O
objetivo final do Centrão é, simplesmente, usar toda a estrutura estatal
para se manter no poder. Eles precisam disso e vão fazer de tudo para
garantir que nada mude. Artigo de Eduardo Ribeiro para a Gazeta do Povo:
Na semana passada, o Ministério da Economia perdeu mais dois membros
valiosos para a implementação da agenda liberal prometida por Bolsonaro
em sua campanha. Salim Mattar e Paulo Uebel pediram demissão de seus
cargos, descontentes com a falta de comprometimento de agentes do
próprio governo com as reformas liberais, sobretudo com a demora em dar
prosseguimento às privatizações e à Reforma Administrativa.
As mudanças estruturais do estado nunca foram prioridade em setores
do governo eleito. Agora, a própria cúpula governamental admite isso, ao
receber nos salões do Palácio do Planalto seus novos aliados, membros
do Centrão, grupo que depende de ações antirreformistas para
arregimentar cada vez mais poder.
O Centrão não é algo novo. Existe desde a redemocratização, mas foi
se transformando e se consolidando em uma espécie de frente
suprapartidária, formada majoritariamente por cerca de 220 parlamentares
do chamado baixo clero e meia dúzia de caciques, que, unidos, conseguem
ser o fiel da balança em qualquer votação.
Sua composição não é cristalina, mas inclui o Progressistas,
Republicanos, Solidariedade, PL e PTB, além de contar, muitas vezes, com
a participação do PSD, DEM, MDB, PROS, PSC, Avante a Patriota. Estamos
falando de praticamente metade da Câmara Federal.
A ideologia é o clientelismo, a realpolitik na sua forma mais crua,
sem o menor pudor em trocar abertamente cargos e vantagens por apoio
político, independente de quem esteja no governo. Só há uma condição:
manter o modelo de Estado que garante a permanência deste grupo no
poder.
Órgãos públicos, bancos públicos, empresas estatais, política
econômica desenvolvimentista, populismo fiscal, Fundo Eleitoral e
burocracias em excesso concedem a eles um imenso poder decisório,
discricionário e influência. E não há, necessariamente, um componente
ideológico para um fim social cujo meio seja o fortalecimento do Estado.
O objetivo final é, simplesmente, usar toda essa estrutura para se
manter no poder. Eles precisam disso e vão fazer de tudo para garantir
que fique como está. Não à toa, quanto maior o orçamento do órgão, mais
importante ele se torna na negociação. E não à toa também, o fim do Teto
de Gastos passa agora a ser uma possibilidade.
Portanto, é completamente equivocado, e até ingênuo, justificar uma
aliança com o Centrão em nome da governabilidade e das reformas
estruturais. Ao menos não das reformas que nós, liberais, defendemos
para um país sustentável. Pois qualquer mudança que atinja o estamento
burocrático e suas redes de influência, reduzindo o tamanho e o poder do
Estado, consequentemente comprometerá a força eleitoral destes grupos e
suas reeleições.
Para piorar, o histórico do Centrão perante a Justiça está longe de
ser trivial, e só reforça a velha máxima: mais Estado, mais corrupção.
Um quarto de toda a composição do bloco responde por crimes que vão
desde lavagem de dinheiro até fraudes em licitações.
Recentemente, o líder do Solidariedade foi condenado a 10 anos de
prisão pelo STF por desvios de empréstimo do BNDES , o líder do
Progressistas foi denunciado por corrupção na Lava Jato, sob a acusação
de ter recebido volumosas propinas da empreiteira Queiroz Galvão ). Além
deles, o recém elencado ao posto de líder do governo, também do
Progressistas, aparece como peça central de uma delação premiada que
envolve tráfico de influência e propina nas negociações com a Copel,
estatal paranaense de energia.
É óbvio que a agenda liberal e do combate à corrupção - promessas
eleitorais de Bolsonaro - são o oposto da agenda pro-establishment do
Centrão. São universos paralelos e não há meio termo, é uma coisa ou
outra. Resta ficar claro agora qual a agenda do Presidente da República.
Eduardo Ribeiro é catarinense,
empresário, formado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal
de Santa Catarina e Presidente Nacional do Partido Novo.
BLOG ORLAND TAMBOSI

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