, o debate foi mediado pela economista e coordenadora de políticas públicas do Livres, Deborah Bizarria, e contou com a participação de Samuel Pessoa, economista, conselheiro acadêmico do Livres e colunista da Folha de São Paulo, e Mansueto Almeida, economista e ex-secretário do Tesouro Nacional do Brasil.

Deborah deu início ao evento fazendo um panorama da baixa participação da indústria na economia e ao baixo desenvolvimento no Brasil, em comparação a Coréia do Sul, onde a indústria representa 32,4% do PIB em 2022, de acordo com as informações divulgadas pelo Banco Mundial. “Vendo esse cenário, o Brasil não está preparado para esse crescimento, pois está no caminho errado. Enquanto o governo achar que políticas industriais vão fazer o país crescer, ao invés de educação e saúde, esse projeto de economia não irá para frente”, comenta Mansueto.  

Quando se compara o peso da indústria brasileira com a sul coreana, é perceptível que há uma grande diferença entre elas. “É importante ter ciência que a cultura é diferente, o estudante e trabalhadores sul-coreanos possuem uma mentalidade diferente do brasileiro. Lá, a educação é outra e o trabalhador tem um foco total na atividade que lhe é distribuída”, comentou Samuel. 

Ao realizar o anúncio sobre a nova política industrial, o governo recebeu diversas críticas, e sua saída foi divulgar que se consultou com os beneficiários do projeto, que elogiaram a iniciativa. “Para ter certeza de que a política está funcionando, é crucial a existência de uma metodologia para avaliar as empresas e os segmentos em questão, e alguns critérios precisam de uma atenção dobrada, como o custo de capital, custo de oportunidade do dinheiro que o governo gastou, entre outros”, avaliou Mansueto. 

Uma das maiores preocupações dos brasileiros quando as novas políticas foram divulgadas foi a questão orçamentária. Mansueto explica que nos anos de 2008 a 2014, quando a indústria recebeu uma atenção extra, o governo utilizou R$100 bilhões dos cofres públicos, pois naquela época era possível emitir títulos públicos diretamente para um banco público, que então repassava os recursos para implementar as políticas de incentivo. Porém, as leis atuais proíbem esse tipo de operação, já que é uma prática ilegal que infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Atualmente, se o governo deseja implementar políticas de subsídios, como equalização de juros, isso precisa entrar no orçamento do ano, o que torna mais difícil realizar ações da mesma magnitude sem mudanças legislativas”, explicou. 

Os antigos erros cometidos levam os economistas a questionarem a possibilidade de um novo programa industrial no Brasil dar certo. Para Samuel, os governantes precisam aprender com os próprios erros e entender que é preciso adotar novas abordagens. “É preciso discutir sobre investimentos em pesquisa que tragam inovações e mudanças de produtividade, pois dado que existem custos, é fundamental considerar se os benefícios sociais justificam esses custos, no final”, comentou Mansueto. 

Uma questão levantada foi a alta na taxa de juros no Brasil e como ela pode impactar a dinâmica da economia brasileira, pois elas acabam tornando o dinheiro mais caro para investimentos, afetando negativamente indústrias, negócios e serviços. Para Mansueto, no mercado há algumas empresas bem geridas, mas a desigualdade de produtividade está presente de forma muito intensa na indústria, com a maioria delas se mantendo em atividade mesmo com uma produtividade muito baixa. “Há também empresas que não possuem um número de produção tão expansivo e que sobrevivem por mais tempo devido à legislação tributária e trabalhista, o que acaba gerando um desperdício e prejudica a eficiência do mercado, já que se beneficiam de regimes tributários especiais, enquanto as empresas mais produtivas pagam tributos altos”.

Para finalizar o debate, foi levantado o problema da Zona Franca de Manaus e seu impacto na política industrial brasileira. Para Samuel, essa é uma política que deu errado e o país segue sequestrado por ela. Para o economista, uma forma de tornar politicamente viável uma transição desse modelo de política seria o governo transferir fundos do Tesouro Nacional para o estado do Amazonas anualmente, com os valores de transferências proporcionais à preservação da floresta. “Fora isso, é importante a criação de políticas de desenvolvimento regional mais eficientes, tendo como referência a Embrapa”, comenta. Para Mansueto, encontrar estratégias economicamente sustentáveis para a preservação da Amazônia deveria ser tratado como uma missão, substituindo a Zona Franca pela criação de um sistema de economia verde na região.

Movimento Livres*O Livres é um movimento político suprapartidário em defesa do liberalismo, que atua como associação civil sem fins lucrativos desde 2018 no desenvolvimento de lideranças e na curadoria de políticas públicas por meio de campanhas educativas e advocacy por reformas


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