A alotriofagia, também conhecida como síndrome de Pica, é um transtorno alimentar caracterizado pelo desejo de ingerir
substâncias não comestíveis e sem valor nutricional. Por exemplo,
terra, gelo, papel ou cabelo. Ele é mais comum em crianças, gestantes e
pessoas com deficiência intelectual. O comportamento pode ser influenciado por alterações hormonais ou carências nutricionais típicas dessas fases da vida.
"A ingestão de substâncias não alimentares costuma ser uma resposta a necessidades fisiológicas, como deficiência de ferro ou zinco, que são comuns nesses grupos. Para se tornar um transtorno, esse comportamento deve persistir por, pelo menos, um mês, de forma contínua, e ser inapropriado para o estágio de desenvolvimento da pessoa", explica Thaissianne Freires, coordenadora do curso de Nutrição da UNAMA Macapá.
Além das causas biológicas, fatores emocionais e ambientais também desempenham um papel relevante. "Traumas, estresse crônico, negligência, ansiedade, depressão ou transtornos do desenvolvimento, como autismo, podem levar o indivíduo a ingerir substâncias não alimentares. Essa seria uma forma de lidar com o sofrimento psíquico ou buscar conforto", destaca a especialista.
A
participação da família no tratamento é fundamental. "Os familiares e
cuidadores podem ajudar observando e relatando o comportamento a
profissionais de saúde,
oferecer apoio emocional sem julgamento, garantir uma alimentação
equilibrada e participar das terapias, quando indicadas", orienta a
professora.
Embora
silenciosa, a alotriofagia pode ter consequências sérias, como
obstruções intestinais ou intoxicações. Por isso, a intervenção precoce e
o acompanhamento profissional adequado são essenciais para garantir a
saúde e o bem-estar dos pacientes afetados por esse transtorno pouco discutido, mas que merece atenção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário