Parte da crença ilusória de que ainda vale a pena lutar pelo marxismo firma-se na ideia de que o comunismo nunca chegou a ser implantado. João Valentim para o Observador:
Após
a queda do muro de Berlim talvez os berlinenses tivessem pensado que os
regimes comunistas nunca voltariam a ser desejados ou defendidos pela
geração que iria experienciá-los através dos manuais de história. Mas se
pensaram desta maneira, estavam muito enganados.
Após a queda da cortina de ferro, os povos de Leste
que viveram sob os regimes socialistas impostos pelo terror e violência
de uma ditadura, sentiram um aumento no seu nível de vida e, sobretudo,
uma maior liberdade de expressão. Todos estes cidadãos,
à exceção dos Russos, afirmam que a sua situação económica está melhor
do que nos tempos em que a economia era totalmente controlada pelo
Estado. Com todos estes indicadores, como é que este tipo de ideologia
ainda tem espaço entre os jovens da minha geração?
Em
primeiro lugar, existe uma fraca condenação contra o comunismo. No 1º
manual de história de 12º ano são dedicadas 10 páginas para a explicação
das duas grandes ideologias de extrema-direita, enquanto que a
explicação da repressão imposta pelos regimes comunistas é feita em
apenas 2 páginas. Também o holodomor é omitido, no entanto é feita uma
menção às consequências do holocausto. Com isto, não estou a querer
dizer que os regimes de extrema-direita são condenados injustamente, mas
sim que o comunismo deveria sofrer o mesmo tipo de condenação.
Parte
desta crença ilusória de que ainda vale a pena lutar pelo marxismo
firma-se na ideia de que o comunismo nunca chegou a ser implantado. Este
argumento, usado pelos neo-marxistas, diz-nos que, caso estes tomassem o
poder, iriam aplicar os princípios de Marx perfeitamente, o que revela
alguma ingenuidade. Apesar de o marxismo ser muitas vezes defendido em
nome da compaixão pelos pobres, visto que na teoria este acabaria com as
desigualdades e com a pobreza, quando é posta em prática esta ideologia
gera aprisionamentos em massa, escraviza o proletariado, e assassina os seus cidadãos. Os falhanços destes regimes podem ser provados pelos 100 milhões
de cadáveres que deixaram para trás. Ter a audácia de dizer “mas isso
não foi comunismo a sério” é um desrespeito para todos os que sofreram
em nome da tentativa de implementação de uma utopia.
Os
terrores que passaram pelo Leste Europeu e por alguns países asiáticos
poderiam ter chegado à Europa Ocidental, e não iriam nascer na França ou
em Itália, mas sim em Portugal. Com a revolução de abril, a
extrema-esquerda fez tudo o que pôde para transformar Portugal num
regime comunista. O PCP, que atualmente tem uma juventude partidária
ativa, encorajou saneamentos em diversas instituições, aplicou a reforma
agrária e criou um ambiente anárquico que encaminhava Portugal para a
adoção de um modelo coletivista. Após a intentona revolucionária
ocorrida a 11 de março, foi Vasco Gonçalves um dos responsáveis pela
radicalização do processo revolucionário, que pôs a nossa nação em risco
de se tranformar numa cuba ocidental. Esta figura renasceu graças à
insensata decisão de Carlos Moedas que considerou homenagear quem
destruiu a economia portuguesa nos anos 70.
A
história não se apaga, paga-se. E se esquecermos os erros e as
atrocidades cometidas por ideologias que pretendiam criar o céu na
terra, mas que acabaram por criar o inferno, poderemos pagar um preço
elevado.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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