Postado em 13/01/2020 3:57 DIGA BAHIA!
Depressão
e ansiedade são os transtornos mentais mais comuns entre os
brasileiros, diz Psicóloga do Hospital Prohope, Camila de Jesus
Estudo da Organização Pan-Americana de Saúde apontou, em
2019, que o Brasil apresenta as maiores taxas de incapacidade causada
por Depressão (9,3%) e ansiedade (7,5%) do continente americano. A média
mundial de gastos com saúde mental é de 2,8% do total destinado à saúde
– percentual baixo na avaliação de organismos internacionais que tratam
do assunto.
O mês de janeiro foi escolhido como mês para
conscientização sobre saúde mental, através do projeto Janeiro Branco. A
campanha nasceu de uma mobilização de psicólogos da cidade de
Uberlândia, em 2014, com o objetivo de difundir a importância do cuidado
com a saúde mental e desmistificar os preconceitos que envolvem as
morbidades psiquiátricas e emocionais.
Os transtornos mentais mais prevalentes na população
brasileira são a depressão e ansiedade. A rotina diária comumente levada
pela maioria dos indivíduos envolve diversos fatores que podem
favorecer ao desenvolvimento dessas patologias. O estresse gerado pelas
pressões no trabalho, juntamente com a ausência de uma estruturação
psíquica para lidar com tal situação e o imediatismo cobrado pela
sociedade podem criar um campo fértil para esse desenvolvimento, é o que
defende a psicóloga do Hospital Prohope, Camila de Jesus. É comum ver
outros fatores sociais como por exemplo homofobia, racismo, machismo,
grande exposição nas redes sociais (e o julgamento desenfreado que as
pessoas praticam nesse ambiente) e outras violências como condições que
ajudam no desenvolvimento dessas morbidades.
O cuidado com a saúde mental ainda é visto com muito
preconceito por parte da sociedade e até mesmo de alguns profissionais
da área de saúde. “Até pouco tempo os tratamentos psiquiátricos eram
destinados a pessoas que possuíam comportamentos destoantes dos
denominados como padrão pela sociedade, sendo assim, existia pouco
interesse real no tratamento e/ou recuperação dos sujeitos que realmente
eram adoecidos. Após a Reforma psiquiátrica brasileira iniciada na
década de 1970, pudemos notar avanços consideráveis no que se refere ao
tratamento das morbidades psíquicas, incluindo humanização e entendendo
que o diagnóstico psiquiátrico não necessariamente invalida o sujeito”,
diz a psicóloga.
As questões da saúde mental afetam a vida do sujeito como um todo –
desde a sua relação consigo mesmo, até seu desenvolvimento no trabalho,
nas relações afetivas e familiares. Isso porque a pessoa pode ficar mais
afastada, mais retraída diante da ausência de suporte da sua rede de
amigos e familiares e até mesmo com receio de partilhar sobre o seu
diagnóstico com medo do preconceito. A depender do diagnóstico recebido,
a repercussão pode chegar até mesmo na produtividade do sujeito na sua
atividade laboral, podendo interferir na sua autoestima e no modo como
ele vê a vida.
A soma de diversos fatores e ocorrências na vida de uma pessoa pode
ser determinante no desenvolvimento de problemas de saúde mental,
alerta Camila: “Por entender o ser humano como um ser multifatorial, ou
seja, possui muitos âmbitos na sua vida (seja social, emocional,
espiritual, biológico), compreendemos que para que o sujeito desenvolva
alguma psicopatologia se faz necessário o somatório de diversos fatores,
como por exemplo, histórico familiar (aspecto hereditário) juntamente
com evento traumático (aspecto social) e um tipo de personalidade
específica (aspecto emocional). Pelo fato dos adoecimentos ligados a
saúde mental não terem um único determinante, se faz necessário um
cuidado amplo do sujeito, que busque manter tais fatores equilibrados”
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