BLOG ORLANDO TAMBOSI
É hora de unirmos o Congresso, mercado, sociedade civil e governadores. Luiz Felipe D'Ávila para o Estadão:
“O
PT é um partido de trabalhador que não trabalha, estudantes que não
estudam e intelectuais que não pensam.” A frase de Roberto Campos
espelha com precisão o espírito e as atitudes dos atuais donos do poder.
A popularidade do PT está concentrada nos rincões do trabalhador que
não trabalha. Em 13 Estados brasileiros, existem mais beneficiários do
Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada; uma média de
dois beneficiários para cada trabalhador na economia formal. O PT é
também o protetor de parasitas que vivem à custa de cargos públicos que
gostam de ganhar bem e trabalhar pouco. Mudou a Lei das Estatais para
empregá-los nas estatais e garantir o pleno emprego para os militantes
petistas.
No
setor público, a pressão petista contra a reforma administrativa
retrata o esforço do governo para penalizar os bons funcionários
públicos. Ao defender que os funcionários competentes se submetam aos
mesmos critérios de remuneração e de progressão na carreira dos
funcionários que não trabalham e infernizam a vida de quem trabalha, o
Estado promove duas distorções gigantescas. Primeiro, estabelece um
incentivo perverso para desencorajar o bom servidor e premiar o mau, o
que se reflete na péssima qualidade do serviço público em áreas
essenciais como educação, saúde e segurança. Em segundo lugar, retira do
brasileiro que produz e trabalha 37% do PIB em tributos para financiar
um Estado que tem o maior gasto com pessoal, benefícios e privilégios
entre os países emergentes. Somos um país singular, onde a soma da
remuneração e dos benefícios do setor público é 60% maior que a dos
trabalhadores da iniciativa privada.
Esse
é o Brasil que o governo do PT prioriza. Não é por outra razão que a
atitude mais escandalosa do governo neste início de mandato foi a
condescendência do presidente Lula com o MST. O recorde de invasões de
terras produtivas por criminosos revela o menosprezo do governo pelo
respeito à propriedade privada. A atitude de Lula representa o ranço
contra o sucesso do agronegócio na economia de mercado e o ressentimento
contra o bem-sucedido empreendedorismo no campo que liderou uma
revolução de produtividade sem o intervencionismo estatal.
O
PT é, também, o governo de estudante que não estuda. Quando Dilma
Rousseff deixou a Presidência da República, quase metade das crianças
não estavam devidamente alfabetizadas. Agora, o governo cria problemas
para implementar a reforma do ensino médio, uma medida fundamental para
estancar a evasão de 48% dos jovens do ensino médio, expandir o ensino
integral e modernizar o currículo escolar para adequá-lo à realidade do
mundo do emprego e do trabalho.
O
PT é o partido de intelectual que não pensa. Enquanto a centro-esquerda
se reconciliou com o mercado nos anos 80 e 90 do século 20, produzindo
líderes como Felipe González, Fernando Henrique e Tony Blair, o PT crê
nas teses da esquerda retrógrada da América Latina que vem destruindo
países como Argentina e Venezuela. Marilena Chauí, a intelectual do PT,
tem orgulho de dizer que “odeia a classe média”, a camada majoritária da
sociedade que preza a ordem, a família, o trabalho e a democracia. A
ex-presidente Dilma dizia que “gasto é vida”. Com esse lema, quase
quebrou o Brasil com suas políticas que implodiram as finanças públicas,
catapultou o aumento dos juros e disparou a inflação e o desemprego.
Lula
está seguindo à risca a cartilha da esquerda latino-americana. O
presidente briga com o Banco Central e negligencia sua responsabilidade
de cortar gastos públicos; ameaça rever as regras da privatização da
Eletrobras, emitindo um claro sinal de que o revisionismo petista
menospreza o mercado e contratos; e se empenha na aprovação de um
decreto que destrói o Marco do Saneamento para proteger estatais
incompetentes da concorrência de mercado, prejudicando a vida de 35
milhões de brasileiros que vivem sem água tratada e 100 milhões que não
têm esgoto tratado.
Felizmente,
o Congresso Nacional vem agindo como contrapeso para conter a
irresponsabilidade do governo. A Câmara derrubou o decreto presidencial
do saneamento, vem trabalhando para melhorar o arcabouço fiscal e o
presidente da Câmara, Arthur Lira, deixou claro que os deputados não
apoiarão os sonhos alucinantes de Lula de rever leis e reformas, como é o
caso da privatização da Eletrobras. Mas o Congresso precisa do apoio da
sociedade para continuar a trilhar o caminho certo.
O
maior empecilho para a retomada do crescimento é a existência de um
governo que odeia o mercado e dificulta a vida de quem trabalha e
empreende. O segundo empecilho é a arbitrariedade da Justiça que muda
constantemente o entendimento da lei e da Constituição. É hora de
despertarmos do nosso sonambulismo e unirmos o Congresso, mercado,
sociedade civil e governadores para conter o voluntarismo do governo e
da Justiça. Se não nos unirmos, continuaremos a seguir o caminho
desastroso da Argentina e da Venezuela. Acorda, Brasil!
Postado há 1 week ago por Orlando Tambosi
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