Coluna de Guilherme Fiuza para a Gazeta do Povo:
O Senado Federal está com inveja do STF e entrou firme na disputa
pela instituição mais nociva ao povo brasileiro. Depois de aprovar o
projeto de lei das Fake News – mais conhecido como Lei da Mordaça – o
Senado resolveu enfiar uma faca nas costas, no bolso, enfim, no futuro
do Brasil. Adélio Bispo é um amador perto do instinto assassino dos
senadores da República.
A derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro ao aumento salarial
de servidores públicos durante a pandemia foi um atentado ao país. Num
momento em que os brasileiros enfrentam graves restrições em todos os
setores – e iniciam uma economia de guerra para atravessar a recessão do
coronavírus – o Senado Federal afronta o povo com a sua
irresponsabilidade. Em seu cálculo mesquinho (e burro), os senadores
resolveram surfar na demagogia “antibolsonarista” se fingindo de Papai
Noel do privilégio ao funcionalismo público.
Mas todo mundo entendeu o truque tosco. Todo mundo viu o vexame. Todo
mundo captou o oportunismo criminoso em meio à tragédia. E a Câmara dos
Deputados derrubou a derrubada do veto – ou seja, desfez o contrabando.
Não deixe de pesquisar e decorar os nomes dos fanfarrões fantasiados
de representantes do povo que tentaram perpetrar essa insanidade. E note
que vários deles pertencem ao grupo autointitulado “Muda Senado” – um
ajuntamento de tucanos, ex-tucanos e genéricos de banho tomado,
perfumados e em dia com a norma culta do idioma para exercer sua
novidade apodrecida. É essa a mudança que representa um Álvaro Dias. Ou
um Antonio Anastasia – que parece ter decidido trocar seu bom
conhecimento de responsabilidade fiscal pela mais primária
irresponsabilidade eleitoral.
Esses políticos ainda acreditam que a coreografia contra o fascismo
imaginário dá voto. Vão afundar abraçados às suas boas maneiras e
péssimas premissas.
Os golpistas cheirosos do Senado apostaram também na censura. Muda
Senado para pior. Muda Senado da democracia para a escuridão. No caso da
aprovação da Lei da Mordaça – que institui os senhores da verdade para
decidir quem fala e quem cala a boca – esses caridosos com chapéu alheio
contaram com o reforço de ex-democratas como Tasso Jereissati e José
Serra. Todos empenhados em controlar as redes sociais – se aliando enfim
ao velho instinto petista de botar cabresto na informação – e tentando
puxar o saco da grande imprensa contra o “bolsonarismo”.
Não se sabe se atentaram contra a liberdade de expressão por miopia
ou por má fé, mas não faz diferença. A embalagem civilizada hoje
corresponde a um conteúdo reacionário – e os gatos escondidos com rabo
de fora pensam que ninguém os viu. Gato mia?
A derrubada do contrabando orçamentário na Câmara dos Deputados foi
liderada por Rodrigo Maia. É um político que já andou tentando
atrapalhar a agenda de reconstrução proposta pelo Executivo, mas tem
surpreendido positivamente em certos momentos. Ajudou na aprovação da
reforma da Previdência e acaba de selar um compromisso público de
responsabilidade fiscal com o governo.
Se atuar também para derrubar a Mordaça, crescerá politicamente e ajudará a democracia.

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