MEDIÇÃO DE TERRA

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domingo, 7 de setembro de 2025

Alotriofagia: o transtorno que leva pessoas a comerem terra

 


Alotriofagia: o transtorno que leva pessoas a comerem terra

Também conhecido como síndrome de Pica, ele pode indicar deficiências nutricionais ou emocionais, exigindo atenção profissional

Imagem: Istock

A alotriofagia, também conhecida como síndrome de Pica, é um transtorno alimentar caracterizado pelo desejo de ingerir substâncias não comestíveis e sem valor nutricional. Por exemplo, terra, gelo, papel ou cabelo. Ele é mais comum em crianças, gestantes e pessoas com deficiência intelectual. O comportamento pode ser influenciado por alterações hormonais ou carências nutricionais típicadessas fases da vida.


"A ingestão de substâncias não alimentares costuma ser uma resposta a necessidades fisiológicas, como deficiência de ferro ou zinco, que são comuns nesses grupos. Para se tornar um transtorno, esse comportamento deve persistir por, pelo menos, um mês, de forma contínua, e ser inapropriado para o estágio de desenvolvimento da pessoa", explica Thaissianne Freires, coordenadora do curso de Nutrição da UNAMA Macapá.


Além das causas biológicas, fatores emocionais e ambientais também desempenham um papel relevante. "Traumas, estresse crônico, negligência, ansiedade, depressão ou transtornos do desenvolvimento, como autismo, podem levar o indivíduo a ingerir substâncias não alimentares. Essa seria uma forma de lidar com o sofrimento psíquico ou buscar conforto", destaca a especialista.


A participação da família no tratamento é fundamental. "Os familiares e cuidadores podem ajudar observando e relatando o comportamento a profissionais de saúde, oferecer apoio emocional sem julgamento, garantir uma alimentação equilibrada e participar das terapias, quando indicadas", orienta a professora.


Embora silenciosa, a alotriofagia pode ter consequências sérias, como obstruções intestinais ou intoxicações. Por isso, a intervenção precoce e o acompanhamento profissional adequado são essenciais para garantir a saúde e o bem-estar dos pacientes afetados por esse transtorno pouco discutido, mas que merece atenção.

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