MEDIÇÃO DE TERRA

MEDIÇÃO DE TERRA
MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 2 de janeiro de 2022

Bolsonaro fez da política um tumor que consumiu os brasileiros em 2021



Não apenas a energia física se foi, mas a psíquica: qualquer conversa resvala sempre para o presidente e seus filhos. João Pereira Coutinho para a FSP:


A pandemia ainda não produziu obras de arte dignas desse nome. Mas existe um filme, por acaso ruim, que captura o espírito do presente: "Tempo", de M. Night Shyamalan.

Conto rápido: uma família chega a um resort turístico. Pai, mãe e crianças, juntamente com outros hóspedes, são levados a uma praia "paradisíaca", para usar o adjetivo cafona das agências de viagens.

Mas o paraíso é enganador: incapazes de sair da praia quando as tragédias começam a acontecer, os turistas percebem que envelhecem rapidamente. Passam algumas horas e já passou uma década. O que significa que os velhos morrem depressa; o pessoal de meia idade fica rapidamente velho (e doente); as crianças viram adolescentes em questão de minutos.

Foi o que senti com essa pandemia. Corrijo. Foi o que senti nos reencontros natalinos desse ano: a família e os amigos que já não se viam há dois anos envelheceram duas décadas. As crianças cresceram demasiado depressa. Os adultos apareceram com rugas, cabelos grisalhos, cabelo nenhum. E barrigas salientes.

Essa sensação é agravada pelo fato de nos termos despedido ontem, ou seja, algures em março de 2020. Mas então passou um dia, porque os dias foram sempre iguais, repetitivos, indistintos, e estamos às portas de 2022.

A sensação não é pessoal. É geral. Quando reapareci aos olhos deles, havia também um esgar de surpresa, que só por decoro não se transformou em grito de horror. Percebo a sensação. Eles despediram-se de uma pessoa e eis que outra tomou o meu lugar.

Esse vírus não levou apenas vidas, economias, projetos. Levou também o que existe de mais precioso em qualquer existência: tempo. O tempo das memórias, das conversas e das experiências que jamais teremos de volta.

É um roubo imperdoável. E isso para ficarmos em Portugal, onde vivo. Tremo só de pensar o que vou encontrar no Brasil daqui a uns meses, quando regressar ao país depois de um hiato de três anos. Terão passado três décadas?

Vou falando com amigos brasileiros. Mas pressinto que, no caso deles, houve duas pandemias, não apenas uma: a do vírus e a do governo. Isso me permitiu cartografar, só pelas suas vozes, um envelhecimento brutal, duas vezes mais rápido que o meu.

No início, quando Bolsonaro ainda era uma criança, elas conservavam a vitalidade dos resistentes. Mas então os meses passaram, os anos também, e comecei a notar que aqueles timbres foram perdendo qualquer coisa. Frescor, talvez. Como se a política brasileira tivesse virado um tumor gigantesco, que consome todas as energias dos pacientes.

Não falo apenas de energia física, mas psíquica: obsessivamente, qualquer conversa resvalava sempre para Bolsonaro, seus filhos e seus seguidores.

E quando eu tentava mudar de assunto, porque no esquema geral do mundo o governo Bolsonaro não passa de um detalhe (privilégios de quem vive longe...), sentia que eles estavam reféns do personagem, como se as sombras da caverna fossem a única realidade possível ou permitida.

É nesses momentos que se entende melhor a sábia observação de que os povos mais felizes são aqueles que desconhecem o nome dos seus governantes.

Agora que um novo ano caminha para nós, esse é o meu desejo para 2022: que o personagem vá embora. Não só pela saúde democrática do Brasil. Minhas razões são mais prosaicas, mais egoístas. Eu só quero os meus amigos de volta.

*

P.S. – Enquanto o ano não acaba, e fazendo jus à tradição, deixo ficar meus filmes, livros e discos de 2021. Colheita modesta, admito, mas meu tempo não foi perdido com os filmes de Rebecca Hall ("Identidade"), Paolo Sorrentino ("A Mão de Deus", uma grande surpresa) e Alexander Nanau (o documentário "Colectiv", obrigatório para qualquer jornalista ou candidato à profissão).

Nos livros, a prosa magistral de Julian Barnes na recriação da Belle Époque (em "O Homem do Casaco Vermelho"), o novo ensaio de Paul Franco ("Rousseau, Nietzsche and the Image of the Human") e os ensaios de Andrew Sullivan, que trazem o conservadorismo para o século 21 ("Out on a Limb: Selected Writing, 1989 – 2021"; experimentem, reacionários, e aprendam alguma coisa).

Musicalmente falando, oscilei entre o Carnegie Hall (com "Mingus at Carnegie Hall") e o Hudson Theatre (com uma nova versão de "Sunday in the Park with George").

Nas séries, "Succession" (que deveria terminar com essa temporada) e uma obra-prima antiga de David Simon a que só agora assisti ("Show Me a Hero").
 
BLOG  ORLANDO  TAMBPSI

 

TROCAR AS FRALDAS DO TEMPO

 


 

Percival Puggina

 

         É comum representar-se a virada da folhinha com o desenho de um bebê que chega para suceder o ancião que se retira. Sai o ano velho e entra o ano novo. O ano velho sai trôpego e fatigado; o novo chega enrolado em fraldas.

O tempo é convenção e relatividade. Meia hora na cadeira do dentista dura bem mais do que meia hora numa roda de amigos. Na infância, é uma eternidade o tempo decorrido entre natais. Minha mãe, porém, tão logo terminava um ano, começava a se preocupar com o Natal vindouro “porque, meu filho, logo, logo é Natal outra vez”.

A vida familiar e a vida social se fazem, entre outras coisas, do cotidiano encontro da maturidade com a juventude. Imagine-se um mundo onde só haja jovens; ou onde, pelo reverso, só existam anciãos. Imagine-se, por fim, a permanente perplexidade em que viveríamos se a virada da folhinha nos trouxesse, com efeito, um tempo novo, flamante, que nos enrolasse nas fraldas da incontinência urinária, com tudo para aprender.

Felizmente não é assim, nem deve ser visto assim. O importante, em cada recomeço, é ali estarmos com a experiência que o passado legou. Aprender da própria vida, aprender da história e, principalmente, aprender da eternidade.

Quem aprende da eternidade aprende para a eternidade. Aprende lições que o tempo não desgasta nem consome, lições que não são superadas, lições para a felicidade e para o bem. Por isso, para os cristãos, a maior e melhor novidade de cada ano será sempre a Boa Nova, que infatigavelmente põe em marcha a História da Salvação, cumprindo o plano de amor do Pai. Bem sei o quanto é contraditório com a cultura contemporânea o que estou afirmando. E reconheço o quanto as pessoas se deixam cativar pela mensagem do hedonismo “revolucionário”, supostamente coletivista e igualitário. Mas é preciso deixar claro que tal mensagem transforma o mundo num grande seio onde, a cada novo ano, se retoma a fase oral e se trocam as fraldas da imaturidade.

         A quantos lerem estas linhas desejo um 2022 de afetos vividos, saudades curadas, aconchego familiar, realizações, vitórias, saúde e paz.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 Pode ser uma imagem de ao ar livre, monumento e texto que diz "Aqui termina teu rostinho bonito, teu nariz empinado, tua arrogância, tua soberba, tua ganância e tua falta de humildade."

A AUTOPROCLAMADA CORAGEM DO STF

 


A AUTOPROCLAMADA CORAGEM DO STF

Percival Puggina

 

Ao longo do último ano esta Suprema Corte e o Poder Judiciário como um todo também enfrentaram ameaças retóricas, que foram combatidas com a união e a coesão dos ministros; e ameaças reais, enfrentadas com posições firmes e decisões corajosas desta Corte. (Ministro Luiz Fux no encerramento do ano judiciário de 2021)

         Pus-me a pensar sobre o que faz a virtude cardeal da Coragem nesse discurso. Não existe coragem, onde não existe o medo. Entre outras características, o ato corajoso representa, necessariamente, uma vitória sobre o medo.  Segundo Aristóteles, o ato de coragem envolve a aplicação da razão, a busca do bem e a disposição de superar o perigo presente na ação.

Tão nobre virtude, faz lembrar, isto sim, a professora Heley Abreu Batista, que em 5 de outubro de 2017 morreu queimada ao salvar as crianças de uma creche em chamas no município mineiro de Janaúba. Coragem teve o sargento Sílvio Delmar Hollenbach, que em agosto de 1977 pulou para a morte ao salvar um menino que caíra no poço das ariranhas. Coragem demonstraram os jovens que correram para a própria tragédia ao entrarem na boate Kiss em chamas para resgatar amigos que lá estavam caídos, pisoteados pelos que conseguiam escapar. Coragem tiveram todos os europeus que esconderam ou deram fuga a judeus na Europa tomada pelos nazistas. Coragem teve o padre Kolbe (São Maximiliano Kolbe), que se ofereceu para morrer por um chefe de família no campo de concentração de Auschwitz. E por aí segue um livro de muitas e nobres páginas.

Não vejo onde inscrever nelas os acontecimentos de 2021 no âmbito do STF. Não vejo coragem – e menos ainda motivos para coragem autoatribuída – por parte e arte de quem libertou corruptos e os devolveu à política nacional, efetuou insólitas prisões políticas, fechou meios de comunicação, inspirou medo, impôs censura, reivindicou para si mesmo uma fé religiosa e inibiu liberdades.

Que espécie de medo terá sido superado por quem assim procedeu? Em que dobras desse tempo se ocultaram a razão e o bem?

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

Com mais 49 mortes por covid, Brasil atinge 619.105

 



A NOVA CONFIGURAÇÃO DA “POLÍTICA DAS TESOURAS” VIRÁ COM UM EXÉRCITO DE ESQUERDA PARA ENFRENTAR BOLSONARO

 


Reconhecidamente grandes “mestres” em tapear todos os povos ,Hegel e Karl Marx,nas suas respectivas “dialéticas”, desenvolveram  a “política”,ou “estratégia das tesouras”,segundo a qual a esquerda adotaria sempre dois candidatos,nas eleições presidenciais de que participasse,um dos quais da esquerda mais “radical”,visível,transparente,outro da esquerda mais moderada,disfarçada,branda,os quais deveriam sempre polarizar qualquer eleição no sentido de garantir a vitória de um ,ou de outro,mas sempre assegurando a vitória da esquerda.

O grande “politiqueiro” do Brasil, professor e sociólogo Fernando Henrique Cardoso,na condição de então  Ministro da Fazenda do Presidente Itamar Franco,em 1993,valendo-se do grande sucesso do Plano Econômico chamado “Plano Real”,elaborado pela equipe de técnicos do seu ministério,e passando a colher pessoalmente os seus “louros”,sem entender nada da economia e,sim,talvez alguma coisa  de “sociologia”,e com certeza ,muito de “sacanagem política”,viu com muito oportunismo  nesse plano a grande chance de “decolar” a sua candidatura a presidente da república,uma vez que esse plano assegurou durante um curto período de tempo o direito do pobre colocar na sua mesa e  consumir  galinha muito barata.

Nesse “embalo”de prestígio pessoal pela obra de outros, pegou o primeiro avião que partia para os Estados Unidos ,mas  antes  combinou um encontro lá com o líder sindicalista Lula da Silva,o mais expressivo representante do Partido dos Trabalhadores,e que em 1990 havia fundado,junto com Fidel Castro,o “Foro San Pablo”,uma organização plurinacional cuja meta seria estabelecer o socialismo em toda a América Latina.

O “intelectual” FHC,espertamente, escolheu a charmosa Universidade de Princeton,da cidade do mesmo nome,e ali assinou,juntamente com Lula - o primeiro representando o “Diálogo Interamericano”(de esquerda),e Lula, o PT e o  Foro San Pablo – ao que  chamaram de  “Pacto de Princeton”,adotando na íntegra a estratégia das tesouras,das dialéticas Hegel  e Karl Marx,o qual estabeleceu,conforme o “pacto’,um rodízio,ou uma alternância no poder político,entre os candidatos dos principais partidos esquerda,ou seja,o PT e o PSDB.

“Dito e feito”. Em 1994 FHC venceu a eleição presidencial ,assumindo em 1995,depois ”arranjando”a sua própria reeleição,através de uma “PEC”,surgida do “toma-lá-dá-cá” entre o Planalto e o Congresso,e governando até 1993,quando passou a “coroa” do “Pacto de Princeton”,a Lula da Silva,do PT,que também foi reeleito e governou até 2010,sucedido que foi por Dilma Rousseff,também do PT,que governou de 2010 até 2016,também reeleita em 2014,mas que teve o seu mandato interrompido por “impeachment”,em 2016,sendo sucedida pelo “vice” José Temer.

Mas na evolução e na plena vigência do antigo “Pacto de Princeton”,de 1993,que não foi revogado,derrogado,ou “ab-rogado”,e agora visando as eleições presidenciais de 2022,que terá o atual Presidente Jair Bolsonaro como candidato à reeleição,dessa vez adotando a sigla partidária “PL”,a esquerda brasileira “inovou” a “tesoura” do Pacto de Princeton.                

Continuará com um candidato “radical” de esquerda (que é de esquerda apenas por conveniência política,não por convicção, ou conhecimento de qualquer doutrina socialista),que passa a ser uma das “lâminas” da tesoura,a “radical”,novamente na pessoa de Lula da Silva,que já exerceu dois mandatos anteriores (de 2003 a 2010),e trocará a “segunda làmina” da tesoura do Pacto de Princeton,a “moderada”,por DIVERSAS OUTRAS LÂMINAS,também de esquerda,em escalas de “radicalidade” e “moderação” oscilantes.

Dentre essas novas “lâminas” da “geringonça”em que se transformou a “tesoura” da esquerda,destacam-se João Doria,candidato pelo PSDB,Ciro Gomes,pelo PDT,e um verdadeiro “coringa”que saiu do PSDB e anda à caça de uma candidatura a “vice” por algum partido que queira lhe emprestar a sigla para concorrer a “vice”,mas que é muito “bom de voto” em São Paulo,a exemplo de Doria,Estado com o maior número de eleitores.

Portanto Bolsonaro deve se preparar para enfrentar  um verdadeiro exército  de candidatos de esquerda à presidência,já no primeiro turno das eleições e,se for o caso,no segundo turno, a “união” de todos eles em torno de uma só candidatura,impondo-se registrar que os partidos citados (PT,PSDB e PDT,dentre outros) são integrantes  do Foro San Pablo. Portanto,Bolsonaro deverá enfrentar praticamente sozinho um verdadeiro exército  de candidatos de esquerda,tanto no primeiro,quanto no segundo turno das eleições.

Evidentemente que por motivo de “força maior”,porventura não seria cogitável uma medida preventiva qualquer ,antes da repetição de  uma eventual “tragédia”política, estancar o curso da falcatrua dessas malditas làminas de esquerda da “tesoura” concebida por Hegel e Marx?

Pessoalmente creio que por se tratar de uma situação de “emergência”,qualquer medida seria válida,mesmo que mediante alguma  alternativa  não contemplada no pretenso  “estado democrático de direito”,deturpado,e que mais favorece qualquer “patifaria”política que o “stablichment”,na verdade uma “bíblia” da esquerda, deseje fazer.

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado e Sociólogo

sábado, 1 de janeiro de 2022

Bolsonaro sanciona lei que cria MEI Caminhoneiro

 

O projeto foi sugerido no Congresso pelo senador bolsonarista Jorginho Mello (PL-SC) e faz parte do pacote de agrados à categoria, que constantemente faz ameaças de paralisação.


Tribuna da Bahia, Salvador
01/01/2021 15:54 | Atualizado há 4 horas e 6 minutos

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Amanda Pupo e Luci Ribeiro
O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta sexta-feira, 31, o projeto que cria o MEI Caminhoneiro, possibilitando que o transportador autônomo de cargas possa se inscrever como Microempreendedor Individual se tiver um faturamento (receita bruta) anual de até R$ 251,6 mil. O limite é mais de três vezes o valor permitido às outras categorias, de R$ 81 mil.

O projeto foi sugerido no Congresso pelo senador bolsonarista Jorginho Mello (PL-SC) e faz parte do pacote de agrados à categoria, que constantemente faz ameaças de paralisação. A ideia é estimular a formalização dos caminhoneiros como empresários individuais facilitando as condições para a adesão ao MEI e garantindo o acesso ao regime especial que conta com tributação simplificada e menor.

"A sanção presidencial, assim, será relevante para promover o empreendedorismo e o desenvolvimento dos micro e pequenos empreendedores, especialmente aos que atuam com transporte de cargas", afirmou a Secretaria-Geral da Presidência da República

Pela lei, o valor mensal da contribuição dos caminhoneiros enquadrados como MEI para a Seguridade Social será de 12% sobre o salário mínimo mensal.

A lei também mudou as regras de funcionamento do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) em relação ao quórum de reunião e de aprovação. Segundo o governo, foram incluídos no CGSN representante do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e das confederações nacionais de representação do segmento de microempresas e empresas de pequeno porte.

Fonte: Estadão Conteúdo

América do Sul passa de epicentro da pandemia a líder em vacinação

 


Chile, Uruguai e Argentina apresentam os melhores percentuais de imunização completa no subcontinente; Equador e Brasil também têm números altos.


Tribuna da Bahia, Salvador
01/01/2021 12:47 | Atualizado há 6 horas e 52 minutos

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A América do Sul é a região com o pior histórico da pandemia de Covid-19 do mundo, com as ondas mais mortais e o maior acumulado de mortes pela doença no planeta.

Desde que começaram a ser registrados os óbitos de pacientes com Covid-19, houve 2.740 mortes por milhão de habitantes na América do Sul, segundo o banco de dados Our World in Data.

Nos Estados Unidos, foram 2.450; na Europa, 2 mil; e na Ásia, 267.

O pico de mortes diárias ao longo da pandemia também ocorreu na América do Sul, com uma média de 10,85 por milhão de habitantes em abril deste ano.

No entanto, o subcontinente encerra 2021 com um dado auspicioso: é o que possui a maior taxa de vacinação contra o coronavírus, com 63,4% de sua população completamente imunizada (com duas doses ou dose única, conforme o requerimento de cada vacina) e 74,3% de seus 434 milhões de habitantes com pelo menos uma dose, segundo dados oficiais divulgados pela Organização Pan-Americana de Saúde até a última quinta-feira (23/12).

Além disso, de 17 a 23 de dezembro, a região teve uma média diária de 0,7 óbitos por milhão de habitantes, seis vezes menos que a Europa ou os Estados Unidos, segundo a plataforma Our World in Data.

A Europa é a segunda região com mais gente completamente imunizada, um percentual de 60,5%, enquanto outros 4,2% da população estão parcialmente vacinados.

A América do Norte aparece em terceiro lugar, com 59,6% dos 500 milhões de habitantes do México, Estados Unidos e Canadá com a vacinação completa, e os que tomaram pelo menos uma dose somavam 71,4% até a última quinta-feira.

O Caribe apresenta, por sua vez, 43% da população com a imunização completa e 49% com pelo menos uma dose, enquanto na América Central, estes percentuais são de 42% e 54%, respectivamente.

O continente americano como um todo conta com 59,7% da população vacinada com duas doses (ou dose única), 70,8% com pelo menos uma dose e 10,6% com doses de reforço.

Já a Oceania tem 58% de sua população imunizada com duas doses, e a Ásia, 55%. Por último, vem a África, com apenas 8,8% de seus habitantes com o processo de vacinação completo.

Os países mais bem colocados
O país com melhor taxa de vacinação da América do Sul é o Chile, onde 85,6% da população recebeu o programa de imunização completo. Lá, crianças a partir de 3 anos podem tomar a vacina.

Em seguida, aparecem o Uruguai (76,6%), Argentina (76,5%), Equador (69,1%) e Brasil (65,7%).

Em piores condições, estão Guiana, Bolívia e Suriname, com uma taxa inferior a 40%.

Terceira dose
Embora dois países da América do Sul — Chile e Uruguai — registrem altos níveis de vacinação com doses de reforço (52,7% e 42,7%, respectivamente), a média do subcontinente é consideravelmente menor (8,8%).

A Europa é o continente com o maior número de doses de reforço aplicadas (21,5%).

Na América do Norte, 13,4% da população recebeu a dose de reforço.

A Oceania (5%) e a Ásia (4%) são as regiões onde menos se administrou a terceira dose, tirando a África, onde a aplicação do reforço tem sido insignificante.

Fonte: G1.

Defesa Civil atualiza dados sobre população afetada pelas chuvas na Bahia

 


Dos 165 municípios afetados 153 estão em situação de emergência.


Tribuna da Bahia, Salvador
01/01/2021 17:41 | Atualizado há 1 hora e 35 minutos

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Foto: Isac Nóbrega / PR

Com base em informações recebidas das prefeituras, a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) atualizou, na tarde deste sábado (1°), os números referentes à população atingida pelas enchentes que ocorrem em diversas regiões do estado. São 32.737 desabrigados, 57.531 desalojados, 25 mortos e 517 feridos. O número total de atingidos chega a 661.508 pessoas.

Os números correspondem às ocorrências registradas em 165 municípios afetados. É importante destacar que, desse total, 153 estão com decreto de situação de emergência.

As localidades com vítimas fatais são: Amargosa (2), Itaberaba (2), Itamaraju (4), Jucuruçu (3), Macarani (1), Prado (2), Ruy Barbosa (1), Itapetinga (1), Ilhéus (3), Aurelino Leal (1), Itabuna (2), São Félix do Coribe (2) e Ubaitaba (1).

Municípios com decreto de situação de emergência:

1. ALCOBAÇA
2. AMARGOSA
3. AMÉLIA RODRIGUES
4. ANAGÉ
5. ANDARAÍ
6. ANGICAL
7. APUAREMA
8. ARATACA
9. AURELINO LEAL
10. BAIXA GRANDE
11. BARRA DO CHOÇA
12. BARRA DO MENDES
13. BARRA DO ROCHA
14. BELMONTE
15. BELO CAMPO
16. BOA NOVA
17. BOA VISTA DO TUPIM
18. BREJÕES
19. BREJOLÂNDIA
20. BUERAREMA
21. CAATIBA
22. CACHOEIRA
23. CAETANOS
24. CAMACÃ
25. CAMAMU
26. CANAVIEIRAS
27. CÂNDIDO SALES
28. CARAVELAS
29. CARINHANHA
30. CATURAMA
31. COARACI
32. COCOS
33. CONCEIÇÃO DO ALMEIDA
34. CONDEÚBA
35. CORDEIROS
36. COTEGIPE
37. CRAVOLÂNDIA
38. CRISTÓPOLIS
39. DÁRIO MEIRA
40. DOM BÁSILIO
41. ENCRUZILHADA
42. ENTRE RIOS
43. EUNÁPOLIS
44. FEIRA DE SANTANA
45. FIRMINO ALVES
46. FLORESTA AZUL
47. GANDÚ
48. GONGOGI
49. GUARATINGA
50. IAÇU
51. IBICARAI
52. IBICOARA
53. IBICUÍ
54. IBIPEBA
55. IBIRAPITANGA
56. IBIRAPUÃ
57. IBIRATAIA
58. IBITIARA
59. IGRAPIUNA
60. IGUAÍ
61. ILHÉUS
62. IPIAÚ
63. IRAJUBA
64. IRAMAIA
65. ITABELA
66. ITABERABA
67. ITABUNA
68. ITACARÉ
69. ITAETÉ
70. ITAGI
71. ITAGIMIRIM
72. ITAJU DO COLÔNIA
73. ITAJUÍPE
74. ITAMARAJU
75. ITAMBÉ
76. ITANHÉM
77. ITAPÉ
78. ITAPEBI
79. ITAPETINGA
80. ITAPITANGA
81. ITAQUARA
82. ITARANTIM
83. ITORORÓ
84. ITUBERÁ
85. JAGUAQUARA
86. JEQUIÉ
87. JIQUIRIÇÁ
88. JITAÚNA
89. JUCURUÇU
90. JUSSARI
91. JUSSIAPE
92. LAFAIETE COUTINHO
93. LAGOA REAL
94. LAJE
95. LAJEDÃO
96. LENÇÓIS
97. LIVRAMENTO DE NOSSA SENHORA
98. MACARANI
99. MANOEL VITORINO
100. MARAGOGIPE
101. MARCIONÍLIO DE SOUZA
102. MASCOTE
103. MEDEIROS NETO
104. MILAGRES
105. MUCUGÊ
106. MUCURI
107. MUNDO NOVO
108. MUTUÍPE
109. NAZARÉ
110. NILO PEÇANHA
111. NOVA CANAÃ
112. NOVA VIÇOSA
113. NOVO HORIZONTE
114. PALMAS DE MONTE ALTO
115. PARAMIRIM
116. PARATINGA
117. PAU BRASIL
118. PIRAÍ DO NORTE
119. PLANALTO
120. POÇÕES
121. PORTO SEGURO
122. POTIRAGUÁ
123. PRADO
124. PRESIDENTE JÂNIO QUADROS
125. PRESIDENTE TANCREDO NEVES
126. RIACHO DE SANTANA
127. RIBEIRA DO POMBAL
128. RIBEIRÃO DO LARGO
129. RIO DE CONTAS
130. RUY BARBOSA
131. SANTA CRUZ CABRÁLIA
132. SANTA CRUZ DA VITÓRIA
133. SANTA INÊS
134. SANTA MARIA DA VITÓRIA
135. SANTANÓPOLIS
136. SÃO FÉLIX
137. SÃO FÉLIX DO CORIBE
138. SERRA DOURADA
139. TABOCAS DO BREJO VELHO
140. TANHAÇU
141. TAPEROÁ
142. TEIXEIRA DE FREITAS
143. TEOLÂNDIA
144. TREMEDAL
145. UBAÍRA
146. UBAITABA
147. UBATÃ
148. URUÇUCA
149. VALENÇA
150. VEREDA
151. VITÓRIA DA CONQUISTA
152. WANDERLEY
153. WENCESLAU GUIMARÃES

As ações realizadas pelo Governo do Estado podem ser conferidas no www.ba.gov.br.

Austrália começa 2022 com novo recorde de casos de covid-19

 


Em meio à circulação simultânea de duas variantes, a Delta e a Ômicron, diversos países da Europa e também os Estados Unidos registraram recordes de casos nos últimos dias.


Tribuna da Bahia, Salvador
01/01/2021 15:20 | Atualizado há 3 horas e 55 minutos

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Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases/ NIAID / Direitos reservados

A Austrália começou o ano de 2022 com um número recorde de novos casos de covid-19, à medida que aumentam os surtos nos estados do leste. Ao todo, foram registrados 33.161 casos neste sábado, 1º. Devido ao número de pessoas hospitalizadas, estados falam em flexibilizar suas regras de isolamento para profissionais de saúde.

Nova Gales do Sul, o estado mais populoso, e Victoria registraram, respectivamente, 22.577 e 7.442 casos neste sábado segundo dados do departamento de saúde. Quatro pessoas morreram no primeiro estado e nove no segundo, elevando o número nacional de óbitos para 2.250.

O país já havia superado seu recorde anterior de 32.946 infecções registrado na última sexta-feira, 31, antes mesmo que os números da Austrália do Sul, Austrália Ocidental e Território do Norte fossem divulgados.

Todos os estados australianos, exceto a Austrália Ocidental, começaram uma política de viver com o vírus após atingir níveis altos de vacinação. Com isso, houve maior flexibilização das restrições e, consequentemente, elevação dos casos.

O governo de Nova Gales do Sul mudou suas regras de auto-isolamento para trabalhadores de saúde assintomáticos que foram classificados como contato próximo de um caso confirmado, dando-lhes isenção caso sejam considerados essenciais para seu local de trabalho.

Ao longo da semana seguinte ao dia de Natal, os casos em Nova Gales do Sul mais do que triplicaram. As hospitalizações por covid-19 mais do que dobraram de 388 para 901, enquanto o número de pessoas em unidades de terapia intensiva aumentou cerca de 50% para 79.

Europa e EUA com recordes consecutivos

Em meio à circulação simultânea de duas variantes, a Delta e a Ômicron, diversos países da Europa e também os Estados Unidos registraram recordes de casos nos últimos dias. No Reino Unido, a falta de trabalhadores de saúde devido a contaminações e isolamento está levando a uma sobrecarga do sistema de saúde.

De acordo com os números divulgados na sexta-feira pelo serviço de saúde britânico, mais de 24.000 funcionários precisaram se isolar por estarem infectados com o coronavírus ou por serem casos de contato. É mais do que o dobro do registrado há um mês, quando menos de 12.000 funcionários se afastaram no final de novembro.

Esta falta de pessoal ocorre justamente quando o número de pacientes hospitalizados com covid-19 segue aumentando, com 1 900 admissões anunciadas na sexta-feira, 60% mais do que uma semana antes.

O número de infecções no Reino Unido atingiu níveis recorde, com mais 189.000 casos registrados na sexta-feira e 203 mortes, elevando o total para 148.624.

Ainda assim, novas restrições na Inglaterra serão introduzidas apenas como último recurso, disse o ministro da Saúde Sajid Javid. Ele destacou que, embora as hospitalizações estejam crescendo, o número de internados em UTIs permanece estável.

Os recordes consecutivos, que levou o mundo a registrar mais de 1 milhão de infecções na terça-feira, 28, impactou as celebrações de Ano Novo, com Paris cancelando seu show de fogos de artifício, Londres relegando para a televisão e Nova York restringindo sua famosa celebração de lançamento da bola na Times Square.

Fonte: Estadão Conteúdo

Presidente prorroga isenção de IPI na compra de carro

 


Medida vale para pessoas com deficiência e motoristas profissionais


Tribuna da Bahia, Salvador
01/01/2021 15:17 | Atualizado há 3 horas e 47 minutos

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Foto: Ascom/Saeb

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou o Projeto de Lei (PL) 5.149 de 2020 que prorroga a isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis de até 2 mil cilindradas por motoristas profissionais, como taxistas e motoristas de aplicativos, e para pessoas com deficiência. A sanção foi publicada nesta sexta-feira (31) no Diário Oficial da União (DOU).

A prorrogação da isenção do IPI na compra de veículos novos vale até 31 de dezembro de 2026. O benefício vale para a aquisição de veículos novos de até R$ 200 mil, incluídos os tributos incidentes. Anteriormente, esse limite era de R$ 140 mil.

A isenção vale para motoristas profissionais e para pessoas com deficiência física, visual, auditiva e mental severa ou profunda e pessoas com transtorno do espectro autista.

O projeto teve um trecho vetado, que ampliava a isenção para incluir acessórios que não sejam de fábrica. Hoje, apenas os acessórios e opcionais que sejam de fábrica são beneficiados pela isenção. O dispositivo foi vetado com o argumento de que não foi feito o cálculo do impacto econômico financeiro, nem foram apresentadas medidas compensatórias.

Fonte: Agência Brasil

Bahia registra 171 casos novos de Covid e mais 1 óbito

 



Na Bahia, nas últimas 24 horas, foram registrados 171 casos de Covid-19 (taxa de crescimento de +0,01%) e 158 recuperados (+0,01%). O boletim epidemiológico deste sábado (1) também registra 1 óbito. Dos 1.271.029 casos confirmados desde o início da pandemia, 1.241.692 já são considerados recuperados, 1.830 encontram-se ativos e 27.507 tiveram óbito confirmado. Os dados ainda podem sofrer alterações devido à instabilidade do sistema do Ministério da Saúde. A base ministerial tem, eventualmente, disponibilizado informações inconsistentes ou incompletas. O boletim epidemiológico contabiliza ainda 1.686.757 casos descartados e 262.511 em investigação. Estes dados representam notificações oficiais compiladas pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica em Saúde da Bahia (Divep-BA), em conjunto com as vigilâncias municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17 horas deste sábado. Na Bahia, 52.693 profissionais da saúde foram confirmados para Covid-19. Até o momento temos 10.722.783 pessoas vacinadas com a primeira dose, 261.199 com a dose única, 8.833.106 com a segunda dose e 1.367.349 com a dose de reforço.

Itabuna: 35.453 casos de covid (+19) Ilhéus: 22.493 (+0) (Sesab)

 


 Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "ΝΑ VIDA É NECESSÁRIO TRÊS COISAS.A HUMILDADE DE NÃO SE SENTIR SUPERIOR A NINGUÉM A CORAGEM PARA ENFRENTAR QUALQUER SITUAÇÃO SABEDORIA PARA FICAR QUIETO DIANTE DA ESTÚPIDEZ DE CERTAS PESSOAS."

Com mais 49 mortes por covid, Brasil atinge 619.105

 



Um filósofo paranoico para entender a maluquice das pessoas com a pandemia

 



O livro de Foucault que escolhi para ler foi A História da Loucura. É um dos primeiros livros, feito antes de ele endoidar. E de fato é pertinente para entender a maluquice das pessoas no trato com a pandemia. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povo:


Uma das incontáveis confusões ideológicas que a pandemia trouxe foi a dos foucaultianos pró-passaporte vacinal e indústria farmacêutica. Foucault não era o filósofo paranoico que via os hospitais como instituições análogas aos presídios, feitos para vigiar e punir? Aliás, Foucault não era o patrono dos relativistas epistêmicos, que viviam chamando de “discurso” tudo o que os cientistas dizem, como se não existisse uma realidade objetiva? Pois bem: hoje esse povo todo está clamando por passaporte vacinal e jurando de pés juntos que acredita na Ciência, personificada pelo Dr. Fauci, alinhada com o filantropo Bill Gates.

Enquanto isso, eu, que sempre torci o nariz para esse pessoal, comecei a nutrir um profundo ceticismo quanto ao que diz um sem-número de “especialistas”, ora tirados da cartola da imprensa (como Luana The Lioness), ora ocultos sob as profundezas da burocracia (como os técnicos da Anvisa que fazem questão do anonimato). Burocrata inventa é coisa; quando cientista e burocrata se fundem numa pessoa só, convém desconfiar, pois é poder demais. Quando essa figura praticamente ganha poder de polícia (vide São Paulo prendendo pedestre) e até determina quem pode tirar documentos ou não (já que o Nordeste implementou passaporte vacinal para esses serviços), convém rebelar-se. Convém, portanto, dar uma olhadela no que diz o filósofo paranoico que tanto subsidiou relativistas malucos. Será que ele não tem uma dose de razão?

Foucault, gay?

Foucault tem fases e foi ficando maluco com o tempo, até praticamente se suicidar por meio de orgias sodomitas em plena epidemia de Aids. Pegou a doença e morreu aos 57 anos.

Antes que reclamem comigo por falar na prática da sodomia, em vez da identidade gay, faço isso tendo em mente justo Foucault, que fazia da identidade homossexual uma invenção moderna. É muito estranho os gays identitários gostarem tanto de Foucault, já que para ele a identidade gay não é nada de definido, quanto menos de inato. Luiz Mott é coerente com seu identitarismo, e por justamente isso escreve contra Foucault, empenhando-se em mostrar que sempre houve ao longo da História uma subcultura gay e portanto uma identidade gay. Homens que sentem atração sexual por homens, mesmo com mulheres à disposição, estariam presentes em qualquer cultura humana, de modo que a identidade gay é um fato da natureza subjacente à cultura. Para Mott, se você, pacato leitor heterossexual, nascesse na Grécia Antiga ou na Arábia Saudita, seria hetero de qualquer jeito.

Foucaultianos da velha guarda, por outro lado, prefeririam enfatizar o amor dos espartanos como prova de que a sodomia é um dado cultural desatrelado de uma identidade fixa. Se o pacato leitor hetero nascesse em Esparta, não teria conversa de biologia, de tendências inatas nem nada: iria integrar a cultura espartana e, portanto, à sodomia. E essa adesão à sodomia não teria nada a ver com desmunhecar nem abrir salão de beleza; o pacato leitor seria um guerreiro com sangue nos olhos, pronto para comer o fígado dos inimigos.

E aí, qual vai ser? Como diz Douglas Murray, as origens da homossexualidade são um mistério. Se fosse 100% inata, como pretendem os identitários, todos os gêmeos univitelinos teriam a mesma orientação sexual – o que não é o caso. Por outro lado (ao menos da última vez em que Eli Vieira escreveu sobre o assunto), os gêmeos univitelinos tendem a ter a mesma orientação sexual e parece haver genes influenciando na orientação sexual, ainda que não haja uma determinação.

É provável que, como quase tudo na humanidade, a sexualidade tenha algo de imponderável, em meio a influências naturais e culturais. Isso explicaria por que um culturalista (como Foucault) consegue reunir evidências de que a homossexualidade é um dado cultural e por que um inatista (como Mott) conseguiria reunir evidências através de culturas diferentes de que a homossexualidade é um dado da natureza.

Por isso gosto da ideia de que os autores podem ter uma dose de razão, e portanto vale ouvi-los, por mais que detestemos os seus seguidores. É uma imensa bobagem esperar que a razão esteja toda concentrada num único grupo político.

Pureza política

Também não adianta torcer o nariz para todos esses pederastas e dizer que seu pensamento não tem nada a ver com o deles. Se você acha que homossexualidade é uma escolha de conteúdo político e que essa crença é essencial a um conservador, sinto informar que esta crença faz parte do pacote do militante pós-moderno médio. Para o lacrador, a sexualidade é política; portanto, é arbitrária. O lesbianismo político, que foi moda lá pelos anos 70, mandava que as mulheres, independentemente de suas inclinações, só se relacionassem com mulheres para combater o patriarcado. Nos dias de hoje, o militante gay médio racionaliza o sexo entre homens dizendo que é um jeito de eles terem prazer sem produzir mão de obra para o capital. De minha parte, acho ridículo. É muito mais razoável dizer que eles fazem porque acham gostoso e inventam uma desculpa política depois. Ora, tem gay de tudo quanto é posição política. Por outro lado, casar com uma mulher e ter filhos não faz de Freixo, de Boulos ou de Haddad conservadores. São caras normais em sua esfera privada, devem achar gostoso sexo com mulheres e nunca devem ter dito “vou perpetuar as instituições familiares e a espécie humana casando-me com uma só fêmea da espécie e reproduzindo-me com ela”. É claro que podemos apontar incoerência entre discurso e conduta para acusar a hipocrisia, seja no caso de santarrões devassos ou no dos caretas críticos do patriarcado cisnormativo. Mas explicar a conduta são outros quinhentos. Não creio que um mau padre precise de motivos políticos para fazer sexo com beatas, nem que um psolista precise de motivos políticos para ter uma esposa em casa passando os bifinhos.

É estranho e irrazoável misturar orientação política com sexualidade. É presumir que as pessoas têm muito mais deliberação em suas vidas do que a realidade. Não há espaço para a espontaneidade, para o acaso.

Qual livro de Foucault ler?

O livro dele que escolhi para ler foi A História da Loucura. É um dos primeiros livros, feito antes de Foucault endoidar. E de fato é pertinente para entender a maluquice das pessoas no trato com a pandemia.

Como diz o título, o objeto do livro é a loucura. Olhando para a criatura que taca pedra nos outros, nós não temos problemas em dizer que a loucura é um dado objetivo da natureza. Temos problemas é com o foucaultiano antimanicomial que abraça o doido e diz que ele tem de estar na rua, feliz, tacando pedra nos outros.

Mas, porém, contudo, todavia, qualquer um de nós, pensando bem, há de achar estranho o fato de todo mundo hoje poder ter um problema psiquiátrico para chamar de seu. Basta entrar num consultório que se consegue um diagnóstico e uma receita para remedinho. Apenas isso já basta para desconfiar que há muito de cultural naquilo que presumimos ser de ordem natural, ou seja, a loucura. E o estudo de Foucault foca justamente no que há de cultural na percepção da loucura.

Depois de ter quase pedido desculpas por falar de Foucault, termino este texto por aqui. Na próxima fica A História da Loucura.
 
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