O percentual de jovens, especialmente meninas, que reportam algum tipo
de disforia de gênero aumentou subitamente e de forma dramática, observa
Nicole Russell, colaboradora do Daily Signal, em artigo traduzido para a
Gazeta. Com tanta propaganda, digo eu, não deve ser fácil:
Em uma coluna escrita por Steven Petrow nesta semana para o jornal
The Washington Post, “Conselhos aos pais sobre como criar uma criança
LGBTQ saudável e feliz”, o autor trouxe a seguinte informação: apenas um
pequeno percentual dos adolescentes “se identifica” como gay, lésbica
ou transgênero.
Ao mesmo tempo, Petrow apresenta exemplos de crianças e adolescentes em luta com a orientação sexual e a identidade de gênero.
Petrow é gay, e trata desse fenômeno como algo urgente, embora ao
mesmo tempo pontue que, estatisticamente falando, a questão não é tão
grande assim.
Ele está certo em ambas as análises, e é vital que os conservadores
compreendam o porquê – e como lidar com essa situação. O movimento LGBTQ
trará consequências severas aos nossos jovens se nós não intervirmos e
não mantivermos uma postura firme e sólida baseada na verdade e na
realidade.
Uma das coisas que mais cativam a esquerda progressista é empurrar o
movimento LGBTQ para o centro das discussões – principalmente no que diz
respeito às questões dos transgêneros – mesmo que o número de jovens em
luta com a própria orientação sexual continue pequeno.
Grandes organizações com doadores generosos e apoio financeiro
substancial, presença nas mídias sociais e apoiadores com voz ativa –
geralmente famosos ou influentes – tomaram para si a ideologia LGBTQ e
estão ajudando a infiltrá-la nas mídias sociais, na indústria do
entretenimento e na educação.
Estes são os três lugares onde essas ideias estão se tornando
dominantes, apesar de refletirem a opinião de uma pequena parcela da
sociedade.
A ideologia se espalha rápido e traz consigo um efeito perverso e
danoso nos nossos jovens, justamente por essa onipresença – o sentimento
de que todos são gays ou transgêneros – que a faz parecer popular,
senão inevitável.
Como consequência, o percentual de jovens, especialmente meninas, que
reportam algum tipo de disforia de gênero aumentou subitamente e de
forma dramática, em uma mudança óbvia de rumo em relação aos dados
anteriores, de poucos jovens se identificando como transgêneros.
A ideologia de gênero é ainda mais desconcertante porque exige que
uma pessoa ainda jovem passe por uma metamorfose muito prejudicial – que
envolve mudanças sociais, hormonais e em alguns casos até mesmo
cirúrgicas. Na maioria dos casos, essas mudanças e seus efeitos são
irreversíveis.
Em seu novo livro “Irreversible Damage”, ainda sem tradução para o
português, a jornalista Abigail Shrier explica esse “contágio” e como
ele tem afetado negativamente as jovens mulheres.
Shrier recentemente entrou em uma discussão online sobre o assunto em
um fórum público com Heather Heying, profissional da área da biologia
evolutiva. Trago aqui uma pequena parte da discussão, e recomendo a
leitura integral do diálogo.
Shrier escreveu:
“Por toda a região oeste, garotas adolescentes estão subitamente se
identificando como ‘trans’ assim como suas amigas, clamando por
hormônios e cirurgias. São garotas adolescentes que estão lutando contra
a ansiedade e a depressão, mas que nunca tiveram nenhum histórico de
disforia de gênero.
Guiadas por um sem número de influenciadores trans nas mídias
sociais, e com o encorajamento de seus pares, uma quantidade
significativa de garotas estão se transformando de desesperadamente
impopulares para, agora, queridinhas do mundo virtual.”
Heyin respondeu, em parte:
“Vou te deixar um dado: estudos publicados recentemente mostram que
os indivíduos ‘transgênero e com diversidade de gênero’ têm altas taxas
de autismo e outros diagnósticos psiquiátricos.
Isto posto, não deveríamos considerar esse crescimento rápido nos
casos de ‘disforia de gênero’ entre as mulheres jovens como um sintoma
em vez de uma síndrome em si mesma?
Por que castigamos essas adolescentes quando elas cortam os próprios
corpos, e por que não comemoramos quando elas procuram um médico para
ajudá-las com essa situação?
Quando uma adolescente mutila a si mesma, ou deixa de se alimentar
até quase chegar à própria morte, nós tentamos ajudá-la como um ser
humano. Não estamos aqui santificando o comportamento. Por que estamos
agora celebrando um sintoma?”
Juntas, Shrier e Heyins levantam em sua conversa um ponto importante:
desde quando alguma coisa que começa na mente e passa a se manifestar
fisicamente se tornou algo aceitável como verdade universal
inquestionável?
Mais ainda, o que estamos fazendo com nossas filhas (e com nossos
filhos) quando as ajudamos a obter uma “cura” para a disforia de gênero
com métodos irreversíveis e que trazem efeitos adversos a longo prazo?
Políticos e gestores de políticas públicas da esquerda estão levando
essa tendência – que se parece muito com um contágio perturbador – muito
a sério. Vinte estados norte-americanos agora contam com leis que
tornam ilegal questionar a identidade de gênero de uma pessoa, ou mesmo
desincentivá-la a passar por processos de alteração corporal
significativa, como aplicação de hormônios ou cirurgias.
Conservadores e quaisquer outras pessoas que se preocupam com a
ciência, a verdade e a realidade precisam combater de forma urgente a
adoção de leis como estas em outros estados. Precisamos seguir
vigilantes sobre estas questões transgênero, e sobre como elas estão
sendo tratadas nas escolas, o que está sendo mostrado aos nossos jovens
nas mídias sociais e qual o tipo de entretenimento que eles estão
consumindo.
A meta dos pais não é criar uma criança LGBTQ, como sugeriu Petrow,
ou como ajudar seus filhos a suspenderem a puberdade e conseguir uma
cirurgia que mudará suas vidas para sempre. Essa meta deveria ser amar
seus filhos de maneira incondicional enquanto se dá a eles acesso à
verdade, aos fatos, à ciência e à realidade.
Nicole Russell é colaboradora do The Daily Signal.

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