A história real de uma estudante hostilizada e perseguida pelo simples fato de ser conservadora. Coluna de Paulo Briguet, via Folha de Londrina:
Imagine que você é pai ou mãe de uma jovem que acabou de passar no
vestibular. Imagine a alegria da família; os sorrisos e abraços de
felicitação; a sensação de triunfo; a expectativa para o primeiro dia de
aula. Imagine que se trata de uma universidade pública. Imagine que a
sua filha, depois de anos de estudos e esforços, foi aprovada em um dos
cursos mais concorridos da instituição — o de Medicina Veterinária, por
exemplo.
Imagine agora que você notou sinais de preocupação e angústia no rosto de sua filha.
— O que aconteceu, minha filha? Você parece incomodada com alguma coisa...
Imagine que então, após alguma insistência, ela resolve contar a você o que está acontecendo.
— Mãe, vou abrir o jogo com você. O problema é o seguinte. Logo assim
que saiu o resultado do vestibular, alguns veteranos do curso
procuraram o meu perfil no Facebook.
— E qual é o problema nisso, minha filha? Certamente eles querem te conhecer melhor.
— O problema é exatamente esse, mãe. Eles não gostaram do que viram.
— Como assim?
— Descobriram que eu sou de direita, que eu sou cristã, que eu votei no Bolsonaro.
— É o que é que tem? Eu também sou tudo isso.
— O problema, pelo que entendi, é que na universidade está proibido ser de direita.
— Mas 80% dos eleitores da nossa cidade votaram no Bolsonaro... Eles acham que todo mundo é criminoso?
— Sim, eles acham. Alguns estudantes, quando descobriram minhas
opiniões, começaram a me detonar nas redes sociais. Me chamaram de
bolsominion, de fascista, de racista, de homofóbica, de miliciana.
Disseram que eu não vou ter paz na faculdade. Um deles escreveu: “Se
você algum dia tiver a coragem de ir a uma festa, nós vamos te
atormentar até você ir embora. Teu lugar não é aqui, filhote do Bozo!”
— Vamos denunciar isso ao reitor!
— Eles dizem que o reitor não vai fazer nada.
— Filha, você pode me mostrar o que eles andaram escrevendo?
— Melhor não, mãe. Não quero que você fique nervosa. Aliás, eu já
apaguei o meu perfil. Não quero ser hostilizada assim. Posso te
confessar uma coisa, mãe? Eu estava pensando em desistir.
— Como assim, desistir?! Depois de tanto esforço, de tanto
sacrifício? Depois de trabalhar a vida inteira, ver o sonho da minha
filha destruído por um bando de estúpidos? Isso, não! Jamais!
— Pois é, mãe. Eu pensei bastante — e desisti de desistir. Fui
procurada por um pessoal da universidade, um grupo que defende
estudantes que enfrentam o mesmo problema. Acho que eles vão me ajudar.
— Que bom, filha. E quem são esses anjos?
— O nome do grupo é Casa da Tolerância. Eu não vou desistir, mãe. Por
você, pelo papai, por tudo que nós vivemos — aqueles caras vão ter que
me aceitar. Um dia, eles ainda vão me pedir perdão por tudo que fizeram.
E quer saber, mãe? Eu vou perdoar. Não é isso que Jesus faria?
(Sim, eu pedi para você imaginar. Mas a história acima é real.)
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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