A urgência desse trabalho supera tudo o que há para ser feito no Brasil de hoje, escreve J. R. Guzzo em sua coluna no Metrópoles:
O Brasil tem uma prioridade só no momento — tirando, naturalmente, o
combate ao coronavírus, que não deixa espaço para escolhas. Na verdade,
não é bem uma prioridade. É uma obrigação. Com eleição
ou sem eleição, com “calendário” apertado ou não, com a imensa
complexidade técnica de se transformar quase toda a máquina de governo
de um país, não há jeito: tem de fazer as reformas essenciais que estão
na mesa para aprovação. Ou é isso ou é crescimento de 1% ao ano pelo resto da vida.
Para quem está na parte alta da pirâmide do bem-estar, da renda e do
patrimônio, não é preciso mudar nada, é claro — se eles vivem tão bem do
jeito que estamos, por que mudar? Deixa assim. Na verdade, é aí, e em
nenhum outro lugar, que se comanda a verdadeira guerra contra as
reformas. Quem está em cima, no caso, não são necessariamente os mais
ricos — muitos deles, por sinal, apoiam com entusiasmo as reformas. O
problema são os que não querem mexer, porque não querem deixar o
conforto, as garantias e o estilo de vida.
Para todo o resto do Brasil, porém, as reformas são a única porta de
saída para uma vida melhor — ou, se não der tempo para eles, para os
seus filhos. Naturalmente, é preciso fazer o serviço direito. Ninguém
está propondo reformas de “qualquer jeito”, pois não adianta mudar para
ficar igual ou pior. Mas a urgência desse trabalho supera tudo o que há
para ser feito no Brasil de hoje.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

Nenhum comentário:
Postar um comentário