Julho
é o mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, infecções
silenciosas que podem levar a complicações graves se não forem
diagnosticadas a tempo. Causadas por diferentes tipos de vírus (A, B, C,
D e E), essas doenças representam sério problema de saúde pública em
todo o mundo. De acordo com o Ministério da Saúde e a Organização
Mundial da Saúde(OMS), o Brasil registra anualmente cerca de 45 mil
novos casos de hepatites virais, sendo a hepatite B a de mais
prevalência, com aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros infectados,
com 35 mil novos casos por ano. Já a hepatite C atinge cerca de 1 milhão
de pessoas, com 20 mil novos diagnósticos anuais, e a hepatite A,
embora menos grave, apresenta 10 mil novos casos por ano, concentrados
principalmente em regiões com saneamento precário.
Os
grupos de maior risco incluem profissionais de Saúde, usuários de
drogas, população LGBTQIA+ e pessoas com múltiplos parceiros sexuais. A
região Norte do País apresenta os maiores índices de infecção, seguida
pelo Nordeste. A vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz de
prevenção, com cobertura vacinal para hepatites A e B próxima a 80% em
crianças e adolescentes.
A
Dra. Marilia Imthon, médica de família, explicou a importância da
conscientização sobre o combate às hepatites para a saúde pública, uma
vez que a doença é uma inflamação do fígado causada por diferentes
fatores.
“O fígado é um órgão vital, responsável
por uma verdadeira central de operações no nosso corpo. Ele filtra
toxinas do sangue, armazena e distribui nutrientes e produz proteínas
importantes – como as do sangue e as que ajudam a combater infecções –,
além de ser essencial para a digestão de gorduras e o metabolismo de
medicamentos e hormônios”, destaca a médica.
Ela explica
também que, além das hepatites causadas por vírus, existem outras
formas de inflamação do fígado: a hepatite alcoólica, provocada pelo
consumo excessivo e regular de álcool, que prejudica as células do
fígado e pode levar à cirrose e a Doença Hepática Gordurosa Metabólica
(MASLD), antiga esteatose hepática, que é associada ao acúmulo de
gordura no fígado e geralmente relacionada ao sobrepeso, obesidade,
diabetes e colesterol alto. A MASLD é uma das causas mais comuns de
doenças hepáticas atualmente.
Recentemente o
cantor João Gomes, de 22 anos, anunciou que parou de beber após ser
diagnosticado com gordura no fígado, como é popularmente conhecida a
esteatose hepática (MASLD). É estimado por especialistas que a doença
atinja entre 25% e 30% da população mundial.
“Também
existe a hepatite autoimune: imagine o corpo “se confundindo” e
atacando as próprias células do fígado como se fossem invasores. É uma
condição mais rara, influencia fatores genéticos e ambientais, e requer
tratamento específico”, disse.
Certos
remédios, quando usados em excesso ou sem orientação médica, também
podem causar inflamação no fígado. No contexto das hepatites virais, que
são o foco principal deste mês, entre os tipos mais comuns estão as
hepatites A, B, C, D e E, sendo as três primeiras as que preocupam mais
devido à sua prevalência e formas de transmissão. “A hepatite A, por
exemplo, é transmitida principalmente pela água ou por alimentos
contaminados, já a B e a C pela exposição ao sangue ou contato sexual”,
esclarece. Ela lembra ainda que, embora o fígado seja o principal órgão
afetado, complicações podem atingir outros órgãos, como os rins e o
cérebro.
Identificar a
hepatite pode ser um desafio, já que os sintomas iniciais são
geralmente leves ou inexistentes. Porém, sinais como cansaço, dor no
lado direito do abdôme, urina escura e icterícia — aquele amarelado na
pele e olhos — merecem atenção. “Ao notar esses sinais é fundamental
procurar um médico para avaliação”, recomenda Dra. Marilia. Não há faixa
etária específica mais atingida, mas certos grupos são mais
prevalentes, como usuários de drogas injetáveis, pessoas com múltiplos
parceiros sexuais sem proteção e profissionais da Saúde que estão mais
expostos aos tipos B,C,D.
Essas
hepatites são chamadas de “hepatites de transmissão parenteral”, pois o
vírus entra no corpo através do contato com sangue contaminado ou
outros fluidos corporais. Já a hepatite A e E é transmitida por via
fecal-oral e predomina em locais com saneamento precário, sendo
transmitida pelo consumo de água e alimentos contaminados “Também é
essencial que a população se informe sobre a vacinação para hepatite A e
B, que é a forma mais eficaz de prevenção”, alerta a médica. Segundo
ela, prevenir é mesmo o melhor caminho e manter bons hábitos de higiene,
usar preservativos, evitar o compartilhamento de objetos pessoais
cortantes e exigir materiais descartáveis em procedimentos como
tatuagens e piercings são atitudes fundamentais”, reforça a médica.
Por
fim, a Dra. Marília destaca que, sem diagnóstico e tratamento
adequados, as hepatites B e C podem evoluir para quadros graves, como
cirrose e câncer de fígado. “Por isso, durante este mês reforçamos a
importância da informação. Independentemente da causa, pois todas as
hepatites têm potencial de comprometer gravemente a saúde do fígado.
Prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento médico são fundamentais
para evitar complicações graves”, conclui Dra. Marília Imthon, médica
assistente da BSL Saúde, que administra os residenciais Cora, Vivace,
Bem Viver, Cora Premium, a Assistcare Home Care, as Clínicas Sainte
Marie e a Gaia Cuidadores
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