São Paulo, agosto de 2025 – Embora
o aleitamento materno seja amplamente incentivado pelos benefícios que
oferece ao recém-nascido e à mãe, ele ainda é cercado por idealizações e
cobranças excessivas. A verdade é que amamentar, por mais natural que
seja, nem sempre é simples ou instintivo, e esse início requer
acolhimento.
Para
a ginecologista e obstetra dra. Marina Gonzales, da Clínica Célula
Mater, credenciada Omint, a amamentação deve ser encarada como um
processo único, construído aos poucos e diferente para cada mulher.
“Amamentar é algo que se aprende, não é instintivo. A produção de leite
varia de mãe para mãe, assim como a resposta do bebê. E nem sempre é
prazeroso desde o início”, destaca.
Dados
do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) mostram
que apenas 45,8% das crianças brasileiras menores de seis meses são
alimentadas exclusivamente com leite materno, número abaixo da meta da
Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o aleitamento
exclusivo até o sexto mês de vida.
Entre
os fatores que dificultam esse processo estão o estresse, a falta de
orientação e a ausência de uma rede de apoio efetiva, conforme explica a
enfermeira obstetra e consultora internacional em lactação da Célula
Mater, Aline Alvares. “Esse pode ser um momento muito solitário para
muitas mulheres. Por isso, a família precisa estar envolvida,
participando ativamente da rotina, seja colocando o bebê para arrotar,
trocando fraldas ou acolhendo a mãe”, comenta.
Sucção, bomba ou mamadeira?
A
dúvida sobre o que mantém a produção de leite é comum. Para dra.
Marina, o contato pele a pele e a sucção do bebê costumam ser mais
eficazes, mas cada família precisa encontrar sua própria dinâmica. “O
importante é entender que não há uma regra. Existem mães que optam por
extrair o leite e alimentar o bebê de outras formas, e está tudo bem”,
diz.
Aline
complementa que a escolha da forma de amamentar deve ser livre de
culpa. “A produção pode diminuir com a ausência da sucção, mas isso não
quer dizer que a amamentação acabou. O importante é respeitar os limites
da mãe e buscar alternativas que funcionem para aquele contexto”.
Mitos que atrapalham
A
desinformação também contribui para o abandono precoce do aleitamento.
Algumas crenças ainda rondam esse momento tão delicado. Entre os
principais mitos apontados pelas profissionais, estão:
· Leite fraco: não existe leite fraco. A composição do leite materno é perfeita para cada bebê.
· Amamentar é instintivo: na verdade, amamentar é um aprendizado, tanto para a mãe quanto para o bebê.
· Existem alimentos que aumentam a produção de leite: nenhum alimento específico tem esse poder. O que realmente ajuda é o contato com o bebê e a hidratação adequada.
· A alimentação da mãe interfere no comportamento do bebê: salvo casos de intolerância, a mãe deve se alimentar bem e com equilíbrio, sem necessidade de restrições alimentares.
· O tamanho da mama interfere na produção de leite: o tamanho das mamas não tem relação com a quantidade de leite produzida.
Pré-natal também prepara para a amamentação
A
orientação precoce pode fazer toda a diferença. Conversar sobre a
amamentação ainda no pré-natal é essencial, sobretudo em casos
específicos, como o de mulheres que fizeram cirurgia de redução de mama e
podem precisar de acompanhamento individualizado desde antes do parto.
“Se
criarmos muitas regras e idealizações, arriscamos perder uma
amamentação que poderia ter sido longa. É uma fase desafiadora, em que a
mulher já se cobra demais. Por isso, nosso papel é ajudar, não
pressionar”, conclui dra. Marina.
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