Ao falar da omissão petista na promoção das reformas, Lula diz que o País não precisa delas. Eis os fatos: não houve e nunca haverá governo do PT reformista. Editorial do Estadão:
A
razia bolsonarista demanda a eleição de um presidente disposto a
trabalhar dobrado na reconstrução do País. A bem da verdade, a crise
política, econômica, social e, sobretudo, moral que está arruinando o
Brasil começou muito antes, durante o trevoso mandarinato lulopetista, e
culminou na eleição de Jair Bolsonaro – mau militar, mau deputado e mau
presidente. Ou seja, com exceção do breve intervalo do governo de
Michel Temer, que representou um instante de racionalidade reformista em
meio a tanta irresponsabilidade demagógica, já se vão 20 anos de
retrocesso e destruição do futuro.
Se
depender de Lula da Silva, no entanto, o atraso será transformado de
vez em política de Estado. Pois o líder das pesquisas de intenção de
voto para presidente diz, sem qualquer constrangimento, que o País,
pasme o leitor, não precisa de reformas – justamente os instrumentos
indispensáveis para modernizar o Brasil, criando as condições para o
desenvolvimento pleno de sua imensa potencialidade.
No
dia 15 passado, Lula deu uma entrevista à rádio Banda B, de Curitiba,
na qual a entrevistadora ousou lhe perguntar por que ele, quando esteve
na Presidência, não promoveu “as reformas que o País tanto precisava”,
embora tivesse apoio da maioria no Congresso. Ótima pergunta. Lula não
se deu ao trabalho nem ao menos de afetar algum ânimo reformista. De
bate-pronto, respondeu: “Mas quem é que disse que o Brasil precisava das
reformas?”.
É
esse o candidato que se apresenta para o trabalho de “reconstrução e
transformação do Brasil”, conforme se lê num papelucho apresentado pelo
PT em 2020 como um plano para o futuro – melhor seria qualificá-lo de
ameaça.
Ora,
quem é contra as reformas – seja as que ainda não foram feitas, seja
aquelas que já foram aprovadas, como a trabalhista e a previdenciária, e
evitaram que o País afundasse ainda mais na crise – não está
interessado em reconstruir nada. Não haverá solidez em nenhum projeto de
governo nem de país se este não estiver escorado em amplas e profundas
reformas; fora disso, resta apenas o populismo estatólatra.
Esta
é a verdade sobre Lula e o PT: não fizeram as reformas porque
consideram que o País não precisa delas. A omissão petista ao longo de
14 anos não se deu por uma questão circunstancial – ou seja, nem sequer
se deram ao trabalho de tentar encaminhar alguma reforma de vulto. Lula e
o PT não fizeram as reformas porque não quiseram e continuam a não
querer.
A
resposta de Lula é um acinte, especialmente com os desempregados e com
as famílias mais vulneráveis. O Estado, inchado, perdulário e dominado
por interesses privados, é incapaz de prestar os serviços básicos para a
população, além de drenar recursos que deveriam ser investidos em
desenvolvimento e na geração de empregos, mas Lula acha que não há
necessidade de reformar nada. Em sua visão, o País não precisaria de
nenhuma mudança estrutural. Ou seja, tudo pode ficar como está.
Se
a resposta de Lula é constrangedora pelo descaramento com que admite a
omissão petista, é ainda mais assustadora pelo que revela a respeito do
presente e do futuro. O declarado desprezo do líder petista pelas
reformas deveria ser suficiente para antever um porvir sombrio, caso se
confirme o favoritismo de Lula e o PT volte ao poder, apesar do
histórico de corrupção e incompetência.
A
despeito das articulações de Lula para posar de centrista, é preciso
ser muito ingênuo para acreditar que um dia haverá um governo do PT
reformista. Lula, fiel à sua natureza, aproveita-se das reformas que
outros fizeram, colhe os frutos e a popularidade das mudanças
estruturais que outros implementaram, mas ele mesmo não quer fazer nada.
Lula não está disposto ao trabalho árduo de promover mudanças
legislativas estruturais, politicamente difíceis e que exigem contrariar
interesses de setores organizados. Prefere ridicularizá-las.
A
educação, a saúde, a economia e tantos outros setores fundamentais do
País precisam urgentemente das reformas para funcionarem melhor. Basta
de populismo negacionista.
BLOG ORLANDO TAMBOSI
Nenhum comentário:
Postar um comentário