E não parece coisa difícil, quando as meninas são educadas por smartphones: toda a empatia é voltada para doenças mentais; toda a sociabilidade, contra os homens; toda a vontade de aceitação, para os moldes antissociais do progressismo. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povo:
Hoje
há a expressão “gado demais” para se referir ao homem empenhado em se
adequar aos padrões femininos. Creio que o homem tentar se adequar a
tais padrões é a norma no Ocidente civilizado; no mundo islâmico é que
os homens podem arranjar mulher negociando entre si, fazendo tratos
entre genro e sogro. Dado que os que dizem “gado demais” não parecem
querer comprar esposas nos moldes tradicionais, é preciso averiguar o
que eles têm em mente.
Uma
possibilidade é terem aderido ao estilo de vida propagandeado pela
cultura pop: os homens devem querer ser cheios de dinheiro e disporem de
mulher como commodities, sem que haja casamento envolvido. Somos já
“informados” de que filho é ruim para o planeta, porque emite carbono
etc. Somos também reeducados para achar que empoderamento feminino é
mostrar a bunda; que o signo de sucesso de um homem não é ter bons
filhos, senão acumular gostosas e ter muito dinheiro. Com este,
conseguem-se aquelas. Assim, casamento é um péssimo negócio, já que o
número de mulheres é reduzido a um, e, dada a alta probabilidade de
divórcio, ainda haverá perdas patrimoniais e gasto com advogado. Havendo
filhos, o prejuízo só aumenta, por causa da pensão. No frigir dos ovos,
a cultura hipersexualizada é uma cultura profundamente antinatalista,
já que abole a estabilidade necessária para criar e educar crianças. A
legislação feminista só piora tudo ao transformar, na prática, as
condições de mãe e de esposa em serviços remunerados. Isso entra no
cálculo.
Nessa
linha, o homem poderia deixar de ser “gado demais” caso, em vez de
comprar uma esposa, alugasse gostosas e ponto final. Resta saber de onde
virá tanto dinheiro… Não à toa, essa mentalidade parece ter vigência
entre admiradores do narcotráfico e anarcocapitalistas que acham que o
bitcoin vai salvar o mundo – dois grupos que acreditam em dinheiro
fácil.
Algumas pitadas de otimismo
Não
obstante, uma outra explicação plausível, e até mais abrangente, é que
nossa época seja excepcional por causa da diferença de valores entre os
sexos. Os valores que estão na moda entre as mulheres – a saber, os do
feminismo – simplesmente não são compartilhados pelo variado conjunto
dos homens, de modo que se esforçar para agradá-las faria deles bovinos
sem pensamento próprio. De fato, é bovino o homem que fica dizendo “Ui,
desculpa por ser homem!!” para mendigar coito.
Antes
de tudo, aumentemos mais o otimismo. Mulheres conversam menos sobre
política e ideologia do que homens. Quem discordar, ouça conversa de
velhos barrigudos em boteco e depois ouça a de salão de beleza. Se há
uma rodinha masculina de conversa, eles provavelmente estão falando de
política, trabalho, futebol e sexo. Já se há uma rodinha feminina de
conversa, é quase certo que estejam falando da vida própria ou alheia.
Por isso a rodinha feminina para de falar quando um homem abelhudo chega
junto: não queremos ser pegas no ato da fofoca, ou então que não ouçam
nossos assuntos íntimos. Por outro lado, as rodinhas masculinas permitem
incursões femininas; se uma mulher se aproximar e eles interromperem a
conversa, é porque estavam nos causos relativos a sexo.
Essa
observação de senso comum bate com os achados de Simon Baron-Cohen
relativos às diferenças entre os sexos, a saber, que mulheres em geral
se interessam por pessoas e homens se interessam por coisas. Daí os
cursos de psicologia serem lotados de mulheres, e os de engenharia, de
homens. (Se bem que na última década houve uma debandada masculina dos
cursos superiores, mas isso é outra história. De todo modo, aposto que é
impossível encontrar uma universidade onde o curso de psicologia tenha
uma proporção de mulheres inferior ao de engenharia.)
Dito
isso, poucas mulheres se dão ao trabalho de discutir política e
ideologia. Você vê pedreiro discursando sobre Bossonaro no boteco fora
de ano eleitoral, mas não vê a manicure fazendo o mesmo. Assim, dado que
o lugar comum é as mulheres serem “empoderadas”, é previsível que a
maioria das mulheres passe por feminista, pois comprar briga política
não é com elas. Os homens superestimam a adesão das mulheres ao
feminismo, já que eles negligenciam o fato de as mulheres ligarem menos
para ideologia do que eles.
Algumas pitadas de pessimismo
Os
tempos atuais também permitem constatar o efeito danoso de um traço
típico das mulheres jovens: a maior suscetibilidade à transmissão de
doenças mentais. O fantasma da ideologia de gênero ronda a todos, mas,
segundo as conclusões da cientista Lisa Littman coligidas por Abigail
Shrier em Irreversible Damage (2019), a disforia de gênero de início
rápido tem como vítimas típicas adolescentes do sexo feminino, e é
transmitida socialmente. Segundo a Drª Littman, o roteiro típico
relatado pelos pais é: “Uma filha com ansiedade e dificuldades de
socialização, mas sem manifestações de questões relativas a identidade
de gênero na infância, entra no ensino médio. Lá, se enturma com um
grupo de amigas no qual muitas saem do armário como ‘transgênero’. A
filha faz um anúncio similar; depois sua saúde mental piora.” A Dr.ª
Littman passou a estudar então os surtos de anorexia, que também eram
transmitidos entre as meninas já na era da internet – e lá elas se
juntavam em panelinhas virtuais para cultivarem conjuntamente a doença.
O
próprio efeito da testosterona injetável é benéfico no curto prazo para
a ansiedade. Uma das razões para os homens serem menos ansiosos do que
as mulheres é de ordem biológica mesmo, pois a testosterona tem esse
efeito de reduzir a ansiedade. Assim, uma leve redução na ansiedade pode
ser conquistada pelas meninas com um grande custo à sua saúde no longo
prazo.
Ainda
por cima, já é consenso entre os psicólogos sociais que o smartphone
causou uma alta especialmente grande de ansiedade e depressão entre as
meninas. Ao que parece, elas se preocupam muito mais com a própria
aceitação social do que os meninos, de modo que uma foto ruim no
Instagram ou similar tem uma importância de vida ou morte – e a foto
está lá exposta, sujeita a reações, durante 24 horas por dia, sete dias
por semana.
Last,
but not least, as meninas estão sendo levadas a crer, pela propaganda,
que dar certo na vida é ganhar muito dinheiro mostrando a bunda para os
homens admirarem. É claro que isso aumenta a oferta de bundas no
mercado, e, com o aumento da oferta, vem a queda do preço. Moral da
história: a mulher (essa menina problemática que está crescendo)
precisará dar um golpe, porque, em seu imaginário e em suas referências,
não dispõe de meios honestos de ganhar a vida. Ao cabo, o estilo de
vida do misógino que quer comprar gostosas é moldado pelo comportamento
dessa mulher, do mesmo jeito que o do homem que jura ser feminista
apenas para conseguir sexo.
Assim,
essa nova mulher criada pelo progressismo está pronta para alugar o seu
corpo e viver como uma loba solitária, certa de que será abandonada
caso o corpo degringole. (E tome-lhe paranoia com botox e preenchimento,
feitos mesmo por jovens bonitas.) Como a degringolada é inevitável, não
é de surpreender que a expectativa de vida venha caindo nos EUA, a
pátria do progressismo. Os homens que essas mulheres moldam tampouco
vivem bem, já que serão outros lobos solitários com medo do abandono e
que vivem pensando em contragolpe.
Mudança geracional?
Pertenço
à última geração que não é “nativa digital”. De minha parte, sempre
achei que a carreira intelectual e a exploração da aparência são coisas
mutuamente excludentes, de modo que estranhei quando intelectuais
empoderadas começaram a aparecer em capa de revista feminina com
maquiagem produzida e ensaio de fotos. Nunca vi minha bunda como uma
possível fonte de renda; mas, se eu concluísse que minha bunda é minha
única chance de conseguir dinheiro o suficiente pra viver, seria após
ter abandonado todas atividades intelectuais. Por outro lado, uma amiga
mais nova, de outra geração, faz medicina em federal e tem colegas que
se orgulham de ter um Only Fans, isto é, uma página onde vende fotos
sensuais. Ou seja: na cabeça de um certo nicho dessa geração – nicho
esse que não sei dimensionar –, o que conta mesmo numa mulher é a bunda.
No ambulatório, essa mesma amiga tem observado a explosão de AIDS entre
moças de bairros nobres que se prostituem sem a menor necessidade. No
topo da sociedade, a moralidade mudou; na base, vê-se a mudança entre os
traficantes e suas periguetes rotativas.
Eu
peguei a época em que era possível ser desafiador defendendo, por
exemplo, casamento gay. Num curto período, a coisa se inverteu, e é
possível alguém parar na cadeia por defender o oposto.
Pode-se
dizer que as mulheres são guardiãs da moralidade vigente. Um monte de
homem se junta para derrubar um regime e fazer uma revolução; depois, as
mulheres se encarregam de manter os costumes. Quando a moral religiosa
estava em vigência – ou seja, até ontem – era comum os espíritos mais
rebeldes detestarem a panelinha de carolas que ficava cuidando da vida
alheia enquanto afetava virtudes. Nos dias de hoje, as panelinhas que
desempenham função idêntica são compostas por feministas. Isso é um
indício de mudança no status quo – e, para voltarmos à vaca fria, o
homem que se submete a ele é gado demais.
Antes
dessa mudança, as mulheres contribuíam para tornar os homens mais
sociais. Davam estabilidade emocional às famílias, serviam de juízas em
questões relativas ao gosto. Pode-se dizer que mulheres tendem a ser,
por natureza, uma senhora cola social.
Quem
quiser envenenar uma sociedade terá maiores chances de êxito se
envenenar as mulheres. E não parece coisa difícil, quando as meninas são
educadas por smartphones: toda a empatia é voltada para doenças
mentais; toda a sociabilidade, contra os homens; toda a vontade de
aceitação, para os moldes antissociais do progressismo.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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