Lula e Bolsonaro defendem ideias que destroem o que foi feito de positivo. A revogação da reforma trabalhista, como quer o PT, é apenas o mais recente exemplo disso. Editorial do Estadão:
Com
uma crise social e econômica que afeta gravemente a população, o País
precisa de propostas consistentes e viáveis, aptas a enfrentar, com
responsabilidade, os problemas nacionais. No entanto, a depender das
propostas dos dois políticos que aparecem na frente nas pesquisas de
intenção de voto para a Presidência da República, parece que a tarefa é
exatamente inversa: apresentar ideias que aprofundam a crise.
A
situação é muito peculiar. Não é apenas que Lula da Silva e Jair
Bolsonaro não tenham a menor noção do que precisa ser feito para
recolocar o País no caminho do desenvolvimento social e econômico. Os
dois querem destruir – essa é a palavra – o que foi feito de positivo
até aqui. Em qualquer dos casos, o País dará um grande salto para trás.
Na
semana passada, o diretório nacional do PT aprovou que, no programa de
governo a ser apresentado aos partidos aliados, não se fale de “revisão”
da reforma trabalhista de 2017. O termo não expressaria fidedignamente o
que os petistas almejam. Eles querem nada mais nada menos que a
“revogação” de todo o marco trabalhista aprovado pelo Congresso durante o
governo de Michel Temer.
O
Brasil tem hoje 12 milhões de desempregados, o que corresponde a 11,2%
da força de trabalho. E qual é a proposta do PT para esse cenário
extremamente desafiador? Jogar fora todo o trabalho de modernização das
regras trabalhistas feito pelo Congresso em 2017. É um completo
disparate. Ninguém em sã consciência acha que a revogação da reforma
trabalhista possa incentivar a criação de novos postos de trabalho.
Mesmo assim, o PT anuncia que, em 2023, dedicará suas energias a
restaurar o atraso.
Outra
área na qual Lula e Bolsonaro prometem atraso e destruição é a
responsabilidade fiscal. No caso, é puro deboche com a população e com
todas as evidências. Nas últimas três décadas, todos os governos que
foram responsáveis com as contas públicas conseguiram conter a inflação,
e todos aqueles que desprezaram o equilíbrio fiscal produziram aumento
da inflação.
Depois
do sucesso do Plano Real e das reformas feitas nos governos de Fernando
Henrique, o PT foi capaz, com seu descompromisso na área fiscal, de
reintroduzir a inflação na vida nacional. Dilma Rousseff entregou baixo
crescimento e inflação alta. Pois bem. Perante esse panorama desafiador,
Michel Temer implantou uma política de responsabilidade fiscal que,
além de desbastar a inflação, possibilitou a redução histórica da taxa
de juros. Após os dois anos e meio do governo Temer, o País não deveria
ter mais nenhuma dúvida sobre política econômica: sobre o que protege a
população e sobre o que a prejudica, especialmente os mais vulneráveis.
Jair
Bolsonaro seguiu, no entanto, o caminho petista da irresponsabilidade.
Tal foi a adesão ao populismo que o governo Bolsonaro não apenas não
defendeu o teto de gastos aprovado durante o governo Temer, como atuou
para derrubar esse que foi o principal marco da responsabilidade fiscal
dos últimos anos. O empenho gerou o resultado esperado: inflação alta,
com o Banco Central tendo de elevar a taxa básica de juros mesmo em um
cenário de baixa atividade econômica.
Diante
dessa trajetória, o que Lula e Bolsonaro propõem para o País a partir
de 2023? Só querem saber de destruir ainda mais os alicerces da
responsabilidade fiscal. Sentindo-se tão confortável em seu populismo,
Jair Bolsonaro já disse até que cogita dispensar Paulo Guedes em
eventual segundo mandato. Nenhum disfarce de responsabilidade seria mais
necessário.
A
confirmar que o retrocesso não é mero acidente, mas um objetivo, o
lulopetismo e o bolsonarismo almejam, também, reduzir a autonomia das
agências reguladoras. Mesmo depois de a pandemia mostrar a importância
de ter uma Anvisa independente, Lula e Bolsonaro querem o Executivo
imperando sem controle.
Perante
ideias tão profícuas, como alguém pode ter a ousadia de dizer, como às
vezes se ouve, que eventual vitória de Lula, ou mesmo de Bolsonaro, já
estaria precificada? É uma bela modalidade de negacionismo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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