Territorialmente, cidade do Vale do Ribeira é a quarta maior do estado.
Caverna do Diabo e Cachoeira do 'Meu Deus' são grandes atrações.
Entrada da cidade de Eldorado Paulista, no interior de São Paulo (Foto: Mariane Rossi/G1)
Morador, professor e guia turístico Lelis Ribeiro,em Eldorado, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)
Além delas, as comunidades rurais também começaram a surgir nesta época por causa das fazendas. Por causa da zona rural, Eldorado é considerado o 4º maior município em área do estado de São Paulo, com 1712 km² de área, sendo que 70% é coberta por Mata Atlântica em bom estado de conservação. “Atualmente nós temos mais de 60 bairros rurais e três distritos, Barra do Braço, Batatal e Itapeúna”, explica o guia.
Um dos bairros rurais de Eldorado, SP(Foto: Mariane Rossi/G1)
A emancipação de Xiririca veio em 10 de março de 1842, já que antes o povoado fazia parte de Iguape. Porém, a população não gostava do nome da cidade e, quase um século depois, ela passou a ser chamada de Eldorado Paulista. “A população não gostava do nome da cidade, achavam muito esquisito. Os jovens que saíam daqui para estudar em outras cidades eram motivo de sarro. Chegou uma época que a população quis mudar o nome e foram sugeridos vários nomes. Eldorado foi proposto por um deputado, pelo significado da palavra, que na verdade vem da palavra espanhola 'El Dorado'. O nome faz uma referência a uma terra no México, na qual existiria uma cidade toda tomada por ouro. "Ele quis fazer uma referência, porque teve um ciclo de ouro aqui. Foram quase 200 anos de exploração”, explica Ribeiro. Segundo os moradores, não houve um plebiscito e nenhum tipo de votação popular. O nome Eldorado Paulista foi oficializado e a população aprovou.
Cachoeira de Meu Deus, em Eldorado, SP(Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)
A história de Eldorado nasceu das belezas naturais que a terra trouxe para o homem e que contribuíram para que o município fosse reconhecido como Estância Turística em 1º de agosto de 1995. Outras belezas, porém, foram descobertas ao poucos, como é o caso da Caverna do Diabo. Em 1896, o pesquisador e naturalista Ricardo Krone, em expedição pelo Alto Vale do Ribeira, descobriu diversas cavernas. A Gruta da Tapagem que, posteriomente ficou conhecida como “Caverna do Diabo”, é um grande destaque na região. “Temos catalogadas cerca de 40 cavernas, mas a maioria delas não está aberta para visitação. A maioria delas estão em fase de estudos e pesquisas e a gente já conseguiu conhecer. Elas são pequenas e muito frágeis. A visitação acaba destruindo muito facilmente as cavernas. A gente acha que não compensa. Não vale a pena você colocar em risco o patrimônio espeliológico. Até porque a gente ainda não estudou a fauna. Existem animais que vivem só ali, são endêmicos daquele local. Se não tiver impacto vamos abrir. Caso contrário elas não serão abertas”, garante o guia.
Apenas a Caverna do Diabo é aberta para visitação em Eldorado. Ela é uma Unidade de Conservação Estadual. O lugar conta com duas aberturas e mais de 6 km de extensão, mas apenas 600 metros abertos à visitação. A temperatura ambiente sempre fica entre 18 ou 19 graus não importa a época do ano. O visitante deve entrar no local com calçados fechados e acompanhado de um guia. “Nos anos 60, as pessoas tinham medo porque o local era escuro e atribuíam isso ao diabo”, lembra o guia. Além disso, o nome vem de uma figura desenhada na caverna que parece um diabo.
Em contrapartida, a cachoeira de Meu Deus foi descoberta recentemente. Ribeiro e outro colega, ambos que trabalhavam na Secretaria de Turismo de Eldorado, foram informados por meio de moradores de um quilombo que havia uma linda cachoeira próxima a Caverna do Diabo. “Quando chegamos lá foi uma sensação maluca. A gente não esperava aquele tipo de paisagem. Nós mesmo que demos esse nome. Nós caímos de joelhos e ficamos quase meia hora sentados admirando ela”, conta ele. No meio da conversa em frente à cachoeira, eles resolveram a chamar de Meu Deus. Como ninguém conhecia e eles seriam os primeiros a estarem divulgando o lugar, eles queriam escolher um nome que sofresse um contraponto com a Caverna do Diabo.
A Queda de Meu Deus é o ponto culminante da Trilha das Ostras, que passa também, pelo menos, por outras nove cachoeiras. A Cachoeira de Meu Deus tem uma queda 53 metros e atravessa 4 km no interior da Caverna do Diabo.
Centro da cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)
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