Temer foi alertado sobre paralisação geral a sete dias da greve
bocão news
25 de Maio de 2018 às 22:59 Por: Reprodução Por: Folhapress
Uma
das principais entidades representativas dos caminhoneiros enviou
reivindicações e alertou o presidente Michel Temer sobre a iminência de
uma greve de grandes proporções a sete dias do início dos bloqueios em
estradas.
Num ofício enviado ao presidente em 14 de maio, a Abcam
(Associação Brasileira dos Caminhoneiros) avisou que, caso a categoria
não tivesse o apoio do governo federal na redução de tributos e na
mudança da política de reajustes da Petrobras, "uma paralisação geral"
seria "inevitável".
"Imagine o Brasil ficar sem transporte por uma
semana ou mais? Seria terrível para todos, mas parece que só dessa
forma vocês vão voltar seus olhares para as nossas necessidades e
reivindicações", diz o documento, assinado pelo presidente da entidade,
José da Fonseca Lopes.
Ele não assinou o acordo proposto pelo
governo na última quinta (24), dia em que a crise do diesel atingiu seu
ápice e o Planalto, finalmente, cedeu, em parte, à categoria. "Isso não é
uma ameaça, e sim um pensamento que aflora a cada momento na cabeça de
cada transportador autônomo", escreveu Lopes na carta a Temer.
O
ofício tem o protocolo da Presidência da República, mostrando que a
entrega foi feita naquele mesmo 14 de maio, às 10h03. Procurado
pela reportagem nesta sexta (25), o Planalto ainda não informou que
providências tomou a partir do recebimento.
Foi a segunda
tentativa da associação de emplacar sua pauta. Em 5 de maio,
representantes da entidade se reuniram na Casa Civil com a
subchefe substituta da Subchefia de Articulação e Monitoramento, Viviane
Esse; o subchefe adjunto de Política Econômica da Subchefia de
Articulação e Monitoramento, Pedro Florêncio, e o subchefe adjunto de
Infraestrutura da Subchefia de Articulação e Monitoramento, Demerval
Junior. Deixaram o encontro insatisfeitos.
Na ocasião, Lopes
afirmou ser inaceitável o argumento do governo de que o aumento do
diesel serve para manter o cumprimento da meta fiscal. "A gente sugeriu
que a tributação seja feita, por exemplo, na renda fixa, já que esta não
contribui para a recuperação da economia", declarou, segundo comunicado
divulgado pela Abcam.
A carta a Temer teve um tom duro, culpando não só as medidas econômicas, mas a corrupção, pelas dificuldades dos caminhoneiros.
"Já
não suportamos a falta de conduta ética do governo federal, corrupção
ativa e passiva, desleixos, prevaricações, improbidades administrativas e
muitos outros procedimentos vergonhosos que o governo vem praticando
sem se preocupar com as consequências", criticou Lopes.
Ele classificou a matriz econômica de Temer de "famigerada e louca", e a culpou por jogar o Brasil num "buraco".
"Somos
reféns de um governo que vive uma gastança sem fim, desperdícios,
endividamentos, ralos bilionários de corrupção e regulações insanas, seu
intervencionismo atrasado, sua aversão ao transporte brasileiro, sua
incompetência criminosa e sua fome insaciável por poder", protestou.
A
associação requereu a redução da carga tributária sobre o diesel a zero
e a isenção da Cide. Também pediu a criação de um fundo de amparo ao
transportador autônomo e a criação de um sistema de subsídio para a
compra do diesel.
O desabafo de seis páginas termina com um pedido
de apoio imediato do governo, sob risco de uma revolta. "Mostraremos
que nós, cidadãos, temos, sim, direito de escolha."
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