
Jair Bolsonaro está animadíssimo com o apoio da atriz global
O presidente Jair Bolsonaro convidou a atriz Regina Duarte para a Secretaria de Cultura tentando com isso ultrapassar o episódio Roberto Alvim, que teve passagem tenebrosa pelo cargo onde Regina Duarte vai trabalhar. Sem dúvida, ela pode representar um avanço nas relações entre o Executivo e o universo da arte, hoje bloqueadas por uma sequência de fatos extremamente negativos não só para o Planalto, mas também com reflexo forte na opinião pública.
Regina Duarte tem uma posição bastante conservadora no que se refere à política. Reportagens acentuaram o apoio dado a Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018.
APOIO A COLLOR – Antes disso, porém, na campanha de 1989 ela gravou um tape no qual se dizia preocupada diante da hipótese de Lula vencer a eleição. Portanto, ela apoiava Fernando Collor. Mas isso é coisa do passado.
No presente, o sentido de sua nomeação, além de iluminar uma posição ideológica, representa também uma ponte entre a Secretaria de Cultura e a classe artística. Pode ser que consiga compatibilizar e equilibrar as situações que irão aparecer ao longo de sua permanência em Brasília.
O ponto sensível da tarefa está em tentar contornar arestas existentes e fixar um critério democrático em relação aos projetos que possam oferecer ao país atividades artísticas que mereçam financiamento por parte do Tesouro nacional.
NADA FÁCIL – Tal tarefa, evidentemente não será fácil, mas sem dúvida pode significar pelo menos uma esperança na medida em que uma artista como ela não poderá agir com base em iniciativas voltadas para setores com os quais Bolsonaro não se sintoniza. Isso de um lado.
De outro lado, devemos ter a certeza de que ela não irá ao encontro das teses mais conservadoras, cuja visão é de direcionar a arte às correntes mais próximas do governo e mais distantes da concepção livre e universal das criações artísticas.
O setor, como todos sabem, é bastante amplo. Inclui o cinema, teatro, música, pintura, literatura, escultura, tudo isso baseado na criatividade. Por isso é que a arte tem de ser livre na sua criação e na sua divulgação.
MENOS RECURSOS – As verbas diminuiram sensivelmente neste ano. Regina Duarte terá então de harmonizar os princípios da lei Roanet com os limites de financiamento a serem destinados aos grupos que realmente dependam desse apoio.
O êxito da futura secretária de Cultura terá de partir de uma ideia de liberdade que ela conhece muito bem. Vale lembrar que ela manifestou-se contra o veto do governo Ernesto Geisel à exibição de Roque Santeiro. Aliás, o tema, em 1963, foi vetado também pelo governo João Goulart. Nessa época o nome da peça era “O Berço do Herói”. Passou o tempo, e a obra, inclinando-se então para a comédia, teve um sucesso extraordinário na tela da Globo. Esse é o destino das obras de arte proibidas em um período e depois veiculadas livremente.
Livre de ideologias deve ser a presença de Regina Duarte na Secretaria de Cultura. Nada tão livre e tão diversificado como a cultura.
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