No teste da vida real, Israel e Reino Unido, os países com calendário mais adiantado, estão colhendo os resultados positivos da vacinação. Vilma Gryzinski:
Já
sabíamos pelos resultados dos testes feitos com milhares de
voluntários, mas ter a comprovação do funcionamento em larga escala das
vacinas contra a Covid-19 traz um grande alento para o mundo inteiro.
Os
números anunciados em Israel e no Reino Unido são simplesmente
grandiosos e precedem a reabertura de atividades paralisadas durante a
pandemia, nem sempre tão tranquila ou rápida como se desejaria, mas
mesmo assim inspiradoras.
“A
vacina reduz dramaticamente a doença grave e a morte e isso pode ser
visto em nossas estatísticas de morbidade”, segundo as palavras do
diretor-geral do Ministério da Saúde de Israel, Chezy Levy.
Dramaticamente
não é um exagero. Uma única dose da vacina da Pfizer dá uma cobertura
de 85%. Quando é administrada a dose de reforço, a eficácia é
praticamente plena: previne a versão grave da doença em 99,2% dos casos.
A prevenção de morte é na casa de 98,9%.
Uma vitória épica contra a doença.
Os
números são baseados nas pessoas que receberam as duas doses 14 dias
depois da segunda imunização, comparadas às não vacinadas.
“Podemos
garantir claramente: a vacina previne a forma grave da doença nas
pessoas acima de 70 anos”, disse Ran Balicer, epidemiologista que
coordena o programa de planejamento do maior plano de saúde dos quatro
existentes em Israel.
Mais uma notícia boa.
“Pela
primeira vez, comparamos o grupo de vacinados com um grupo de controle
com características similares para ver se a vacina funciona conforme o
manual”, disse Balicer.
Já
foram vacinadas, com as duas doses, 4,2 milhões de pessoas em Israel.
Com a primeira dose, são mais de 2,8 milhões, numa população de nove
milhões. Os vacinadores estão “caçando” candidatos inclusive jovens que
frequentam casas noturnas e pessoas que vão à praia e podem aproveitar
para levar a picada salvadora.
O
“passe verde” que dá aos vacinados acesso a academias, hotéis, cinemas e
museus pré-estreou ontem – com sistemas caídos -, mas esboça uma imagem
do futuro muito próximo: algo bastante parecido com uma vida normal,
embora várias precauções continuem a ser necessárias.
Uma
delas: toque de recolher na quinta-feira, para evitar festas e
aglomerações no Purim, feriado religioso que virou uma espécie de
carnaval judaico.
Quando a próxima eleição chegar, em 23 de março, os mecanismos de reabertura deverão estar funcionando na totalidade.
A
esperança de normalização – mesmo em ritmo mais lento e com as
restrições inevitáveis – também é grande no Reino Unido. Boris Johnson
anuncia hoje um cronograma previsivelmente cauteloso, pois o país está
escaldado, mas muito melhor do que as previsões catastrofistas
antecipavam.
Depois
de muito sofrimento, o número de novos casos caiu para menos de 10 mil
por dia. O de mortes chegou a 215, o mais baixo desde meados de
dezembro. Em 20 de janeiro, tinha batido no triste recorde de 1 820.
Ao
todo, 17,5 milhões de britânicos já receberam a primeira dose da vacina
– um terço da população acima de 16 anos. O país europeu que chega mais
perto disso, em números absolutos, é a Alemanha, com 4,7 milhões de
vacinados até agora.
Previsão oficial: todos os adultos do Reino Unido estarão vacinados até o fim de julho.
O
cronograma foi antecipado de setembro para julho por que os órgãos
responsáveis foram rápidos em aprovar e conseguir as vacinas necessárias
– ou até mais do que isso – e gerenciar os recursos necessários para
administrá-las.
A
população entrou com o braço. Embora o movimento antivacina tenha
ressurgido na Inglaterra, com o médico que associou a vacina tríplice ao
autismo, os britânicos estão entre os europeus menos arredios à
imunização, com quase 71% da população predisposta a aceitá-la (contra
59% na França), segundo uma pesquisa feita em dezembro.
À
medida em que a eficácia das vacinas contra a Covid-19 vai se
comprovando na prática, desaparece o assunto efeitos colaterais (fora
alguns relatos de nocebo, o oposto do efeito placebo, em algumas áreas
da Alemanha), diminuem as resistências.
E aumenta a esperança de que o que era impossível há apenas alguns meses dobre-se ao poder da persistência humana.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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