BLOG ORLANDO TAMBOSI
Ajudaria muito o PT abandonar as taras ideológicas falidas e encaminhar os dirigentes sectários para o Mobral econômico. Guilherme Macalossi via Gazeta do Povo:
Roberto
Campos Neto está otimista com a economia brasileira. Na Globo News,
criticou as previsões negativas feitas por analistas, fez a avaliação de
que o Brasil pode crescer mais do que 1,7% em 2024 e elogiou o trabalho
de Fernando Haddad, responsável por comandar o Ministério da Fazenda.
“Haddad fez um esforço gigantesco para enquadrar o fiscal”, disse.
Esse
reconhecimento não veio apenas do presidente do Banco Central
brasileiro, mas também de David Beker, o chefe de economia e estratégias
para América Latina do Bank of America. Quem não está gostando das
coisas é Gleisi Hoffmann e o PT, que resolveram divulgar uma patética
resolução criticando o rumo da economia.
No
documento publicado na semana passada, o partido afirma que “o Brasil
precisa se libertar, urgentemente, da ditadura do BC ‘independente’ e do
austericídio fiscal, ou não teremos como responder às necessidades do
país”. Qual é a “ditadura” do Banco Central, afinal? O status e as
atribuições da instituição foram definidos por decisão congressual, e,
até aqui, mantidos pelo próprio Lula, que poderia, a qualquer tempo,
apresentar um projeto revogando-os. Já o termo “austericídio fiscal”
parece ter saído dos anos 80, quando o PT achava que o controle da
inflação viria com o calote da dívida externa. Gleisi Hoffmann ainda
deve achar.
Em
entrevista para o jornal O Globo, Haddad rebateu seus colegas com
ironia: “Olha, é curioso ver os cards que estão sendo divulgados pelos
meus críticos sobre a economia, agora por ocasião do Natal. O meu nome
não aparece. O que aparece é assim: ‘A inflação caiu, o emprego subiu.
Viva Lula!’ E o Haddad é um austericida. Então, ou está tudo errado ou
está tudo certo”. Segundo o ministro da Fazenda, o PT precisa “resolver”
o seu discurso. Ajudaria muito abandonar as taras ideológicas falidas e
encaminhar os dirigentes sectários para o Mobral econômico.
Numa
reunião recente, o ministro da Fazenda e Gleisi divergiriam
publicamente sobre como gerar crescimento. Ela defendeu a indução da
economia via expansão fiscal sem se preocupar com déficits. Receituário
esse aplicado por Guido Mantega, Nelson Barbosa e Dilma Rousseff que
resultou numa crise tão severa que nem a pandemia de Covid-19 foi capaz
de igualar. Haddad respondeu dizendo o óbvio: "As coisas não são
automáticas. Nos oito anos de governo do presidente Lula, tivemos
superávit primário de 2%. A economia cresceu 4%. Não é verdade que o
déficit faz crescer. De dez anos para cá, a gente fez R$ 1,7 trilhão de
déficit. E a economia não cresceu. Não existe essa correspondência, não é
assim que funciona a economia".
O
PT vem fritando Haddad desde a metade do ano. Nos últimos meses, o
procedimento ganhou força, tendo Gleisi como porta-voz de luxo. Ela tem
como característica emular com desassombro todos os discursos
refratários à prudência, ao bom senso e à lógica elementar. Em setembro,
fez um ataque desvairado ao Tribunal Superior Eleitoral.
Agora, mira no titular da pasta da economia. Com qual propósito? Talvez
não o considere petista o suficiente. De “companheiro”, Haddad já
passou a “austericida”. Em breve será chamado também de “neoliberal”.
Postado há 4 days ago por Orlando Tambosi

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