BLOG ORLANDO TAMBOSI
Esqueça mérito, inteligência, conhecimento, bondade ou coragem: o valor de homens e mulheres passa a ser medido apenas pelo exotismo de sua sexualidade. Roberto Motta para a Oeste:
“Assim como uma preocupação exclusiva com
a morte nos tornaria morbidamente
deprimidos e ineficazes, uma obsessão com sexo
só pode levar a uma existência superficial e
narcisista, porque foge da realidade e rouba da
vida aquilo que torna cada momento
singularmente significativo —
o fato de que pode ser o nosso último momento na Terra”.
Bruno Bettelheim, Freud e a Alma Humana, p.109
A
hipersexualização da cultura e do comportamento é uma das marcas do
movimento progressista. Para essa turma, absolutamente tudo tem a ver
com sexo.
Essa
hipersexualização inibe o intelecto, desidrata ou amputa laços afetivos
e subordina todos os outros aspectos da vida — como o espiritual, o
estético, o artístico, o cívico e o moral — a uma obsessão permanente
com nudez, genitália e copulação.
O
ato sexual é despido de qualquer significado emocional e transformado
em mercadoria de massa e instrumento de controle ideológico.
Sobe
na escala da virtude e da celebridade o indivíduo que produz a exibição
mais grosseira e escatológica de seus órgãos genitais e suas relações
íntimas. Aquilo que deveria constituir o universo amoroso privado de
cada um é exibido em praça pública como troféu. Promiscuidade se torna o
passaporte de entrada no clube dos ungidos. Quanto mais visível,
melhor.
“Diversidade
sexual” se torna a ordem do dia. Mas o que exatamente significa isso?
Significa apenas usar orientação e hábitos sexuais como critério
superior e absoluto na avaliação de um ser humano e de sua adequação a
um grupo ou função.
Esqueça
mérito, inteligência, conhecimento, perseverança, bondade ou coragem: o
valor de homens e mulheres passa a ser medido apenas pela exuberância,
pela visibilidade e pelo exotismo de sua sexualidade.
Mas
o foco que o progressismo coloca na “diversidade sexual” revela, na
verdade, apenas uma obsessão adolescente com sexo e um pensamento
reducionista primário que transforma as preferências amorosas de cada
indivíduo no elemento definidor de sua identidade.
Não
são poucos os casos de atores ou músicos, por exemplo, com produção
artística rudimentar, cujas carreiras são sustentadas apenas pela
contínua exibição pública de detalhes íntimos de suas vidas amorosas.
Esse sacrifício permanente da privacidade e da individualidade é
recompensado com celebridade, venda de ingressos e contratos com
departamentos de marketing em busca de lacração.
Como
já apontaram muitos autores, entre eles o cientista político David
Horowitz e o líder ativista Saul Alinsky, a esquerda se apropriou de
algumas das principais causas sociais para transformá-las em
instrumentos políticos e ideológicos na busca pelo poder. Usando uma
posição hegemônica na mídia e na cultura, e através do trabalho de
exércitos de ativistas, pautas como defesa dos direitos humanos, defesa
das minorias, proteção do meio ambiente e luta contra o racismo foram
associadas ao radicalismo político socialista e marxista.
O
marxismo aplicado às questões étnicas virou a teoria crítica da raça. O
marxismo aplicado ao Direito virou garantismo penal. O marxismo
aplicado à educação virou a pedagogia do oprimido. O marxismo aplicado à
sexualidade virou a ideologia de gênero.
A mentalidade revolucionária
Quanto
se trata de transformar sexualidade em arma política, a insanidade
ideológica revolucionária não se intimida nem mesmo diante da realidade
mais concreta e evidente. A aplicação do marxismo à própria biologia
transformou o que é uma característica essencial de cada ser vivo,
impressa em seu DNA — o seu gênero —, em uma escolha a ser feita dentro
de um infinito menu de possibilidades, todas elas criadas na busca
incessante por divisão, radicalização e desfiguração emocional e
cognitiva.
A
aplicação da mentalidade revolucionária aos aspectos mais íntimos da
natureza humana, em especial à sexualidade, quase sempre condena suas
vítimas a uma vida de revolta vazia, ressentimento, frustração conjugal e
solidão.
Que
esse seja o caminho escolhido por adultos conscientes é triste, mas
compreensível, diante da posição dominante conquistada pelo progressismo
na cultura popular.
Mas
o pior aspecto desse fenômeno é, provavelmente, a invasão dos espaços
da infância e da adolescência pela militância sexual de caráter marxista
revolucionário. A erotização precoce e excessiva desfigura a trajetória
intelectual e emocional de crianças e adolescentes e transforma o ser
humano em uma mera coleção de apetites.
Infância
e adolescência são etapas formativas da personalidade. É normal que
algumas crianças e jovens se sintam confusos em relação à sexualidade. O
que a ideologia de gênero faz é tornar essa confusão obrigatória para
todas as crianças e todos os adolescentes.
E isso é absurdo e inaceitável.

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