Sempre pegam Jesus pra
cristo. Que tal pegar pra cristo um orixá, Chê Guevara ou Maomé - só
para diversificar a diversidade? Notas de Valentina de Botas, via Augusto Nunes:
Não sei,
frequentemente sei o que não é. Mas, da última vez que fui à Bienal em
São Paulo, fiquei sem saber se um pequeno canteiro de obras em que
operários trocavam parte do piso era uma “instalação” ou um pequeno
canteiro de obras em que operários trocavam parte do piso. A arte
ultrapassa questões do mau e do bom gosto e à estética é inerente
transgredir a ética e a moral. Mas à arte não é permitido transgredir a
lei, e apologia à pedofilia é questão legal. Em razão de protestos, o
Santander Cultural encerrou a exposição Queer Museu, em Porto Alegre.
Figuras sensualizadas de crianças e representações em que homens
penetram animais foram interpretadas por quem protestou como apologia à
pedofilia e zoofilia, e havia também trabalhos indignos com a imagem de
Jesus Cristo.
Como mãe apreciadora
de arte “artística”, não iria a uma exposição que mostra obras com
legendas como “Criança Viada, Travesti da Balada” e cuja fruição
estética é, vejamos… nenhuma. Como cristã, preferiria que não houvesse
uma exposição dessas, mas, já que sou livre para não a visitar, que seja
livre para ir quem quiser visitá-la; e respeito a liberdade de
expressão tão pobre de artistas que só conseguem ser artistas se pegar
Jesus pra cristo. Contudo, me intriga que os promotores da diversidade –
companheiros que defendem a exposição em nome da liberdade de
expressão, mas que pretenderam censurar Monteiro Lobato – achem que é
apenas a mera e saudável diversidade misturar zoofilia, pedofilia e
Cristianismo: a primeira é o que é e a segunda antagoniza com a
civilização que tem na terceira um de seus fundamentos. E é na
civilização que a diversidade se dá. Mas a diversidade dos grupos de
esquerda+GLBT que defenderam a exposição é uma diversidade que nunca
diversifica: sempre pegam Jesus pra cristo. Virou clichê, e clichê é
tudo o que a arte não é. Que tal pegar pra cristo um orixá, Che Guevara
ou Maomé só para diversificar a diversidade?
Figura jurídica: salvar a própria pele
Rodrigo Janot
precisava atualizar Pierpaolo Bottini, o advogado de Cafajoesley, sobre o
mandado de busca e apreensão e outras amenidades. Resolveram se
encontrar num boteco pé-sujo. Dois homens ricos e poderosos que não
queriam ser vistos juntos porque o povo malda. Sempre com astúcia e
picardia, o arqueiro-parcial da república usou óculos escuros que,
sabemos, deixam o portador irreconhecível. Sujoesley ficaria na mesma
cela com Saud (que país é este?) e, 72 horas depois da prisão, a PGR
apresentaria nova proposta de delação (sério, que país é este?) a quem
mente, manipula, deforma, rouba, suborna.
O encontro foi no fim
da manhã de sábado, dia anterior à prisão de Nojoesley vazada na quarta
para ser efetivada somente no domingo, seguida de um mandado de busca e
apreensão só cumprido na segunda-feira de manhã, dando (mais) tempo
para limpar a cena do crime. Qual o problema? Era Gilmar Mendes? Era o
advogado de, sei lá, Aécio ou Temer? Janot mandou flores a Bottini ou
este a Janot? O fim da manhã foi na-calada-da-noite? Também nada de se
indignar com o fato de Marcelo Miller, o ex-procurador, ter almoçado na
casa de Joesley ainda funcionário do MPF/Janot. Gilmar estava lá? Os
comensais almoçaram na garagem do Jaburu? O almoço foi
na-calada-da-noite?
Como a resposta é
“não” para esse roteiro que atende ao “foragilmarmendismo” elevado à
categoria de pensamento que o MPF/PGR usava como biombo para vilipendiar
a lei e promover a demonização do ministro Gilmar Mendes que alertava
para tal marcha da insanidade, Fachin+Janot convida a nação em
permanente perplexidade a continuar se entretendo com o fora-temer e
elogiar a coragem de Janot para rebaixar a PGR a seus caprichos
pessoais-ideológicos e a lisura de Fachin ausente no ministro que foi
para o STF com a ajuda da JBS.
Assim, ambos
continuam simulando o “as instituições funcionando”, mandam recados para
a limpeza da cena do crime e se valem da figura jurídica que acusam nos
outros – salvar a própria pele. Já basta disso. Fachin nunca poderia
ser o juiz do caso envolvendo a JBS e Janot deveria ter se demitido há
uma semana; mas, não tendo nenhum dos dois isso aqui ó de lucidez e
vergonha, o STF precisa afastá-los imediatamente deste caso e
investigá-los para a saúde das instituições e do país.
Simbolismo
Joesley e Ricardo
Saud saíram do porre para descobrir que gravador de bêbado não tem dono e
foram para a cadeia temporária de onde chantageiam a Justiça: só
entregam outros áudios se continuarem sendo mimados pelo MPF/PGR. Talvez
nem Lula seja tão abusado na autoconfiança para escarnecer da lei. Não
deve ser à toa. Miller continua solto apesar de ter montado a delação e o
acordo de leniência ainda quando trabalhava com Janot. É que se
Janoesley – a aberração jurídica parida da cópula entre Joesley, o
MPF/PGR e Fachin – está morrendo pelas malformações congênitas, Fachin e
Janot farão tudo para evitar a autópsia, preservando janoeslyces.
Ou seja, depois de
usar recursos legais como a delação premiada (válida quando usada por
agentes públicos decentes) para burlar a própria lei e selecionar alvos,
continuam se valendo de prestidigitações legais para esconder como
engendraram a farsa que tentou derrubar o presidente da república,
proteger determinados bandidos e sedimentar um projeto
pessoal-ideológico. Se Temer tiver de ser deposto, que o seja num
processo limpo, seguindo a lei, como se fez com Dilma, cujo impeachment
só teve ilegalidades para favorecê-la (não é, Barroso e Lewandowski?).
Joesley, Janot, Miller e Fachin simbolizam a era petista: o primeiro é
símbolo da roubalheira; os outros, da desinstitucionalização, outra
forma de roubo talvez ainda mais perversa.
Chiclete e lágrimas
Detestável a
arrogância explícita do chiclete de Mônica Moura quando foi presa, mas
tenho até algum respeito por essa canalhice meio blasé, meio apavorada,
com certa altivez na ruminação neurótica. Já a canalhice de vigaristas
que choram ao serem presos, como fizeram Geddel e Joesley, tem todo o
meu desprezo. Esses maricas desmoralizam até o próprio instituto da
vigarice.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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