Refugiados são a
refutação viva de todas as teses igualitaristas - socialistas na linha
de frente. A fuga de venezuelanos e cubanos não é uma fuga para a
liberdade, mas a fuga do igualitarismo, que torna todos os iguais na
miséria. A propósito, segue texto de José Azel, publicado pelo Mises Brasil:
Quando se discute o êxodo de pessoas dos regimes socialistas, como o cubano e o venezuelano, é normal descrever tais fugas como sendo uma "fuga da opressão" ou uma "busca pela liberdade".
Essas expressões são
evocativas e corretas; porém, se o objetivo é aprofundar o entendimento
das causas que estão na raiz desse processo migratório, seria mais
correto pensar nesse processo como sendo uma "fuga da igualdade".
"Fugir da igualdade" é
uma descrição provocativa que também contribui intelectualmente para
toda e qualquer discussão sobre o tema 'desigualdade'.
Individualismo e coletivismo
Ideologias
coletivistas se baseiam na ideia de que a vida de um indivíduo não
pertence ao indivíduo, mas sim à sociedade na qual ele está inserido. O
indivíduo não é reconhecido como um ser que possui direitos inalienáveis
— como o de não ter sua propriedade confiscada, sua liberdade tolhida e
sua vida retirada —, mas sim como um ser amorfo que deve abrir mão de
seus valores e interesses em nome do "bem maior" da sociedade.
O ideal socialista
identifica o coletivo como sendo a unidade central da preocupação moral.
Na visão coletivista da moralidade, os únicos direitos que um indivíduo
possui são aqueles que a sociedade autoriza que ele tenha.
Em contraposição a
isso, o libertarianismo afirma que cada indivíduo é moralmente um fim em
si próprio, e possui o direito moral de agir de acordo com seu próprio
juízo, livre da coerção estatal. Foi assim que o individualismo
impulsionou a inovação, as revoluções agrícola e industrial, e a mais
inspiradora explosão na criação de riqueza e na redução da pobreza que o mundo já vivenciou.
Não obstante seu imbatível e inigualável histórico de redução da pobreza, o individualismo — o qual representa essencialmente nossa busca pela liberdade pessoal — tem sido impiedosamente castigado por intelectuais coletivistas como sendo uma filosofia que exalta o egoísmo e que, por isso, deve ser substituída por um igualitarismo imposto pelo estado.
E, no entanto, é
exatamente dessa igualdade forçada que aqueles indivíduos estão fugindo
ao desertarem em massa de regimes coletivistas.
A liberdade é individual, e não coletiva. A liberdade não é negociável.
A prática nunca acaba
Cubanos que fogem daquela trágica ilha já vivenciaram as devastadoras consequências morais e econômicas
de políticas coletivistas que buscam modelar uma sociedade igualitária —
um experimento fracassado que buscou criar um "novo homem", o qual
teria uma visão de mundo comunal e se sacrificaria sempre em prol do
"bem comum".
Esse experimento
resultou em uma sociedade anti-utópica e economicamente falida, que tem
como principais características a miséria generalizada e um
incrivelmente repressivo sistema de controle social, gerido por um
governo com poderes ilimitados sobre seus cidadãos.
A Venezuela, infelizmente, não aprendeu nada com o experimento cubano, e foi pelo mesmo caminho. O socialismo bolivariano redistribuiu riqueza à vontade. Prometeu um salário digno, serviços de saúde gratuitos e comida abundante para todos. A "igualdade" foi imposta por meio de decretos, suplantando toda a oposição "neoliberal". Como consequência, o êxodo populacional já está estimado em 4 milhões.
Assim, sejamos bem
claros: a igualdade da qual milhões fogem é a igualdade de resultados
econômicos imposta pela elite governante. Esses milhões de pessoas
rejeitam o igualitarismo e, de certa maneira, são a refutação viva de
todas as teses e políticas que clamam por redistribuição de renda.
Os defensores da
redistribuição de renda não entendem que, quando se confisca a riqueza
de uma pessoa, estamos diretamente violando sua liberdade e seu direito
de propriedade.
Desigualdade sempre houve, e sempre haverá
Não é insensível explicar que, por definição, em qualquer sociedade livre e a qualquer período da história,
20% da população estará no quintil mais baixo da renda (os pobres) e
20% da população estará no quintil mais alto da renda (os ricos). Porém,
em uma economia de livre mercado, que está continuamente em expansão, a renda irá crescer para ambos os quintis. Sim, os ricos ficarão mais ricos, mas os pobres também enriquecerão.
Se o objetivo é melhorar as condições de vida das pessoas, dando um padrão de vida digna a todos, então a preocupação tem de ser com a pobreza, e não com a desigualdade. O objetivo tem de ser enriquecer os pobres e não empobrecer os ricos.
Igualmente importante
é o fato de que, em economias de mercado, a população de ambos os
quintis está continuamente mudando. Ao se analisar todos os históricos
de como a renda é distribuída em sociedades de mercado, observa-se um
notável grau de mobilidade de renda, com indivíduos subindo e descendo
nas escalas da distribuição de renda à medida que as circunstâncias
econômicas vão se alterando (veja ótimos exemplos aqui). Ou seja, os quintis sempre estarão preenchidos por alguém, mas nem sempre pela mesma pessoa.
Economias de mercado oferecem a oportunidade de se escapar dos quintis mais baixos. Economias de mercado oferecem a oportunidade de se escapar da igualdade (e da pobreza) forçada imposta pelo coletivismo.
Sendo assim, uma das
atrações das sociedades livres é que elas são caracterizadas por aquilo
que os sociólogos rotulam de "rodízio de elites", em que ninguém é
impedido de fazer parte da elite econômica. Em economias de mercado, as
elites econômicas estão sempre abertas a novos membros; já em sociedades
mais estatizadas, essas elites econômicas tendem a ser estáticas,
fortemente dependentes ou do poderio militar ou das ligações com os
membros do governo. Havia mobilidade social na URSS? Há mobilidade
social em Cuba ou na Coréia do Norte? Na Venezuela, a única mobilidade
social que há é da riqueza para a mendicância.
Conclusão
Há inúmeros exemplos
de indivíduos que abandonaram seu país natal — cujo mercado era
severamente restrito e tolhido pelo governo em troca de privilégios para
grupos de interesses politicamente influentes — e que, no espaço de uma
geração, conseguiram se tornar extremamente bem-sucedidos em economias
de mercado, ascendendo da pobreza para o quintil mais alto da renda. Os cubanos que moram em Miami são um grande exemplo.
Sempre que políticos e
intelectuais começarem a falar sobre redistribuição de renda, faça
apenas uma pergunta: por que as pessoas estão sempre fugindo exatamente
dessa igualdade que está tentando ser imposta?
O cientista social José Benegas
diz que escravidão é quando a renda decorrente da mão-de-obra de um
indivíduo lhe é 100% expropriada. Apropriar-se coercivamente de qualquer
fatia da renda de um indivíduo é escravidão parcial.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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