
Charge do Henrique (Tribuna da Imprensa)
Chico Burque contou até vinte e deu uma página virada para o país, nesta fase de folhetim conservador, e foi para Paris. Ele pode, e eu também queria dar uma pausa na cidade luz, mas lá tem os coletes amarelos e Marie Le Pen, as catedrais estão pegando fogo, assim como o presidente francês.
Pensei em Roma ou Florença, porém desisti ao saber que um discípulo conservador de Berlusconi faz das suas por lá, como aqui em Pindorama.
MEIA VOLTA – Então, vislumbrando as catedrais dos tempos otomanos e a eterna Istambul, me veio à mente a Turquia. Logo dei meia volta volver, ao saber da truculência do Erdogan, os atentados em Ancara e a prisão em massa dos opositores do presidente.
Meus olhos brilharam, com a possibilidade de voar para o Egito e conhecer outras múmias e as pirâmides, já que as múmias do Museu Nacional queimaram no incêndio, entretanto, enfiei a cabeça nas areias da Barra, quando lembrei do general Sisi, que deu um golpe de Estado no muçulmano Mursi, eleito pelo Partido da Irmandade Mulçumana, que acabou de falecer na prisão. Desisti também, com medo de apodrecer nas prisões do Cairo ou afogado no leito do rio Nilo.
NEM PENSAR… – Uma visita as colinas de Golan, que eram da Síria e há décadas estão sob o domínio de Israel, nem pensar, não é? Um tour pela estrada para Damasco e a cidade histórica de Palmira seria um passaporte para o inferno de Dante, sem chance.
Acordei do sonho e desejei felicidades para o poeta da pós-bossa nova, nessa nova ida para a cidade dos jacobinos e da Revolução Francesa, para escrever seu novo livro e quem sabe, depois voltar para a terrinha, que aqui precisamos muito dele.
Pensando bem, o quente do Borogodó é aqui mesmo, com as balas pedidas, arrastões, prédios desabando, enchentes, incêndios, fuzis e drones matando. Para quem gosta de emoções fortes, o Brasil é um prato cheio, nem precisa dos perigos ao redor do mundo, que não são poucos.
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