Em revista oficial do Exército, militares vão pra cima do STF
02/04/2019 às 09:28 JORNAL DA CIDADE ONLINE
A
“Revista do Clube Militar” dedicou esta semana diversas páginas ao
Supremo Tribunal Federal (STF) e um texto assinado pelo General de
Divisão Eduardo José Barbosa, Presidente do Clube Militar, intitulado
“Ditadura da Toga”, onde o militar faz graves considerações a respeito
das últimas decisões do tribunal.
Na capa da revista, a frase: "O que deseja o STF?" Soa como um aviso.
Leia o texto na íntegra e tire suas próprias conclusões:
Ditadura da Toga?
O
Supremo Tribunal Federal decidiu, por 6 votos a 5, que processos
envolvendo crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, que estiverem
associados á prática de caixa dois, devem ser enviados à Justiça
Eleitoral.
Um dos Ministros vencidos no
julgamento foi taxativo: "E difícil de entender. E é difícil de explicar
para a sociedade por que estamos mudando uma coisa que está funcionando
bem para o pais."...
Não adiantou!
No
que diz respeito, ainda, aos votos favoráveis à nova sistemática, fica
evidente uma ofensiva contra a Operação Lava Jato, deixando a suspeição
de haver uma disputa pelo poder no âmbito do próprio Poder Judiciário ou
uma tentativa de "favorecer a defesa de corruptos", ou mesmo, as duas
coisas!
Outro ponto a ser considerado é o de que numa votação
terminada em 6 X 5, no STF, fica nítida a incerteza do Tribunal quanto à
legislação em vigor, deixando claro que a solução do impasse recai
sobre o Legislativo, afetando diretamente o principio da segurança
jurídica.
É sabido que a Justiça Eleitoral não tem estrutura para
apurar e julgar seus crimes. Os juízes "eleitorais" estão, pode-se
dizer, "en passant", pois atuam só nos períodos de eleição.
A
Justiça Eleitoral não teria, em tese, como dar continuidade às operações
que a Lava Jato iniciou no combate à corrupção, ainda que somente
restritas ao "caixa 2" de crimes eleitorais. O pacote de medidas
elaborado pelo Ministro da Justiça e já entregue ao Congresso contém uma
proposta no sentido de direcionar esses crimes para a justiça comum.
Caso essas medidas sejam aprovadas, a decisão do STF poderá trazer mais incerteza à Nação.
Ainda
durante esse julgamento, o presidente do STF determinou a abertura de
um inquérito, sem objeto determinado, para apurar contestação, ofensa,
crítica ou ameaça contra os ministros e seus familiares. Por que não se
pode criticar ou contestar? Em atitude presunçosa, arrogante e, mesmo,
raivosa, esta decisão abre brechas para abafar o direito constitucional
de manifestação de todo brasileiro e da própria imprensa.
Ofensas,
ou ameaças contra qualquer cidadão já são tipificadas como crime. Como
fica a liberdade constitucional de expressão, defendida e alardeada,
que, entretanto, só é admitida para falar positivamente? Somente nas
Ditaduras isso acontece...
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