PROTAGONISMO FEMININO Programa de Aquisição de Alimentos: mulheres são maioria na produção e na inclusão alimentar
Um
ano após a sua recomposição, o PAA alcançou o marco histórico no volume
de recursos destinados: a marca de R$ 1 bilhão foi superada. Esse valor
significativo foi designado para a aquisição de 163.675 toneladas de
alimentos, provenientes de 81.707 agricultores e agricultoras familiares
em todo o país. Uma das mudanças mais significativas, trazida pela Lei n° 14.628/2023,
foi a inclusão das mulheres entre os grupos prioritários, com a
garantia da participação feminina mínima de 50% na execução do programa
(estabelecida no Decreto n° 11.802/2023).
Os novos dispositivos do PAA representam um avanço significativo na
promoção da igualdade de gênero e no reconhecimento do papel fundamental
desempenhado por mulheres na agricultura familiar brasileira.
Isso
impulsionou a presença feminina nas modalidades do programa e destacou a
relevância da participação das mulheres. Em 2023, dos 81 mil produtores
familiares registrados no programa, 50.153 eram mulheres. O aumento foi
observado em 23 unidades da Federação e no Distrito Federal. Os cinco
estados com o maior número de mulheres fornecedoras foram Bahia,
Maranhão, Minas Gerais, Alagoas e Pará. Na
Bahia, por exemplo, 6.812 mulheres participaram do programa. No
Maranhão, o programa envolveu 5.479 mulheres. Além delas, foram outras
4.106 agricultoras mineiras e 3.376 alagoanas. O número de mulheres
liderando foi menor que o de homens apenas nos estados do Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. A
secretária também destaca que, segundo dados atualizados do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(DIEESE), mais da metade dos lares brasileiros têm liderança feminina, o
que corresponde a cerca de 38,1 milhões de famílias e evidencia a
importância das mulheres no contexto da segurança alimentar e
nutricional. No que se refere à produção de alimentos, a presença das
mulheres no campo é cada vez mais evidente. Segundo
o último Censo Agropecuário, em 2017, elas estavam à frente da gestão
de 18,7% dos estabelecimentos mapeados, um avanço significativo em
relação a anos anteriores. "Como fornecedoras de alimentos para o PAA,
destaca-se o aspecto crucial do programa na promoção da igualdade de
gênero, valorização do trabalho feminino no campo e ampliação da
autonomia econômica das mulheres rurais, permitindo-lhes gerar renda e
melhoria na qualidade de vida", completou a secretária. Lilian
ressaltou as medidas adotadas pelo MDS para incentivar a participação
feminina no PAA. "Novos dispositivos legais do PAA asseguram que a
participação das mulheres na política seja ampliada, reconhecendo assim o
papel importante que essas trabalhadoras rurais cumprem no campo. Como
órgão gestor do PAA no âmbito federal, nosso esforço tem sido no sentido
de avançar sempre para ampliar cada vez mais a participação das
mulheres, seja como fornecedoras de alimentos, seja como beneficiárias
deste importante programa", detalhou. EMPODERAMENTO
— Exemplo do empoderamento de mulheres na agricultura é a produtora
agroecológica Francisca Eliane de Lima, a Neneide. Natural do Rio Grande
do Norte, ela preside a CooperXique, uma cooperativa de comercialização
solidária que atua na região de Mossoró (RN) e hoje conta com o
engajamento de 59 mulheres em sua rede. Ela ressalta o peso do programa
federal para as mulheres e para o escoamento da produção agrícola. “É
importante esse olhar do PAA na questão das mulheres, de dar
visibilidade à nossa produção”, comenta a agricultora. Para
ela, a visibilidade é crucial não apenas para o fortalecimento da
cooperativa. A comercialização viabilizada pelo programa favorece o
sustento de suas famílias, alimentando seus filhos e filhas, bem como
materializa a distribuição da produção para instituições que recebem
pessoas em situação de vulnerabilidade social. "É para alimentar as
pessoas com comida de verdade", ressalta Neneide. Atualmente,
de acordo com Neneide, a cooperativa potiguar produz para o PAA arroz
vermelho e polpa de fruta para cozinhas solidárias do estado. O Rio
Grande do Norte possui 984 mulheres fornecedoras. No ano passado, cerca
de 1,5 mil toneladas de alimentos oriundos da agricultura familiar foram
entregues no estado por meio do programa, executado pela Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) com recursos do MDS.
Essas instituições desempenham um papel fundamental na distribuição de alimentos para populações vulneráveis, incluindo crianças, idosos, pessoas em situação de rua, e outros grupos em situação de vulnerabilidade social.
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