BLOG ORLANDO TAMBOSI
A “nova ordem mundial” visa ao fim da liberdade individual. Antony Mueller para o Instituto Mises:
O
mundo está atualmente no meio de um novo impulso agressivo para trazer
uma nova ordem socialista por meio de um estado tecnocrático poderoso e
"eficiente". Essa nova ordem foi rotulada como "progressista", mas é
apenas a versão mais recente do impulso socialista que vimos antes na
forma de socialismo e comunismo.
Uma guerra contra a propriedade privada
Resumidos
em uma única frase, os planos dos comunistas visam à abolição da
propriedade privada. A partir daí, seguem-se as outros grandes
objetivos, como abolir a família, a nação e os países e, finalmente,
como observou
Marx, “o comunismo abole as verdades eternas, abole toda religião e
toda moralidade”. Na medida em que o programa do liberalismo “se
condensado em uma única palavra…. é a propriedade privada dos meios de
produção” (como descrito por Ludwig von Mises), o programa dos comunistas é a abolição da propriedade privada.
Uma promessa de eficiência e expertise
No
entanto, o socialismo marxista — isto é, o comunismo — não encontrou
muitos seguidores nos Estados Unidos. O apelo comunista à justiça e à
igualdade encontrou mais ressonância no velho mundo. Para atrair os
americanos, o socialismo precisava ser embalado de maneira diferente.
Nos Estados Unidos, o culto do socialismo apareceu sob o nome de
“progressismo” e foi pregado para levar a sociedade ao mais alto grau de
eficiência.
Sob
o presidente Woodrow Wilson, o progressismo atingiu seu primeiro pico
como a filosofia dominante do estado. A sociedade era, para esses
socialistas, uma única organização. Os burocratas como administradores
públicos encontraram uma expressão vívida no romance político Philip
Dru: Administrator: A Story of Tomorrow, de Edward Mandell House, que
era um amigo muito próximo de Wilson e que serviu como o mais importante
conselheiro político e diplomático do presidente.
Essa visão do progressismo requer:
*Representação governamental e trabalhista no conselho de cada corporação;
*Partilha dos lucros das empresas de serviço público;
*Propriedade governamental dos meios de comunicação;
*Propriedade governamental dos meios de transporte;
*Um sistema abrangente de pensão por velhice;
*Propriedade governamental de todos os serviços de saúde;
*Proteção trabalhista total e arbitragem governamental de disputas industriais.
Além disso, outras demandas e programas apresentados e realizados pelo movimento progressista incluíram eugenia, controle de natalidade, planejamento familiar, proibição, legislação antitruste, educação pública, banco central e imposto de renda.
Isso ecoa das pranchas do Manifesto Comunista, que incluíam demandas para:
*Centralizar os meios de comunicação e colocar os meios de transporte na mão do Estado;
*Estender o controle do estado sobre as fábricas e sobre todas as terras;
*Implementar um pesado imposto de renda progressivo e abolir os direitos de herança;
*Centralizar o crédito nas mãos do Estado e estabelecer um banco central de monopólio monetário exclusivo.
Ao
contrário do Manifesto Comunista, os progressistas não pregavam uma
revolução proletária, mas falavam em nome da eficiência e exigiam o
governo burocrático de administradores públicos especializados. De
maneira específica, o movimento progressista apresenta um programa ainda
pior do que o marxismo. Como Murray Rothbard resumiu, o movimento progressista trouxe uma profunda transformação da sociedade americana:
“de uma sociedade praticamente livre e laissez-faire do século XIX, quando a economia era livre, os impostos eram baixos, as pessoas eram livres em suas vidas diárias e o governo não era intervencionista em casa e no exterior, a nova coalizão conseguiu em pouco tempo transformar a América em um estado imperial de bem-estar e guerra, onde a vida diária das pessoas era controlada e regulada em grande escala”.
Socialismo disfarçado
Guiar
a humanidade para o céu na terra, transformando a sociedade, é a
principal mensagem do socialismo, começando com o “socialismo utópico”
do século XIX e chegando até nossos dias com a demanda por uma “utopia
concreta”. No entanto, diferente da mitologia marxista de que o
socialismo seria o sucessor imparável do capitalismo, a história mostra
que o “fenômeno socialista” apareceu repetidamente ao longo da história.
Em vez de ser o modelo do futuro, o socialismo é, de fato, uma ideia
fracassada do passado.
O
socialismo é a tentativa de criar uma nova ordem social à vontade. No
entanto, não se pode construir uma “ordem” de acordo com os desejos de
alguém. A realização volitiva de um sistema socioeconômico resulta em
estabelecer a sociedade como uma única organização dominada pelo Estado
e, como tal, é necessariamente hierárquica e deve ser baseada no comando
e na obediência, em vez da livre associação das pessoas, como ocorre em
uma ordem espontânea .
O presidente Wilson falhou em seu plano de trazer os Estados Unidos para a Liga das Nações
e estabelecer uma organização para promover uma nova ordem mundial em
sintonia com as visões dos progressistas. Por algum tempo, os americanos
retomaram a tradição do individualismo e do isolacionismo. No entanto,
com a Grande Depressão
e a Segunda Guerra Mundial, a chance de transformar a sociedade e
colocar especialistas burocráticos no topo voltou com força total sob a
presidência de Franklin Delano Roosevelt
. Com o fim da guerra mundial, voltou a chance de estabelecer uma rede
de organizações internacionais com a missão de organizar a sociedade e a
economia sob os auspícios de especialistas burocráticos. Isso aconteceu
com a fundação das Nações Unidas e seus vários subgrupos e organizações irmãs para se tornarem ativos em finanças, educação, desenvolvimento e saúde.
O “empurrão” internacional
Com o lançamento das Nações Unidas, o progressismo como um programa - ao que James Ostrowski chama de “destruir a América”
- alcançou uma escala global. A sede principal desta filosofia mudou-se
para a sede da Organização das Nações Unidas. Desde o seu início, as
Nações Unidas têm sido o portador da luz do progressismo global.
A proteção do meio ambiente e da “saúde global” se revelaram os pretextos ideais para fazer avançar a agenda do progressismo. Em junho de 1994, a Agenda 2021
da ONU foi iniciada pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro e pedia a imposição do
“desenvolvimento sustentável” em escala global. Enquanto a Agenda 2021
ainda era relativamente modesta em suas demandas e não vinculante quanto
à sua plena execução, a posterior Agenda 2030
deixou “o gato subir no telhado”. A nova agenda foi adotada quando os
chefes de estado e de governo e altos representantes se reuniram na sede
das Nações Unidas em Nova York, em setembro de 2015. Nessa reunião,
eles aprovaram a adoção de “Objetivos Globais de Desenvolvimento Sustentável ” sobre metas e objetivos universais e transformadores abrangentes e de longo alcance.
A
nova agenda descreve um programa de dominação abrangente pelo governo
de quase todos os aspectos da vida pessoal. Sem nenhum aceno à liberdade
humana e à coordenação do mercado, o documento lista dezessete
objetivos que devem ser alcançados por meio de uma tomada burocrática da
sociedade em escala mundial. Por trás de promessas populares, como o
fim da pobreza e da fome, vidas saudáveis, educação equitativa e
igualdade de gênero, está a agenda para impor o socialismo global.
Demandas como a redução da desigualdade de renda dentro e entre os
países, padrões sustentáveis de consumo e produção e construção de
sociedades inclusivas para o desenvolvimento sustentável fazem parte de
um plano primordial para acabar com a economia de mercado e impor um
planejamento estatal abrangente.
Alegando
a “perpetuação das disparidades entre e dentro das nações, um
agravamento da pobreza, fome, problemas de saúde e analfabetismo, e a
contínua deterioração dos ecossistemas dos quais dependemos para o nosso
bem-estar” (capítulo 1, preâmbulo), a conferência clama por uma
“parceria global para o desenvolvimento sustentável”.
Sob o título de “áreas programáticas”,
a agenda enfatiza “as ligações entre as tendências e fatores
demográficos e o desenvolvimento sustentável”. O crescimento da
população mundial combinado com “padrões de consumo insustentáveis” põe
em perigo o planeta, pois “afeta o uso da terra, água, ar, energia e
outros recursos”. Sob o ponto 5.17 de seu objetivo, a conferência exige:
“Integração total das preocupações populacionais no nos processos de
planejamento nacional, político e de tomada de decisão”. Proteger o meio
ambiente requer a regulamentação total da população mundial, o que, por
sua vez, torna necessário controlar o comportamento pessoal.
Em
suma, a adoção dessa "nova ordem mundial" significaria a abolição da
propriedade privada, ou o que Mises considerava o programa liberal — um
mundo baseado na propriedade privada. Se aprovado, esse projeto
fracassará no final, mas trará imenso sofrimento nesse meio tempo.
Postado há 5 days ago por Orlando Tambosi

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