Jaguaribara foi inundada há 11 anos para dar lugar a reservatório.
Antigos postes, um monumento histórico e caixas d'água reapareceram.
Postes de energia elétrica não foram retirados antes da inundação e ressurgiram (Foto: Gabriela Alves/G1)
Para conhecer ou reconhecer a antiga Jaguaribara, é preciso navegar 30 minutos pelo Castanhão. Os primeiros sinais da cidade são as fileiras de postes reveladas no meio das águas. Mesmo sem nunca ter andado pela velha Jaguaribara, o guia de pesca Gil Magalhães, 28 anos, conta que os postes de alta tensão um ao lado do outro estão onde era uma das principais avenidas da cidade.
O
monumento a Tristão Gonçalves onde o revolucionário da Confederação do
Equador morreu estava embaixo d'água e aparece acima em dois momentos:
antes da inundação e atualmente (Foto: Gabriela Alves/G1).
O guia Gil conduz o barco entre os vestígiosda velha Jaguaribara (Foto: Gabriela Alves/G1)
No caminho dos postes, é possível encontrar uma das principais obras da antiga Jaguaribara. A caixa d'água localizada em um dos pontos mais altos da cidade está totalmente visível. Antes de ser submersa, a edificação foi derrubada. Ao lado das ruínas da caixa d'água, são encontrados tijolos e pias, restos das casas que formavam a Vila de São Vicente. Quem se mudou também deixou para trás objetos pessoais como calçados e frascos de perfume.
Para Mathusalém Peixoto Maia, 61 anos, um dos moradores da antiga Jaguaribara, o nível baixo das águas do Castanhão trouxe uma das principais lembranças da vida dele e uma parte importante da história do Brasil. A antiga Jaguaribara ainda guarda um monumento erguido em homenagem ao centenário de morte do revolucionário Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, que liderou a Confederação do Equador.
Mathusalém exibe foto de monumento da épocaem que cidade existia (Foto: Gabriela Alves/G1)
Mudanças
Gil e Mathusalém agora são moradores da nova Jaguaribara, primeira cidade totalmente projetada do Ceará. Para o ex-morador de Jaguaribara, na nova “tudo é diferente” e, para o que conheceu a antiga apenas sob as águas, a mudança trouxe modernidade.
Segundo o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população atual da cidade é de 10.399 habitantes em um local preparado para 70 mil. “Quando fizeram a nova (Jaguaribara), ficaram assustados. Deu muito trabalho para o pessoal sair. Ninguém também esperava que o açude encheria tão rápido por causa das chuvas. Era gente sendo tirada de helicóptero das casas na zona rural. Não tiveram tempo nem de retirar os postes de alta tensão”, lembra Mathusalém.
Mesmo com uma Jaguaribara mais estruturada e sem problemas de lotação pela desproporção do número real de habitantes para o projetado – o que faz lembrar, às vezes, uma cidade-fantasma -, o funcionário público Jeso Carneiro de Freitas, de 50 anos, preferia voltar no tempo. “A vontade é de voltar para morar lá (antiga Jaguaribara). Eu nasci lá, eu me criei e vivi tudo lá. Vontade de tentar viver naquele lugar em que a gente sempre teve tanto empenho”.
Jeso Carneiro diz ter saudade do lugaronde nasceu (Foto: Gabriela Alves/G1)
A Igreja de Santa Rosa de Lima, maior recordação da antiga Jaguaribara para Jeso, não reapareceu com o nível baixo do açude Castanhão. “Para mim, ela se tornou símbolo da nossa mudança”, diz. O lugar foi um dos demolidos, mas ganhou uma réplica na nova cidade. Na mudança de uma cidade para outra, a santa padroeira também foi levada e está na frente da nova igreja.
Para os moradores da antiga Jaguaribara, o ressurgimento da cidade se torna mais triste por ser um sinal da seca. “No meio de tudo isso, a tristeza ainda mais profunda porque a seca para nós é muito prejudicial”, lamenta Mathusalém. A antiga Jaguaribara vivia da agropecuária, a atual tem como base da economia a piscicultura. Apesar da baixa do Castanhão, a Cogerh afirma que se não chover nenhuma gota até janeiro de 2015, o Castanhão vai conseguir suprir a demanda do agronegócio no perímetro do Jaguaribe e transportar água para a Região Metropolitana de Fortaleza.
No
sentido horário, a rua da caixa d'água antes da inundação e as ruínas
do antigo reservatório; a igreja que desapareceu sob as águas e a
réplica do mesmo templo na nova cidade (Foto: Reprodução)
Seria possível me passar o contato da Gabriela Alves para que eu possa comprar uma dessas fotos para ilustrar capa de uma revista que edito aqui no Rio?
ResponderExcluirAgradeço a ajuda
Romildo Guerrante