Foto: Alan Santos/PR
Presidente Jair Bolsonaro chega para a solenidade de lançamento do projeto Juntos pelo Araguaia
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 5, que,
se dependesse apenas de uma decisão sua, teria elevado de 20 para 60
pontos o limite para suspensão da Carteira Nacional de Habilitação
(CNH). Na terça-feira, 5, Bolsonaro entregou pessoalmente à Câmara dos
Deputados um projeto de lei que muda o Código de Trânsito Brasileiro. A
proposta amplia de 20 para 40 pontos o limite para suspensão da CNH e
elimina exames toxicológicos para motoristas profissionais. As duas
medidas eram promessas feitas por Bolsonaro a caminhoneiros ainda
durante a campanha. Segundo especialistas, a ampliação do limite de
pontos traz risco de elevar o número de acidentes e mortes no trânsito.
Para que as mudanças entrem em vigor, o projeto precisará ser discutido
no âmbito das comissões e, depois de aprovado, apreciado pelo plenário
da Câmara e do Senado. De acordo com o presidente, a proposta parece
simples, mas tem “profundo alcance”. “Fui lá na Câmara dos Deputados,
falei com o presidente Rodrigo Maia, o nosso aliado em vários projetos,
apresentar um projeto para fazer com que a Carteira Nacional de
Habilitação passe sua validade de cinco para 10 anos. Para o
caminhoneiro que transporta aqui o que o Centro-Oeste produz não perca
sua carteira com vinte pontos, e sim com 40 pontos. Por mim, eu botaria
60 (pontos). Porque, afinal de contas, a indústria da multa vai deixar
de existir no Brasil, como em Goiás”, disse Bolsonaro. A proposta
entregue nesta terça-feira por Bolsonaro também acaba com a multa para
quem não usa cadeirinhas para crianças. O presidente afirmou que a
infração continua valendo e que apenas a cobrança da multa deixará de
existir. “Quero ver se vão continuar multando. Lá no Rio de Janeiro o
que é comum: O pessoal faz plantão em cima de escola onde o pai paga R$ 3
mil, R$ 4 mil de mensalidade. Escola pobre não tem multa. Então é um
negócio direcionado para tirar dinheiro do povo. Continua punição na
carteira, pontuação. Tiramos o dinheiro fora”. O presidente informou
ainda que acertou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a
contratação de 1 mil servidores para a Polícia Rodoviária Federal e
voltou a dizer que irá extinguir os radares móveis. “Hoje em dia tem
pardal escondido para tudo o que é lugar, além dos móveis, o
trabalhador, o motorista de ônibus, táxi ou caminhão, não perde a
carteira (de motorista), perde a carteira de trabalho”, disse. Das
crianças que morrem hoje no trânsito brasileiro, 40% estavam na condição
de ocupantes de veículos, sendo hoje a principal forma de óbito desse
público no País. Atropelamentos vêm na segunda colocação, representando
32% do total de mortes. Números de 2017 do Datasus, plataforma de dados
do Ministério da Saúde, mostram que do total de 697 crianças até nove
anos que morreram por acidentes de trânsito no Brasil, 279 estavam
dentro de veículos (automóvel, triciclo motorizado, caminhonete, veículo
de transporte pesado e ônibus). O projeto de lei, que altera pontos no
CTB, prevê que motoristas flagrados sem a cadeirinha para crianças nos
bancos traseiros deixem de ser multados. Eles passarão a receber somente
advertência.
Estadão Conteúdo
Nenhum comentário:
Postar um comentário