
O caso aqui talvez vire algum episódio de seriado policial de canal de streaming, se é que já não existe nada assim. É o caso do policial Mathew Bianchi, do NYPD, a famosa polícia de Nova Iorque.
Bianchi decidiu bater de frente contra o sistema de cartões de cortesia do NYPD, uma cultura ilegal que ele alega estar arraigada na corporação que patrulha as ruas da Big Apple.
Esses cartões são dados internamente aos policiais da corporação, porém, não para uso deles e sim de parentes e amigos. Quando um guarda para um motorista infrator em Nova Iorque e ele apresenta (ou não) o tal cartão, a multa não é lavrada pelo agente de segurança.
O esquema dentro do NYPD protege de multas os parentes e amigos de todos os policiais, não importando a patente ou cargo dentro da corporação. Mathew, por anos, fez o que a cartilha interna da polícia novaiorquina mandava, porém, uma hora o copo transbordou…
Bianchi decidiu multar os infratores reincidentes, ignorando as regras internas (e ilegais) da corporação, gerando assim inimizades e várias ameaças de colegas de patrulha e até mesmo do chefe do departamento de polícia de Nova Iorque, Jeffrey Maddrey.

Mas, a coisa não parou aí, pois, os cinco sindicatos de policiais da cidade e mais os supervisores de distrito, passaram a ameaçá-lo, com Maddrey chegando a transferi-lo para a patrulha noturna como punição.
Numa cidade com milhares de policiais, muitos deles corruptos, como evidenciado pelo caso do escândalo do Bronx, onde 16 foram julgados por receberem propinas e presentes, além de outros 500 investigados por desfazerem multas, Bianchi tem uma coragem invejável.
Ele entrou com uma ação no Tribunal Federal de Manhattan e agora luta contra o sistema na metrópole americana, onde até os delegados da Associação Beneficente da Polícia estariam envolvidos nos esquemas de cartões e nas ameaças. Aliás, mesmo policiais aposentados têm direito aos cartões de cortesia.
Mathew Bianchi diz ter recebido diversas ameaças de colegas, chefes e até de parentes e amigos de policiais, inclusive da polícia estadual. Pode-se dizer que ele é o policial mais ameaçado de Nova Iorque e, talvez, de todos os Estados Unidos.
Mesmo assim, Bianchi não desiste da denúncia contra a corporação: “Não sou o primeiro e não serei o último.” O caso está sendo investigado e nenhum dos acusados e nem a corporação ou entidades ligadas a ela, se posicionaram sobre o caso ou sobre os cartões.
[Fonte: NY Daily News]
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