Por Guilherme Seto | Folhapress
Após
sucessivas derrotas em votações na Câmara dos Deputados, parlamentares
do PT têm debatido a necessidade de construir uma base de apoio própria,
na tentativa de depender menos da capacidade de articulação de Arthur
Lira (PP-AL), presidente da Casa.
Uma das ideias discutidas é a de tentar atrair parlamentares de
siglas como União Brasil, PP, PL e Republicanos, afastando-se assim do
presidente da Casa e formando uma base mais confiável para votações.
Petistas dizem que Lira estimulou a gestão Lula (PT) a adotar essa
estratégia ao dizer, após a votação da Medida Provisória dos
Ministérios, que o governo teria que "andar com as próprias pernas".
Uma ala do PT diz que os fracassos mostram que não funcionou a
estratégia de terceirizar para Lira a articulação política do governo.
Por isso, afirmam, seria importante formar um grupo próprio ou até mesmo
um bloco governista.
Há resistências internas, no entanto. "Isso seria o enterro do
governo", diz Carlos Zarattini (PT-SP), sobre a ideia de montar um
bloco. Para o deputado, a estratégia correta seria ouvir os deputados
que atualmente compõem os partidos aliados, identificar os problemas e
resolvê-los. "Tem falar com cada um deles e cuidar da base".
Parlamentares apontam para a necessidade de cuidado para que a busca
por mais autonomia em relação a Lira não transforme o presidente da
Câmara em opositor, relembrando o trauma da ruptura entre Dilma Rousseff
(PT) e Eduardo Cunha em 2015 que abriu caminho para o impeachment da
presidente no ano seguinte.
Lira também está acuado após a operação da Polícia Federal que teve como alvo um aliado seu, nesta quinta-feira (1). Segundo aliados, sua irritação pode levá-lo a uma ruptura com o Executivo.

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