Um
grupo de 37 associações da sociedade civil divulgou nota pública
defendendo o "imediato afastamento" do Arcebispo de Belém (PA), Dom
Alberto Taveira Corrêa, de 70 anos. Ele é alvo de investigações da
Polícia Civil e do Ministério Público por suposto abuso sexual contra
seminaristas. O caso veio à tona quando o arcebispo fez um
pronunciamento, no início de dezembro, para se defender do que chamou de
"acusações de imoralidade". Detalhes das apurações foram reveladas em
reportagem do jornal El País e também pelo Fantástico da TV Globo. O
programa trouxe relatos de jovens que afirmam ter encontrado o arcebispo
na casa dele e terem sido tocados intimamente por ele em um quarto
entre 2010 e 2014. De acordo com os hoje ex-seminaristas, havia ainda
conversas sobre uma suposta cura da homossexualidade. Inclusive o
arcebispo teria dado aos jovens um livro com procedimentos para
tratamento. Para que eles não contassem o ocorrido, teriam sido
ameaçados. O documento subscrito por
entidades como o núcleo paraense da Associação Brasileira dos Juristas
pela Democracia, publicado no último dia 24, manifesta apoio às
investigações e requer que "seja observado o direito à ampla defesa e ao
contraditório do Sr. Arcebispo, mas também que sejam garantidos os
direitos das vítimas ao devido processo legal e acesso à justiça, sem
interferências indevidas". O grupo diz que o afastamento "visa garantir a
eficiência e a efetividade das investigações" e frisa que "as
instituições públicas envolvidas devem propiciar ambiente seguro, sem
risco de retaliações para colher eventuais depoimentos e denúncias de
outras vítimas". "As instituições subscritoras confiam nas autoridades
eclesiásticas e no sistema de justiça para esclarecer os fatos e
preservar os direitos e a integridade de investigados e de vítimas dos
crimes citados e que venham a ser comprovados", diz o documento das 37
associações. Em vídeo publicado no site da Arquidiocese de Belém, dom
Alberto Taveira chamou as acusações de "imoralidade", mas não citou o
teor da investigação. "Digo que recebi com tristeza há poucos dias a
informação de existência de procedimentos investigativos com graves
acusações contra mim sem que eu tenha sido previamente questionado,
ouvido ou tido qualquer oportunidade para esclarecer esses pretextos
fatos postos nas acusações", relatou o arcebispo. Na gravação, Taveira
diz que confia na Justiça brasileira para o esclarecimento das "falsas
imputações" e afirma estar "totalmente disponível às autoridades, tanto
eclesiásticas como civis, para que a realidade seja restabelecida".
Ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1973, dom Alberto Taveira exerceu o
ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), foi reitor do
seminário, professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Minas
Gerais, pároco, vigário forâneo e episcopal para a Pastoral e Capelão de
Hospital. Foi ordenado Bispo, como Auxiliar de Brasília, em 1991. Foi
membro da CELAM (Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios do
Conselho Episcopal Latino- Americano) de 1995 a 1999. Em 1996, tomou
posse como primeiro Arcebispo Metropolitano de Palmas (TO). Já em 2009,
foi nomeado o 10º Arcebispo Metropolitano de Belém. É ainda assistente
da Fraternidade das Comunidades de Vida e Aliança em nome do Dicastério
Pontifício para os Leigos, Vida e Família, membro da Comissão Episcopal
para os Textos Litúrgicos da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do
Brasil), vice-Presidente do CONSER Norte II da CNBB e assistente
nacional da Renovação Carismática Católica. Dom Alberto é presidente do
Instituto Dom Vicente Zico, grão chanceler da Faculdade Católica de
Belém, presidente da Fundação Nazaré de Comunicação e presidente da
Festa do Círio de Nazaré. Ele também apresenta programas religiosos na
TV e no rádio e escreve para jornais e para o portal da CNBB. É autor do
livro Retiro Popular Quaresmal, da editora Canção Nova.
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