Embrapii investe em projetos para desenvolvimento de novas tecnologias da Saúde
O
Dia Mundial da Saúde deste ano marca o aniversário de 75 anos da
Organização Mundial da Saúde (OMS), que, para essa data, destacou entre
as suas mensagens que a atenção primária à saúde é a maneira mais eficaz
de levar saúde às pessoas. Com esse objetivo, a Embrapii (Empresa
Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) atua no impulsionamento do
desenvolvimento de soluções inovadoras para o diagnóstico rápido de
doenças graves e raras. São tecnologias que agilizam e tornam
financeiramente mais acessíveis os diagnósticos de patologias, o que é
essencial para o tratamento dos doentes.
Entre
as iniciativas, está um teste instantâneo que reduz em três meses a
detecção de câncer de colo do útero, ou cervical, provocado pelas cepas
mais agressivas do HPV; uma tecnologia que identifica de forma mil vezes
mais rápida as porfirias, doenças raras que causam sintomas
neurológicos graves e podem levar à morte; e o desenvolvimento de
Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) 100% brasileiro para diagnóstico da
dengue, chikungunya e zika .
Ao
ingressarem no mercado, essas soluções inovadoras nacionais terão
impacto direto na vida da população, significando acesso rápido e
adequado dos pacientes aos respectivos tratamentos.
Diagnóstico instantâneo de câncer de colo do útero
A
solução conta com um biossensor que pode permitir a identificação do
papiloma vírus humano (HPV), em estágio de câncer, o que significa um
diagnóstico muito rápido e encaminhamento ao tratamento de forma
imediata. A tecnologia foi desenvolvida, e segue em teste, por
pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Unidade
credenciada pela Embrapii, especializada na área de biotecnologia, em um
projeto liderado pela startup Reddot Bio.
Na
prática, os médicos farão a coleta de uma amostra ginecológica das
pacientes e colocarão o material na solução química com o biossensor
para detecção de material genético do HPV, dentro de um chip de tamanho
aproximado a um cartão de crédito.
O
chip é introduzido em uma máquina de pequeno porte que faz a análise da
reação química e apresenta o diagnóstico em cerca de 5 minutos. Desta
forma, nos casos positivos, os médicos terão condições de orientar as
pacientes sobre a gravidade de cada quadro e já fazer os devidos
encaminhamentos para tratamento rápido da doença, reduzindo
significativamente as chances de evolução para óbito a partir de um
diagnóstico precoce.
Além
de entregar os resultados em questão de minutos, a expectativa é de que
o custo do teste chegue a ser cerca de cinco vezes menor do que todo o
processo atual, que inclui consultas, exames laboratoriais e biópsia.
Rafael
M. Bottos, sócio fundador da Reddot Bio, explica que atualmente a
detecção do câncer cervical pode demorar cerca de três meses no Brasil,
entre a primeira consulta médica, exames, biópsia e diagnóstico final.
Na rede pública ou em localidades de menor infraestrutura, esse tempo
pode ser bem maior.
De
acordo com Instituto Nacional do Câncer (Inca), em todo o Brasil foram
feitos mais de 17 mil diagnósticos de câncer cervical apenas no ano de
2022. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), estima-se que nos
próximos oito anos, até 400 mil mulheres venham a óbito devido à
doença.
“Apesar
de existirem formas de prevenção, a falta de acesso a diagnósticos
acessíveis e de boa qualidade estão entre os principais fatores do
aumento de casos. Essa é uma demanda urgente que nos levou a desenvolver
uma solução, com apoio da Embrapii”, aponta Bottos.
Diagnóstico rápido para doenças raras poderá salvar vidas
As
porfirias são doenças raras causadas por um defeito genético que
provoca deficiência na produção do heme (precursor da hemoglobina e
mioglobina), com acúmulo de moléculas tóxicas no organismo. Os tipos
graves desencadeiam crises agudas com sintomas neurológicos e podem ser
fatais ou causar sequelas neurológicas graves, caso o paciente não seja
diagnosticado e receba tratamento específico com rapidez. E é justamente
sobre essa questão que os pesquisadores do Instituto de Tecnologias da
Saúde do Senai-Cimatec estão debruçados, neste momento.
O
projeto desenvolvido em parceria com a empresa Recordati Rare Diseases
tem apoio da Embrapii. O objetivo é o desenvolvimento e validação
laboratorial de teste rápido para o diagnóstico das crises de porfirias
agudas. Os pesquisadores criaram um protótipo de teste rápido de
detecção de uma substância (porfobilinogênio) que se encontra em altas
concentrações na urina durante uma crise aguda.
Quando
validada, a nova tecnologia vai permitir o diagnóstico do paciente à
beira do leito, em minutos, de maneira mais rápida do que os métodos
existentes atualmente, que exigem dias para fornecer os resultados. A
ferramenta permitirá adoção de medidas terapêuticas efetivas e imediatas
que podem salvar vidas.
“O
desenvolvimento deste kit é necessário, pois as porfirias agudas são
doenças genéticas caracterizadas por apresentarem crises agudas e graves
com sintomas neurológicos inespecíficos, mas, com diagnóstico
frequentemente tardio, podendo levar o paciente a lesões neurológicas
graves e até mesmo a óbito”, destaca o gestor de Novos Negócios do
Senai-Cimatec, Valdir Gomes.
Diagnóstico para doenças tropicais pode ser rápido e eficiente
De
acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o Brasil
teve em 2021 544,4 mil casos prováveis de dengue, 96,2 mil de
chikungunya e 6,4 mil de zika. Apesar da alta prevalência, o diagnóstico
de doenças tropicais ainda é muito impreciso, não havendo soluções
tecnológicas que entreguem resultados com a qualidade e rapidez
necessárias. Para solucionar essa demanda, a Embrapii apoia um projeto
desenvolvido pelo Centro de Química Medicinal (CQMED) da Unicamp e a
empresa Hilab.
O
projeto busca o desenvolvimento tecnológico dos reagentes a serem
utilizados em testagens remotas, com uso de Inteligência Artificial (IA)
para entrega rápida dos diagnósticos. Para isso, o CQMED está
contribuindo com sua ampla expertise no desenvolvimento de enzimas
específicas para o diagnóstico em testes do tipo RT-LAMP.
A
Hilab usará os reagentes em suas tecnologias point-of-care, que
possibilitam a realização de exames diretamente no local de atendimento
como centros de saúde, ambulâncias, consultórios médicos, farmácias,
aeroportos entre outros. O resultado é enviado para a sede da empresa,
onde é duplamente verificado, por inteligência artificial e laudado por
um especialista. O paciente recebe o diagnóstico em um celular
cadastrado em até 30 minutos.
O
aparelho Hilab cabe na palma da mão e funciona com o uso de kits
individuais e transmissão dos resultados via Internet das Coisas (IoT). A
expectativa é que os exames laboratoriais remotos possam ampliar a
cobertura da disponibilidade de exames confiáveis e com resultados
rápidos no país. A pesquisa em andamento deverá ser finalizada neste
ano e o investimento total será de cerca de R$ 1 milhão.
Investimento
A Saúde, juntamente com a Agroindústria, está entre as áreas que lideram as pesquisas apoiadas pela Embrapii.
Os
projetos são classificados em um total de 19 áreas de aplicação, sendo a
Saúde responsável por 12,6% do total, com pesquisas para os mais
diversos fins, incluindo o desenvolvimento de testes de diagnósticos de
doenças.
A
atuação na área da Saúde se intensificou a partir da adesão do
Ministério da Saúde ao contrato de gestão da Embrapii, o que ocorreu a
partir de 2018.
Desde
2020, a Embrapii credenciou cinco novas unidades de pesquisa para as
áreas de fármacos, biofármacos e equipamentos e dispositivos médicos,
além da publicação de uma chamada pública do modelo Basic Funding
Alliance (BFA) com foco em dispositivos médicos em cardiologia e
oncologia.
A
Embrapii também lançou uma chamada pública para criação de um Centro de
Competência e Terapias Avançadas. O objetivo é o desenvolvimento de
projetos de inovação em Engenharia Tecidural, Terapia Celular Avançada e
Terapia Gênica.
Sobre a Embrapii
A
Embrapii é uma organização social que atua em cooperação com
instituições de pesquisa, públicas ou privadas, para atender ao setor
empresarial, com o objetivo de fomentar inovação na indústria. Para
isso, conecta pesquisa e empresas, e divide riscos, ao aportar recursos
não reembolsáveis em projetos que levem à introdução de novos produtos e
processos no mercado. Para ter acesso ao modelo, a empresa deve
apresentar seu desafio tecnológico à Unidade com a competência técnica
que se enquadra às necessidades de seu projeto. A Embrapii possui
contrato de gestão com o Governo Federal, por meio dos Ministérios da
Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação, da Saúde e do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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