-As filas de espera pelo oftalmologista podem chegar a 13 meses em muitas cidades brasileiras-
A Coalizão Vozes do Advocacy solicitou a Audiência Pública Os Desafios
Assistenciais dos Pacientes de Edema Macular Diabético no SUS:
Necessidades não atendidas nos Protocolos Clínicos e Sistema de
Financiamento, no dia 11 de abril, às 9h, no Plenário 7, da Câmara dos
Deputados, em Brasília. A mediação será feita pelo Deputado Federal
Zacharias Calil.
O mês de abril é dedicado para alertar
a população sobre a Prevenção, o Combate e a Reabilitação aos diversos
tipos de cegueira. A Coalizão Vozes do Advocacy e a Retina Brasil, além
de ambas participarem da audiência pública, vão iluminar a Câmara dos
Deputados e o Senado nos dias 8 e 9 de abril, a partir das 19h, em
parceria com o Deputado Zacharias Calil e com a Senadora Mara Gabrilli.
Dados do último Atlas da Federação Internacional do Diabetes mostram que o Brasil tem 16 milhões de pessoas com a condição e cerca de metade deste público, ou seja, 8 milhões não sabem que têm este diagnóstico *.
Um estudo não muito recente, mas que na prática os dados não fogem muito da realidade brasileira é: Prevalência e Correlações do Controle Glicêmico Inadequado:
resultados de uma pesquisa nacional em 6.671 adultos com diabetes no
Brasil. Os dados mostram que o controle glicêmico inadequado foi de uma
média de 76%, sendo que 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e 73% em
indivíduos com diabetes tipo 2.
A
junção da falta do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento traz
um resultado alarmante: o gasto com saúde relacionado à condição atingiu
42,9 bilhões de dólares em 2021, no Brasil*. Em curto prazo, o mau
controle do diabetes pode levar à maior suscetibilidade da pessoa com a
condição a desenvolver complicações, entre elas a Retinopatia Diabética.
O
estudo “As Condições de Saúde Ocular no Brasil”, publicado em 2019 pelo
Conselho Brasileiro de Oftalmologia, ressalta que a retinopatia
diabética é responsável por 4,8% dos 37 milhões de casos de cegueira
devido a doenças oculares, o que equivale a 1,8 milhão de pessoas.
No
Brasil, segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes
(2019-2020), a retinopatia afeta 4 milhões de pessoas, correspondendo de
35% a 40% dos indivíduos com a condição. A melhor forma de evitar a
retinopatia diabética ou diagnosticá-la precocemente é controlar a
glicemia adequadamente, visitar o oftalmologista com a descoberta do
diagnóstico do diabetes e ter um acompanhamento anual com este
profissional. Se houver alguma alteração da visão, é necessário
visitá-lo o mais rapidamente possível.
”
Nós pedimos as informações via Lei de Acesso à Informação sobre as
dificuldades de acesso ao tratamento oftalmológico em São Paulo. Por
exemplo, em Presidente Prudente, há 18.823 pessoas esperando a primeira
consulta do oftalmologista, o que leva a uma espera de 13 meses. Em Rio
Preto, há uma demanda reprimida no sistema para consultas na
especialidade de oftalmologia de 35.528 pacientes com tempo médio
aproximado de espera de 272 dias. Em Araçatuba, há 17.963 pessoas que aguardam as consultas com oftalmologistas” relata Vanessa Pirolo, coordenadora da Coalizão Vozes do Advocacy em Diabetes e Obesidade.
“Como
desdobramento desta fila, temos conhecimento de que várias pessoas com
diabetes se encontram com estágio bem avançado da complicação, em que o
oftalmologista não consegue reverter a perda de visão com qualquer
tratamento disponível no SUS. Sabemos que se todas as pessoas com
diabetes visitassem este especialista uma vez ao ano, preventivamente,
haveria uma diminuição do gasto no SUS”, complementa Vanessa.
A
Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados convocou: Vanessa Pirolo,
coordenadora da Coalizão; Maria Julia Araújo, diretora Da Retina Brasil;
Dr. Arnaldo Bordon, presidente da Sociedade Brasileira de Retina E
Vitreo; Dr. Ruy Lyra, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes;
Mauro Junqueira, secretário executivo do Conasems; Roney Pereira,
representante da Secretaria de Saúde de Goiás, para participarem da
audiência.
A
intenção é que os participantes discutam soluções para melhorar ao
acesso ao diagnóstico e ao tratamento da retinopatia diabética. Ao mesmo
tempo, com a iluminação das fachadas de ambas instituições, a proposta é
que os senadores e deputados se tornem mais sensíveis à causa para que
trabalhem políticas públicas, que ajudem a melhorar o acesso ao
tratamento. A audiência será transmitida pelo canal: https://www.youtube.com/watch?v=J0v55THJYc4.
Referência:
*Federação Internacional de Diabetes: https://diabetesatlas.org/
Sobre a Coalizão Vozes do Advocacy em Diabetes e em Obesidade
Com
a participação de 24 associações e de 2 institutos de diabetes, o
projeto promove o diálogo entre os diferentes atores da sociedade, para
que compartilhem conhecimento e experiências, com o intuito de
sensibilizar a sociedade sobre a importância do diagnóstico e tratamento
precoces do diabetes da obesidade e das complicações de ambas, além de
promover políticas públicas, que auxiliem o tratamento adequado destas
condições no país.
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