O socialismo do século 21 não passou da segunda década. Augusto Nunes:
Em 2010, quando o coronavírus ainda era apenas um brilho no olhar da
ditadura baseada em Pequim, outras pragas assolavam o Brasil e boa parte
da América do Sul. A que mais inquietava os democratas chamava-se
bolivarianismo. Parida na Venezuela em 1999, foi apresentada por Hugo
Chávez como "o socialismo do século 21", disseminou-se pelo
subcontinente e, no fim da primeira década, chegara ao poder em cinco
países. O Brasil do PT estava prestes a juntar-se ao grupo. Amigo e
comparsa de Chávez, Lula desfrutava do último ano do segundo mandato,
mas o país não corria nenhum risco de dar certo: o Palanque Ambulante
seria substituído por Dilma Rousseff. A mulher que não conseguia dizer
coisa com coisa certamente se entenderia com os sócios do clube
presidido por Chávez. Evo Morales reinava na Bolívia desde 2006. O
Paraguai elegera em 2008 o ex-bispo Fernando Lugo. O Equador caíra no
colo de Rafael Correa em 2007. Nesse mesmo ano, a Argentina entregou-se
aos cuidados de Cristina Kirchner. As nações restantes se renderiam até
2020.
Passados dez anos, a praga é apenas uma má lembrança. Desmoralizado
pela aparição do bando de paroquianas que engravidara, incapaz de lidar
com conflitos internos, o Reprodutor-de-Batina foi despejado pelo
Congresso paraguaio em 2012. O Bolívar-de-Hospício morreu no ano
seguinte, e legou a Nicolás Maduro, o Bigode-sem-Cabeça, a tarefa de
presidir a agonia da ditadura venezuelana. A Viúva-de-Tango deixou a
presidência da Argentina em 2015. Voltou há pouco como vice, carregando
um buquê de denúncias por suborno e formação de quadrilha. Em 2016, o
impeachment livrou o Brasil das pedaladas de Dilma. No ano seguinte, o
Imbecil-de-Guayaquil desistiu da tentativa de reeleger-se. Condenado em
2020 a oito anos de cadeia por corrupção, refugiou-se na Bélgica. O
último a partir foi o Lhama-de-Franja. Apeado do poder em 2019, por ter
fraudado a eleição de que participou ilegalmente, é acusado de ter
mantido relações sexuais com duas menores de idade. No momento, descansa
na Argentina.
Todos logo serão asteriscos nos livros de História. Menos Lula.
Primeiro presidente brasileiro engaiolado por corrupção, merece um longo
capítulo. Ilustrado por uma foto de frente e outra de perfil.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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