Para
Ricardo Serone, Diretor Financeiro e de Investimentos da BB
Previdência, cenário exige gestão ativa e cautelosa para fundos de
previdência complementar
O
Comitê de Política Monetária (Copom) manteve, nesta quarta-feira, a
taxa Selic em 15% ao ano, prolongando o cenário de juros elevados no
Brasil. A decisão, já esperada pelo mercado, reforça a atratividade das
aplicações conservadoras de curto prazo e mantém sob pressão os ativos
de risco, exigindo estratégias de alocação mais seletivas e disciplina
na gestão das carteiras.
“A
Selic a 15% ao ano proporciona ganhos consistentes em aplicações
indexadas ao CDI, enquanto a valorização de ações e títulos públicos de
longo prazo continua limitada pelo custo elevado de capital. Nosso foco é
proteger o patrimônio dos participantes, capturando rentabilidade em
instrumentos de menor risco e, ao mesmo tempo, avaliando oportunidades
geradas pela queda de preços dos ativos de risco mais elevado”, afirma
Ricardo Serone, Diretor Financeiro e de Investimentos da BB Previdência.
Segundo
o especialista, os fundos de previdência complementar fechada se
beneficiam da renda fixa pós-fixada como principal fonte de retorno, mas
precisam calibrar cuidadosamente a exposição a ativos de risco. “A
pressão sobre ações e títulos longos exige cautela, mas a desvalorização
desses papéis também abre espaço para posicionamentos estratégicos de
médio e longo prazo, preparando as carteiras para um futuro ciclo de
redução da Selic”, comenta.
Na
avaliação de Serone, a manutenção da Selic também está alinhada a
fatores internos e externos observados nos últimos meses. O cenário
doméstico apresentou fortes sinais de arrefecimento da inflação, com
expectativa de convergência para o intervalo da meta no horizonte de 12 a
24 meses. Isso permite ao Banco Central enxergar os efeitos da política
monetária e manter a taxa estável até que as expectativas se consolidem
em torno da meta.
“No
cenário internacional, o grande destaque é a imposição de tarifas de
50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, medida que
pode reduzir a inflação local ao aumentar a oferta de produtos
internamente, mas também trazer pressão cambial e acelerar a inflação.
Além disso, uma eventual redução de juros nos EUA e em outras economias
desenvolvidas pode acelerar o processo de flexibilização monetária no
Brasil”, afirma.
Para
2025, a BB Previdência projeta que a Selic seguirá em 15%. Segundo o
especialista, apenas com a inflação mais próxima da meta o Banco Central
terá espaço para cortes consistentes, o que deve ocorrer apenas no
início do próximo ano.
“A
visão de cenário econômico é centrada na redução gradual da taxa de
inflação mediante a manutenção da taxa Selic em patamar elevado. Assim,
somente quando a inflação chegar mais próximo da meta esperamos reduções
de juros, o que projetamos que deve ocorrer somente no início do ano
que vem”, diz.
O cenário macroeconômico reforça essa postura. De acordo com o Boletim Focus, a inflação projetada para 2025 é de 5,10%, enquanto para 2026 recuou para 4,45%, já abaixo do teto da meta.
“Diante
desse contexto, a BB Previdência mantém uma gestão ativa, equilibrando
segurança e oportunidade, com o objetivo de garantir rentabilidade
sustentável e proteger os planos de seus participantes em todas as fases
do ciclo econômico”, conclui.
Sobre a BB Previdência
A
BB Previdência, que faz parte do conglomerado Banco do Brasil, tem o
propósito de realizar o sonho das pessoas com planejamento financeiro
para um futuro mais tranquilo. Ao longo dos últimos anos, a instituição
tem investido em um contínuo processo de transformação digital, cujo
objetivo é inovar e fornecer serviços com ainda mais excelência. Fundada
em 1994, a Entidade é uma das principais gestoras de previdência
complementar do País, administra carteira com mais de 253 mil
participantes em 42 planos de benefícios e tem cerca de R$ 8,7 bilhões
de ativos sob gestão, em números atuais.
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