Pesquisa Gallup mostra como raramente houve na história uma transformação comportamental tão rápida e extrema, refletindo aceleração de percepções. Vilma Gryzinski:
“Como
você sabe que é homossexual? Quando faz Justin Bieber parecer hétero”. É
claro que a piadinha, uma das rara publicáveis, fica mais engraçada
contada com verve gay.
E
como você sabe se “parece” haver mais pessoas da turma LBGT por que
ficou mais fácil assumir ou por que é um modismo dos tempos atuais?
Resposta: não é possível cravar nenhuma opção. Mas com certeza a percepção do “parece” é confirmada pelos números.
Segundo
uma pesquisa feita pela Gallup nos Estados Unidos, o número de
americanos que se declaram LBGT (o instituto dispensou as outras letras)
é hoje 7,1% da população.
Era
a metade, 3,5%, em 2012. A linha moderadamente ascendente arrancou a
partir de 2017: foi de 4,5% para 5,6% em 2020. O salto para os 7,1%
atuais faz prever que a linha vai continuar a subir.
O
aumento reflete a entrada na vida adulta da Geração Z, os nascidos
entre 1997 e 2003. Nessa faixa, os que se declaram LBGT são 20,8% (75,7%
são heterossexuais e 3,5% não responderam).
Os
quase 21% são praticamente o dobro dos 10,5% de sexualidades
alternativas entre a geração Millenial (nascidos de 1981 a 1996). E
quase dez vezes mais do que a geração Baby Boom (1946 a 1980). Como
protagonistas da revolução sexual e de costumes, os “boomers”, como são
chamados, declaravam apenas 2,6% fora da heterossexualidade.
Hoje,
entre os 7% que se declaram LGBT, 57% se identificam como bissexuais.
Outras filiações: 21% são gays, 14% lésbicas, 10% transgêneros e 4%
alguma outra coisa.
Com
toda a visibilidade que a campanha pelo casamento gay provocou, nos
Estados Unidos e em outros países, apenas 10% dos LBGT são casados com
pessoa do mesmo sexo e 6% têm relação estável, segundo outra pesquisa do
Gallup.
A proporção de pessoas homossexuais e correlatos casadas equivale a apenas 0,7% da população americana.
Como
os relacionamentos fixos tendem a ser aqueles em que os envolvidos
adotam filhos ou fazem inseminação artificial, o número de 20% de jovens
que são LBGT e não casados pode ter consequências sobre o crescimento
populacional.
Populações
que encolhem são um problema em praticamente todos os países
desenvolvidos dos Ocidente, bem como no Japão, na Rússia e na própria
China.
Se
os números de LBGT continuarem o caminho ascendente, como tudo indica,
em poucos anos os Estados Unidos terão 10% da população total nessa
categoria.
No
meio dessa tendência, alguns fenômenos específicos. Um deles: casais de
mulheres lésbicas tendem a se separar mais do que casais de homens gay.
A feminista Julie Bindel cita no Spectator números da Holanda, o
primeiro país onde o casamento homossexual foi reconhecido, em 2005.
Desde então, 15% das parcerias entre homens foram desfeitas, contra 30%
das mulheres em situação equivalente.
Motivo
especulado: por Bindel quando o casamento homossexual foi aprovado,
muitos casais procuraram o reconhecimento social que a legalização
trazia, mas depois descobriram que isso não bastava para manter a união
estável. Outro: mulheres lésbicas tendem a partir para um relacionamento
sério logo no início do envolvimento e pulam fases que confirmariam se
casar é realmente uma boa ideia (piadinha contada por ela: “O que uma
lésbica leva para o primeiro encontro? O gato e um caminhão de
mudança”).
Gays
e lésbicas das primeiras gerações de assumidos, enquadrados nos
“boomers, não queriam saber de gato nem de casamento, mas de aproveitar
um estilo de vida exatamente oposto.
O
que os jovens LBGT querem ainda está sendo definido. Se já são 21% num
país como os Estados Unidos, tenderão progressivamente a deixar de ser
uma minoria pequena para se transformar em minoria grande.
É
uma mudança enorme e acelerada. Em 1997, 68% dos americanos em geral
eram contra no casamento gay nas mesmas bases do hétero e apenas 27%
eram a favor. Hoje, os números são exatamente o oposto. O ponto de
intersecção aconteceu em 2011.
E a aceleração está aumentando de três anos para cá.
BLOG ORLANDO TAMBOSI
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