Manaus, 20/10/2021 -
“A arte se apresenta de inúmeras formas, ela pode ser um desejo, uma
vocação, uma ferramenta de mudança, uma forma de sobrevivência”. Esse é
um dos principais argumentos do projeto ‘Rua – A Arte que nos Rodeia’,
que lançou uma série de vídeos gravados com artistas de rua de Manaus
entre os meses de fevereiro e março, após a segunda onda de COVID-19 que
afetou o Estado.
A idealizadora do projeto, a publicitária e
gestora cultural Gisa Almeida, conta que a ideia surgiu a partir de uma
observação durante o período de isolamento social de Manaus: os artistas
locais que se apresentavam nas ruas e nos sinais da capital ‘sumiram’
dos seus locais habituais de apresentação. Até aí nenhuma surpresa, pois
a arte, tendo a interação humana como uma de suas características
basilares, também precisa ser vista e vivenciada por outras pessoas além
do próprio artista. Em outras palavras: sem público, sem show.
Porém,
a estratégia adotada por artistas bem conhecidos e empreendedores, de
migrar para o ambiente digital, ainda é uma alternativa longe da
realidade para essas pessoas. Considerando o cenário das vias públicas e
sinais de uma capital, o contato do artista com seu público é, na
maioria das vezes, imediato demais para criar vínculos, isso gera
dificuldades intransponíveis para adaptar esse tipo de trabalho a outros
formatos.
Essas reflexões geraram outro tipo de questionamento:
como essas pessoas estão vivendo, ou se sustentando? Encontraram outros
empregos? Conseguiram se adaptar ao isolamento? Essas foram algumas
questões que ficaram sem resposta e serviram como combustível para a
elaboração do projeto, focado nos artistas de rua de Manaus, uma das
cidades que estava à frente – no pior sentido da palavra – das demais
capitais brasileiras, nos números de disseminação do coronavírus.
Com
a proposta elaborada e os recursos captados, e equipe se dedicou a
encontrar esses artistas, muitos dos quais estão inacessíveis pelos
meios convencionais de comunicação. “Alguns contatos foram feitos via
redes sociais, mas houve casos em que tivemos que buscar contatos de
parentes ou amigos dessas pessoas para poder encontrá-las e manter a
representatividade que gostaríamos de conferir ao projeto”, explica
Gisa.
Seguindo os protocolos de segurança necessários para
prevenção à COVID-19, a equipe envolvida no projeto gravou depoimentos
com os artistas em seus ambientes naturais de apresentação. Alguns deles
tiveram, pela primeira vez, uma oportunidade de contar sua história de
vida e sua trajetória na construção de uma carreira artística. O
material, que também conta com a produção de um portfólio artístico
digital de cada um deles, busca profissionalizar a carreira.
A
produção desses materiais, de acordo com a produtora, visa “levantar a
autoestima desse agente da cultura para que ele possa se enxergar como
profissional e poder ter algo palpável sobre sua trajetória, inclusive
para futuramente poder ter acesso direto a verbas de editais públicos,
tornando esse caminho um pouco mais democrático”.
Democrático
também é um dos adjetivos que a produtora atribui à arte exercida por
cada um dos personagens da série. São pessoas que, com poucos recursos,
conseguem transmitir sua mensagem, gerar entretenimento, arrancar
sorrisos de quem passa apressado na rua.
Ainda que as
similaridades sejam muitas entre os artistas, cada artista vivencia sua
arte de forma distinta. “São seis histórias em seis segmentos
diferentes. Seis perspectivas diferentes num universo de
possibilidades”, finaliza a gestora. Apoio Emergencial
A
ideia de buscar essas pessoas não veio apenas como estratégia para
maior visibilidade aos artistas, mas uma forma de conectar os artistas
participantes com os recursos direcionados como apoio emergencial pela
lei Aldir Blanc. Todos eles, de alguma forma, dependem da arte para
sobreviver, ajudar a família, pagar as contas. Essa entrada de dinheiro
foi reduzida ou mesmo interrompida, e de alguma forma precisava ser
atendida.
Nesse sentido, cada participante recebeu um cache de
participação no projeto. Ao contribuir financeiramente com os artistas, a
ideia é que eles invistam na sua atividade, com a compra de
equipamentos, vestuário ou ferramentas de trabalho, mas também uma forma
de dar um alívio aos que dependem da atividade para pagar suas contas,
desde aluguel até alimentação.
“Também entregamos aos artistas
kits de prevenção à Covid-19, com máscaras, álcool em gel e outros itens
de proteção, para reduzir a possibilidade de contágio, principalmente
durante esses períodos de flexibilização do isolamento em Manaus”,
explica Almeida.
Para assistir aos vídeos produzidos, basta acessar o canal do projeto no youtube: https://www.youtube.com/channel/UCtx13MudTS8IqI7vvnip3PA
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