MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

As armas estão apontadas para o Brexit - novamente

 

BLOG  ORLANDO  TAMBOSI

Será que as elites contrárias algum dia vão se cansar dessa guerra contra a vontade democrática? Brendan O'Neill, da Spiked, para a revista Oeste:


Mais alguém não se sentindo exatamente seguro com a promessa de Rishi Sunak de que o Brexit está garantido? O primeiro-ministro negou relatos de que sua administração quer colocar a Inglaterra no caminho de um arranjo em estilo suíço com a União Europeia. Isso implicaria estar fora da União Europeia, mas com os pagamentos e um alinhamento com as regras do Mercado Comum e até uma concordância em aceitar certas leis da União Europeia, assim como a Suíça. Em resumo, o Brino (“Brexit In Name Only”, ou Brexit apenas no nome, em tradução livre), a antiga visão de Theresa May de estar basicamente fora da UE, mas um pouco dentro. Ou “Soft Brexit”, como dizem os Remainers — o grupo a favor de que o Reino Unido permaneça na União Europeia.


Sunak diz que não é verdade. Ontem, numa fala para a CBI, a Confederação da Indústria Britânica, ele afirmou que “o Reino Unido não vai buscar nenhuma relação com a Europa que dependa de um alinhamento com as leis da UE”. Ufa? Calma. Se o Brexit está tão garantido quanto diz Sunak, por que seus próprios representantes estão flertando com a ideia de um futuro à moda suíça para a Inglaterra? Esses funcionários públicos acreditam que é “de um esmagador interesse comercial de ambos os lados” permitir que o Reino Unido se torne como a Suíça, noticiou o The Sunday Times. Que membros do governo encarregados de colocar o Brexit em vigor estejam sonhando com a diluição do Brexit é um forte motivo de preocupação. As pessoas votaram na linha Boris Johnson, com seu “Faça o Brexit acontecer”, mas acabaram ficando com políticos em estilo “Maybot” — apelido de Theresa May —, que supostamente querem que a população britânica implore para Bruxelas por concessões em estilo suíço? Não é assim que a democracia funciona, Rishi.

Além disso, o que Jeremy Hunt, chanceler do próprio Sunak, quis dizer quando falou sobre um rompimento do governo com a antiga abordagem irascível de Boris em relação à União Europeia e, nas palavras do The Sunday Times, “removendo a vasta maioria das barreiras comerciais com o bloco”? Hunt era um forte entusiasta de permanecer na UE. Deveríamos fazer uma “conciliação sensata” com a União Europeia, disse ele depois do referendo em 2016, e aceitar as regras de livre circulação em troca de acesso ao Mercado Comum. Estamos certos em nos preocupar quando um homem como esse, o tecnocrata dos tecnocratas, fala de forma misteriosa em facilitar nossa relação com Bruxelas.


A ala mais radical contra o Brexit, aqueles que nunca vão aceitar nosso desejo claramente manifestado de deixar a União Europeia, sem dúvida vê nos relatos de um movimento à la Suíça uma prova de que até mesmo as autoridades estão mudando de ideia. Os comunicados para a imprensa do lobby suíço do Tory, o Partido Conservador, “refletem uma mudança no Zeitgeist”, anunciou um editorial do The Guardian. A paralisação do Orçamento Truss/Kwarteng por parte dos “mercados que não ficaram impressionados” parece ter sido “o ponto final de uma trajetória política que começou com o referendo do Brexit”, continua o texto. E agora temos membros do Tory sonhando com a Suíça, o que confirma, de acordo com o Guardian, que “a maré alta do Brexit passou, e uma lenta viagem de volta à sanidade econômica finalmente parece estar em curso”.

Essa visão se espalhou. De que o “Zeitgeist” está mudando. De que a “música ambiente” agora é contra o Brexit. De que o Reino Unido está “começando a repensar o Brexit”. De que tanto o governo quanto os súditos agora estão “encarando a realidade” e reconhecendo que o nosso futuro é como “membro participante da economia comum da Europa”.


Estamos testemunhando algo muito importante: uma mudança de tática das elites do Remainer, daqueles que tornaram sua missão de vida reverter o que consideram uma decisão idiota do público mal-informado de sair da União Europeia. Eles estão se afastando de uma abordagem combativa, de todos aqueles processos judiciais arrogantes e das estranhas manifestações das classes médias deprimidas, nas quais com frequência elas não conseguem esconder o desprezo pelas massas apoiadoras do Brexit, e partindo para um ataque de longo prazo, mais insidioso, contra a vontade democrática. Agora é menos “vamos acabar com o Brexit” e mais “o Brexit está morrendo, de forma natural, nas mãos da sanidade. Finalmente”.

São tempos precários para nós que apoiamos o Brexit e acreditamos na democracia. A nova estratégia anti-Brexit é vencer a vontade do povo pelo cansaço. Explorar nossos temores econômicos para tentar nos convencer de que o Brexit foi um erro. Mobilizar nossas questões energéticas e financeiras para potencializar seu esgotamento. Talvez assim tenha fantasiado um jornalista do Guardian, o arrependimento do Brexit se torne “uma tendência irreversível que não vai parar até chegar a zero: ninguém vai nem admitir ter votado a favor”. Querem fazer uma supressão gradual. Antes, querem nos silenciar, anular nossos votos. E agora partiram para uma estratégia de esvaziamento moral, optando pelo encolhimento de longo prazo do nosso espírito democrático para a súbita invalidação das urnas.


De muitas formas essa nova abordagem de lançar aos poucos um novo Zeitgeist anti-Brexit é pior que o antigo sonho de suspensão. Pelo menos nós sabíamos contra o que estávamos lutando quando as elites estavam tentando combativamente bloquear a efetivação da nossa vontade: a antidemocracia. A nova estratégia é mais sorrateira, mais escorregadia. Ela apresenta o ódio pelo Brexit como bom senso. E nos diz que nossa vida vai melhorar do ponto de vista material se renunciarmos àquele voto equivocado de 2016. A aspiração não é nada menos que uma situação em que não haverá “ninguém que ache que o Brexit era uma boa ideia”. O objetivo desse grupo é o apagamento total do Brexit. A estratégia belicosa de reversão da democracia foi substituída por uma estratégia mais furtiva de medo, criada para debilitar e finalmente apagar essa decisão.

Tragicamente, essas táticas cínicas estão surtindo efeito. Uma nova pesquisa revelou que uma de cada cinco pessoas que votaram a favor do Brexit agora acha que foi a decisão errada. As autoridades não estão imunes a isso. Aliás, é totalmente lógico que figuras do governo obcecadas com a opinião unânime das elites, com dançar conforme a “música ambiente” do establishment cultural, abracem o novo “bom senso” da elite que diz que o Brexit é a causa de todos os males, e apenas sua diluição pode nos colocar naquela “lenta viagem de volta à sanidade econômica”. É por isso que os sussurros de “Suiça” no governo importam: eles revelam uma convicção mais ampla do establishment de que as condições agora estão adequadas e estão economicamente arriscadas o suficiente para que o Brexit por fim seja deslocado e substituído pela Suíça, pela sanidade ou por algo assim.

Mas há esperança. Um em cada cinco defensores do Brexit se arrepende do seu voto? Isso significa que 80% de nós não se arrependem. Milhões de pessoas que ainda rejeitam o alarmismo das elites e que sabem que simplesmente não é verdade que o Brexit seja economicamente desestabilizador apenas: basta olhar para a Zona do Euro, assolada por crises econômicas, algumas piores que outras. E, mais importante ainda, milhões que entendem o objetivo real do Brexit. Não se trata de acordos comerciais nem de impulsionamento econômico. É uma questão de democracia. Votamos pela saída da União Europeia para fortalecer a soberania britânica. Fizemos uma demanda constitucional, não econômica. O Brexit vai bem, obrigado. Não estamos mais submetidos a leis criadas por instituições distantes sobre as quais não temos nenhum controle democrático direto. É isso que queremos. O Brexit é um sucesso, um sucesso brilhante e histórico. Que as elites contrárias não consigam enxergar isso diz infinitamente mais sobre elas do que sobre nós.

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show
Postado há por

Nenhum comentário:

Postar um comentário