São Paulo, agosto de 2025.
Em um cenário onde o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos ainda
atinge 14,9% no Brasil, segundo dados mais recentes do IBGE, o setor de
telesserviços se consolidou como uma das principais portas de entrada
para o mercado de trabalho formal. Com ampla capilaridade, horários
flexíveis e programas internos de capacitação, o segmento atrai jovens
em busca de sua primeira experiência profissional e oferece
oportunidades reais de crescimento.
“É
um setor que acolhe, treina e aposta no potencial do jovem mesmo quando
ele não tem experiência anterior”, afirma Gabriel Nunes, 27 anos, hoje
colaborador da empresa Paschoalotto e representante da nova geração que
enxerga no telesserviço um trampolim para a carreira.
Gabriel
começou como operador de atendimento aos 18 anos, deixou a empresa um
ano e meio depois por motivos pessoais. Trabalhou em mercados e outros
setores, mas percebeu que a chance de crescimento não era a mesma.
Quatro anos após seu retorno à Paschoalotto, ele segue na área e cursa
faculdade de marketing, conciliando os estudos com a jornada de
trabalho, algo possível graças à estrutura e à flexibilidade oferecidas
pelo setor.
“Nem
sempre a imagem do setor corresponde à realidade. Aqui encontrei um
ambiente que valoriza a diversidade e me ajudou a desenvolver minhas
potencialidades”, reforça Gabriel.
Segundo
a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), que representa as
maiores empresas do setor, mais de 60% das contratações são destinadas a
profissionais entre 18 e 24 anos. A atividade não exige experiência
prévia e oferece treinamento completo ao novo colaborador.
“Estamos
falando de um setor que emprega cerca de 1,4 milhão de pessoas em todo o
Brasil e que cumpre um papel social importante ao inserir jovens no
mundo do trabalho formal, muitas vezes em sua primeira oportunidade”,
afirma Gustavo Faria, diretor executivo da ABT. “Mais do que isso: é um
setor que permite crescimento, formação técnica, acesso ao ensino e
mobilidade social. A flexibilidade de turnos, aliada ao ambiente de
aprendizagem contínua, permite que muitos jovens ingressem no ensino
superior ou em cursos técnicos ao mesmo tempo em que constroem sua
trajetória profissional.”
Caminhos para a ascensão
Outro
exemplo de trajetória transformadora dentro do setor é o de Pedro
Henrique Nascimento, de 23 anos, atualmente instrutor de treinamento
pleno na empresa Atento, em São Paulo. Ele começou na companhia aos 19
anos como especialista bilíngue em uma operação com foco em soluções
digitais. Com perfil comunicativo e experiência prévia como vendedor
informal, Pedro rapidamente se destacou e foi promovido a consultor em
poucos meses, até chegar ao cargo atual, onde treina turmas com até 30
pessoas.
Pedro
também é músico e pesquisava muito sobre marketing digital e vendas,
antes mesmo de ingressar na empresa, habilidades que aplicou para
aprender melhor a “se vender” tanto na carreira artística quanto no
trabalho. Desde 2022, também cursa faculdade de Publicidade e
Propaganda. Com o apoio da empresa e uma rotina organizada, ele consegue
equilibrar trabalho e educação formal, além de manter sua atuação como
músico. “Entrei buscando uma renda, mas encontrei um caminho de
desenvolvimento pessoal e profissional. Hoje tenho maturidade financeira
e crescei como ser humano”, diz. “Trabalhar com o público mudou a forma
como me comunico com todas as pessoas da minha vida. Fora que construí
minha vida aqui: conheci minha namorada na empresa e estabeleci vínculos
muito fortes com colegas e líderes.”
Para
o futuro, Pedro vê no telesserviço uma plataforma sólida: “A
estabilidade da carreira e a possibilidade de crescer internamente me
atraem. Quero continuar evoluindo dentro do setor”, afirma.
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