
Charge do Pelicano (Arquivo Google)
Após sucessivos e desastrados Planos Econômicos para combaterem a inflação, finalmente, durante o governo do presidente Itamar Franco, implantou-se o bem-sucedido Plano Real, mas desde então os salários dos brasileiros não foram reajustados de acordo com a inflação e continuam visivelmente defasados.
O aumento de salários gera consequentemente elevação no consumo de bens e serviços, que traz crescimento da arrecadação de impostos, facilitando o desenvolvimento socioeconômico.
QUADRO TRISTE – O povo brasileiro paga impostos altíssimos, mas não recebe nada em troca. Quando se aposenta, após ter contribuído por muitos anos, para a Previdência Social, recebe migalhas para sobreviver.
A “nova classe média”, tão anunciada pelo governo e pelos meios de comunicação, está pendurada junto aos bancos, tem dívidas enormes em todas as modalidades de empréstimos, como o consignado e o crédito direto ao consumidor, sem falar das impagáveis dívidas do cheque especial e do cartão de crédito, com juros que enchem de inveja os modestos agiotas.
Os brasileiros andam em carros que não são seus, por serem financiados e estarem com cláusula de alienação fiduciária. Se atrasam por uns dias a prestação do veículo, são acordados, bem cedo, com telefonemas ameaçadores das financeiras, que fazem todo o tipo de pressão, menos entrar na Justiça para retomar o bem, pois sabem que lá terão os juros de seus empréstimos questionados por qualquer juiz de bom senso.
DIREITO DO TRABALHADOR – Um salário digno e justo é direito de todos os que trabalham e produzem para que o país possa crescer. Salários decentes estimulam as pessoas e são um importante fator de inclusão social.
A maioria dos economistas afirma que o item salário é o que menos tem peso na inflação, pois o dinheiro que vai ser gasto pelas famílias retorna em forma de impostos, que podem ser direcionados à áreas prioritárias, como Educação, Saúde e Segurança Pública.
O governo deve focar no nosso mercado interno, que se não consome o pretenderia é exatamente porc ausa dos salários baixíssimos pagos à imensa maioria dos trabalhadores brasileiros.
LEMBRANDO JANGO – Quando ministro do Trabalho do presidente Getúlio Vargas, o bem-intencionado João Goulart foi execrado pelos setores mais reacionários e acabou vítima do famoso “Manifesto dos Coronéis”, que exigiam sua demissão, por propor um aumento de 100% do salário mínimo.
O manifesto protestava principalmente contra o descaso do governo em face das necessidades do Exército, relativas, por exemplo, à precariedade das instalações em todo território nacional, ao reequipamento das unidades, cujo material bélico era em sua maioria obsoleto, e ao reajuste salarial dos militares do Exército, em “eterna disparidade” em relação às forças armadas de outros países.
Nesse sentido, teciam sérias críticas ao aumento de 100% do salário mínimo proposto por João Goulart, ministro do Trabalho recentemente nomeado.
SALÁRIO MÍNIMO – O general Zenóbio da Costa discursou no Clube Militar. Disse que, para os militares signatários do manifesto, além de alimentar a inflação, o aumento de 100% do salário mínimo significava um desprestígio para as Forças Armadas, e “uma aberrante subversão de todos os valores profissionais”, uma vez que estancaria “qualquer possibilidade de recrutamento, para o Exército, de seus quadros inferiores”. Tal desprestígio, argumentavam eles, funcionaria também como elemento facilitador da ação dos comunistas.
O manifesto teve ampla repercussão nos meios políticos e militares, provocando a reação imediata de Vargas, que substituiu os ministros da Guerra e do Trabalho, Ciro do Espírito Santo Cardoso e João Goulart, ambos identificados com a política nacionalista e trabalhista do governo. Conciliador e generoso como sempre, Jango pôs seu cargo a disposição de Vargas, que o substitui.
Como ministros da Guerra e do Trabalho, assumiram, respectivamente, Zenóbio da Costa e Hugo de Faria.
VARGAS REAGE – Em 10 de maio, o presidente Getúlio Vargas anunciou, em inflamado e enérgico discurso, o novo salário mínimo, nos termos propostos pelo ex-ministro João Goulart. E o Brasil não foi à falência, como previam os arautos da tragédia. A partir daí, a oposição civil e militar retomou o movimento conspiratório que desembocaria na crise de agosto e no suicídio do presidente.
Igualmente durante o Governo de Juscelino Kubitschek, o Brasil viveu um período de inflação alta, mas foi um ciclo de desenvolvimento e a população viveu anos de alegria, progresso e muita felicidade.
Por tudo isso, não acredito que possa haver um país rico, se o povo é pobre e enfrenta enormes obstáculos para sobreviver com alguma dignidade.
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